sexta-feira, 16 de novembro de 2018

O rapaz à porta de Alex Dahl

       Opinião: O rapaz à porta é o primeiro livro publicado em Portugal da autora Alex Dahl. Este foi mais um daqueles livros em que a leitura é célere e o final acaba com o entusiasmo e com a emoção.
     O livro conta a história de Cecília que tem uma vida perfeita: um marido rico, um emprego para se mostrar moderna e autónoma, uma boa casa num bairro de prestígio, duas filhas lindas… Está socialmente bem integrada, dando-se com as pessoas certas. Eis que uma tarde, na piscina onde as filhas vão, lhe pedem que deixe em casa o rapaz que está à porta e que ninguém veio buscar.
     Ela assim faz, mas quando chega ao local verifica que ninguém habita a casa, havendo, apenas, indícios de que o jovem tem lá dormido, mas sem a companhia de um adulto. Assim sendo, resolve levá-lo para casa, onde dorme, sem que ela avise a polícia. No dia seguinte, deixa o Rapaz na escola até que recebe um telefonema avisando-a de que tem de ir à referida escola pois a polícia está a aguardá-la, visto que o rapaz não é lá aluno.
Até aqui a história é linear, mas a partir desta premissa a autora acaba por construir um jogo de espelhos, onde o leitor oscila entre a verdade e a mentira, que por vezes se torna, por força do discurso, dois objetos diferentes. A verdade é que depois de perceber esse jogo da cabra cega que a Cecília faz com toda a gente e que lhe permitiu construir uma falsa vida exemplar, o livro fica bastante interessante.
     Assim sendo, a obra é uma ilusão, construída pela personagem principal, que nós, leitores, vamos conhecendo ao mesmo tempo que as outras personagens, e que se desmorona e acaba por cair como se de uma pirâmide de cartas se tratasse. Neste, entretanto, o livro ganha ritmo e mais interesse, funcionando como um tratado psicológico, uma visão da mente de pessoas como a protagonista.
     Até que chegamos ao final. E desilusão. Não era o desfecho que estava à espera e, penso mesmo, que não será o final mais correto, mais moral ou mais coerente que a autora poderia encontrar. Para mim, o fim deveria ter sido outro, mais forte, menos morno. Como se na última página pensássemos: É só isto?
De qualquer forma, e não sendo para mim, um livro fantástico é uma obra que se lê, sem grande dificuldade.


    Sinopse: Cecilia Wilborg tem a vida perfeita: um marido atraente, duas bonitas filhas e uma grande casa em Sandefjord, uma cidade que parece tirada de um bilhete-postal. Ela esforça-se para manter tudo como está, pois um erro do passado pode destruir-lhe o presente.

      Annika Lucasson vive uma vida sombria com o namorado abusivo e traficante de drogas. Já perdeu tudo muitas vezes e agora tem uma última oportunidade de se salvar, graças a Cecilia. Mas, Annika conhece o seu segredo e o que Cecilia está disposta a fazer para que tudo acabe.

      Então aparece Tobias, um rapaz de oito anos, sozinho e sem amigos. Mas que ameaça fazer desmoronar o mundo de Cecilia.
      O quer ele de Cecília?






O Rapaz à Porta de Alex Dahl

segunda-feira, 12 de novembro de 2018

Meu de Susi Fox

Meu de Susi Fox

         Opinião: O livro Meu de Susi Fox foi um livro que me atraiu pela temática que surgia na sinopse, me fez lê-lo com agrado devido ao desenvolvimento, mas que desfez esta boa impressão devido ao final infeliz com que a autora termina esta sua primeira obra
         O livro conta a história de Sacha uma jovem que teve bastante dificuldade em engravidar e que finalmente consegue realizar o seu sonho de vir a ser mãe. Tudo está preparado para a chegada de uma princesa, estando o hospital escolhido, em função da qualidade e da médica que a acompanha.
          Acontece que devido a um acidente de automóvel, a jovem acaba por dar à luz de cesariana, num hospital de que não gosta e cheio de desconhecidos. Sacha não se lembra de nada do seu parto, sendo informada que apesar de pequeno, o seu filho, rapaz, se encontra a evoluir. A moça pede então para ser levada ao berçário por forma a ver o seu bebé. E é aí, logo que olha para o recém-nascido, que declara que aquele não é o seu filho.
      Toda a história se constrói de uma forma paralela entre os dois fios condutores. Por um lado a mãe que diz que aquela criança não é o seu filho, (não se tratando do problema de ser um rapaz, pois as ecografias não são 100% seguras, e ela sabe-o), e por outro, todas as pessoas envolvidas, o seu pai, o seu marido, os médicos, as enfermeiras, que afirmam ser aquela a sua criança, sem que tenham disso a mínima dúvida.
         O livro coloca a tónica desta forma de pensar da Sacha como uma faceta de uma depressão pós-parto, ou a existência de uma doença mental que o parto tão problemático e traumático poderia despoletar. A verdade é que eu acreditei na versão e na análise da Sacha, e, nessa perspetiva, estive sempre muito consciente da importância de um final que não deixasse dúvidas sobre quem estava a dizer a verdade.
      Mas se a verdade acaba por vir ao de cima, o final não me pareceu plausível, tendo em conta a caracterização psicológica das diferentes personagens, nomeadamente a personagem principal. A Sacha que nos é descrita nunca aceitaria o final que a autora lhe reservou, fazendo com que o livro perca força e dinâmica.
     Assim sendo, aconselho a leitura deste Meu, embora estejam já avisados que quem ler o livro como eu ficará a sentir uma pequena frustração com a conclusão desta obra.

        Sinopse: Uma mãe diz que o recém-nascido que lhe trazem não é seu. Depressão pós-parto? Ou um dos piores pesadelos de uma mãe? Sasha vê-se obrigada a um parto prematuro, por cesariana. Mas quando o bebé nasce, ela diz que não é seu. Todos interpretam aquilo como um caso grave de depressão pós-parto, mas a situação piora. Sasha torna-se amiga de Brigitte e fica horrorizada ao descobrir que o filho dela é de facto o seu. O bebé acaba por morrer de uma infeção e Sasha dá tudo por tudo para ficar com o seu «filho» Toby.