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segunda-feira, 10 de junho de 2019
sexta-feira, 10 de maio de 2019
segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019
segunda-feira, 11 de fevereiro de 2019
sexta-feira, 28 de dezembro de 2018
quinta-feira, 20 de setembro de 2018
A Namorada de Michelle Frances
E
a leitura foi ambivalente. Passo a explicar. No início do livro e nas primeiras
140 pouco acontece, levando-nos a questionar a categoria em que o livro está
referenciado. No entanto, a leitura faz-se de forma agradável, sem grandes
problemas e a narrativa está construída de uma forma interessante. Mas, parece
mais um romance do que um thriller. Eis senão quando, tudo muda.
A
obra centra-se na relação Laura tem com Cherry a namorada do seu filho Daniel.
Laura é uma mulher profissionalmente bem-sucedida, mas o seu casamento, embora
estável, sofre e acusa a passagem do tempo e o afastamento de Howard, o seu
marido. A vida pessoal desta mulher está centrada no seu filho, um bom rapaz,
estudante de medicina e com quem consegue manter uma relação bastante próxima.
Mas
Daniel apaixona-se por Cherry, uma jovem que trabalha numa empresa imobiliária,
que vem de um meio mais modesto e que o atraiu de uma forma avassaladora. Laura
começa por querer integrar a jovem namorada do filho na família, transformando-a
numa filha adotiva, mas a verdade é que a sequência de acontecimentos vividos
por estas mulheres não vão permitir tal aproximação. Pelo contrário. A partir
de determinada altura, mãe e namorada tentam levar Daniel a ficar só consigo,
manipulando-o para que tal aconteça.
E
desta história simples, nasce um livro que quando arranca acaba por ser um bom
thriller e consegue prender a atenção do leitor. Contado cronologicamente, não
levanta problemas nem questões no que respeita ao acompanhamento da história.
As descrições são feitas de uma forma enquadrada e o narrador acompanha a
narrativa conforme esta vai sendo vivida pelas personagens, sem nunca se
sobrepor aos acontecimentos, nem deixando antever algum aspeto que retire o
suspense da obra.
Embora
não sendo um livro que ‘corte a respiração’ como é anunciado na contracapa, A namorada acaba por ter uma história
bem contada, coerente e correta e com um final que não sendo surpreendente não
deixa de nos fazer respirar fundo. É pois um bom livro para quem gosta do
género.
Sinopse: Laura é uma mulher realizada. Tem uma carreira bem-sucedida, um casamento estável com um homem rico e um filho, Daniel, que ela adora. Quando Daniel, estudante de medicina de 23 anos, conhece Cherry, uma belíssima e inteligente rapariga oriunda de um meio mais modesto, Laura acolhe-a de braços abertos.
Mas Laura começa a desconfiar que a sua futura nora não é bem o que aparenta ser... Laura tentará a todo o custo afastá-la da vida de Daniel. Mas Cherry não é fácil de afastar…
Um thriller psicológico de cortar a respiração.
Um thriller psicológico de cortar a respiração.
quarta-feira, 15 de agosto de 2018
Não sou o único de Helena Reis
Opinião: Como
é que eu, sendo fã dos Xutos e Pontapés desde que me lembro, só agora li a
biografia do Zé Pedro escrita pela sua irmã Helena Reis? Mistério.
Quem
me conhece e segue o Blog sabe que, ainda por cima, eu gosto de biografias.
Embora não seja um género que leia com frequência, terei que rever este aspeto,
o certo é que sempre que o faço fico bastante agradada. E este livro não é
exceção.
O
Zé Pedro é (não consigo pensar no passado) uma figura incontornável da história
do Rock em Portugal. Mais do que as suas atividades dentro dos Xutos o Zé fez e
desenvolveu uma série de atividades que ficarão para a história da música portuguesa
do seculo XX e da cidade de Lisboa em particular. Fazer uma análise de uma
biografia sem introduzir spoilers é difícil, mas vou tentar.
Permitam-me
que comece por dizer que este livro só poderia ser escrito por alguém, como a
Helena Reis, que fosse bastante próxima do guitarrista dos Xutos. Tendo a
objetividade necessária a este tipo de escrita, e que segundo a autora o
próprio Zé Pedro assim desejava, não deixa, nem esconde o afeto e a ligação que
existe com o artista. E essa é talvez a primeira novidade para quem não está atenta
ao mundo da música. Os roqueiros contrariamente à imagem que é passada são, por
norma, pessoas afáveis, simples e de coração cheio. O Zé teve a juntar a esse
seu aspeto mais afetivo uma família direta ou indireta que o rodeou, protegeu e
amparou (o colo é sempre necessário ao longo da vida) tornando-o nesta pessoa
maior que é.
Não
vou contar, na verdade, nada. Mas esclareço que sendo uma seguidora do grupo há
anos, o livro tem episódios que me surpreenderam e outros que me esclareceram
alguns aspetos dos quais não estava bem certa (não acreditar nas revistas é um
princípio básico da vida).
Assisti
ao último concerto dos Xutos onde o Zé Pedro esteve fisicamente presente e
assisti às duas recentes homenagens ao Zé, no Rock in Rio e no Super Bock Super
Rock. Em ambos os festivais nesses dias fui de propósito para esses concertos e
por isso posso afirmar que o espírito a força e a dinâmica do Zé Pedro continua
em palco com os outros quatro Xutos que tenho a certeza irão continuar a honrar
o seu legado.
À
Helena Reis (senhora simpatiquíssima) um muito obrigada por partilhar connosco
o seu irmão e, se me permite dizer, parte do seu coração. Ao Zé Pedro ‘Não Sou
O Único’ que te diz Até Sempre.
Sinopse:Dizem que somos feitos da mesma matéria que as estrelas, que ainda somos seus primos afastados, mas alguns de nós têm um parentesco mais próximo com elas, uma cintilação especial são eles próprios estrelas. É o caso de Zé Pedro, fundador dos Xutos e Pontapés e uma das mais brilhantes estrelas do rock português. Nestas páginas da autoria da irmã Helena Reis, somos convidados a entrar no mundo de Zé Pedro, dos seus sonhos, das suas paixões. Viajamos à sua infância festiva e luminosa, ao estonteante começo dos Xutos e Pontapés, aos amores vividos e sonhados, aos grandes sucessos da banda e ao fervor dos fãs, ao Johnny Guitar e ao panorama musical da época, às incontáveis tournées pelo país e estrangeiro... É uma viagem apaixonante e irresistível a que este livro nos propõe, é a oportunidade única de ficarmos a conhecer por dentro o sonho inabalável de um homem que mudou para sempre a história do rock português."
quinta-feira, 5 de julho de 2018
Sorrisos Quebrados de Sofia Silva
Opinião: Os
Sorrisos Quebrados de Sofia Silva é
um livro cujo êxito me tinha passado ao lado. Confesso que até o adquirir só
tinha ouvido falar dele, e do seu sucesso no Brasil, de uma forma vaga. Foi
mesmo o público brasileiro que levou a autora a publicar, de forma independente
na Amazon (ganhando o prémio para Melhor Livro de Ficção em 2017), e depois, já
com editora, em livro físico, na terra do Samba. O caso foi tal que participou
na Bienal de do Livro do Rio de Janeiro confirmando o que o número de
exemplares vendidos já tinha assegurado.
Como
só tive conhecimento destes eventos após a aquisição do livro, acabei por ir
para a leitura de coração aberto, sem ideias preconcebidas, pois também não
tinha lido nenhuma critica ou opinião sobre o mesmo. (Apesar de gostar bastante
de seguir blogs e canais de opinião literária, sobre os livros que já comprei
só vou ler, ou ouvir, a opinião dos outros depois de ter lido, para não
condicionara minha própria leitura). Agora sei que o Goodreads o classifica com
quase cinco estrelas, em cinco.
Mas
vamos ao livro. Sorrisos Quebrados
conta a história de Paola, vítima de violência doméstica, e de André, extremoso
pai de Sol, abandonado pela mulher toxicodependente. Será Sol quem vai unir
estas duas almas, que após o sofrimento passado, têm dificuldade em se abrir
para a vida e para o amor.
Aquilo
que poderia parecer uma narrativa vulgar começa logo por nos dar um murro no
estomago no Prólogo, onde nos é descrita a última agressão a Paola agressão
essa que quase a leva à morte. A partir daí percebemos que não se trata de um
romance simples, de uma história de amor evidente, mas da convivência entre
duas almas (três se considerarmos Sol) que fogem dos seus fantasmas, dos seus
Monstros, tentando que a vida prossiga, mas sem grandes sentimentos ou emoções.
Paola e André querem um futuro calmo, fechado, onde a sua atitude estoica e, simultaneamente,
epicurista está mais do que justificada.
Outro
aspeto interessante do romance e que, no meu ponto de vista, foi muito bem
explorado é a utilização da arte, nomeadamente da pintura enquanto redentor dos
medos e das ansiedades. A pintura acaba por ser uma forma de comunicação entre
as personagens, o local onde se exorcizam os fantasmas, conscientes ou
inconscientes, do passado ao mesmo tempo que tentam abrir-se para o presente e
o futuro.
Num
livro narrado a duas vozes fica a ideia de esperança e renascimento. Um livro
que nos faz acreditar que nos priores momentos cada um de nós pode fazer como
Paola que: “Mesmo em pânico, gatinhou até à luz”.
Sinopse: Paola: Perante Deus, o meu marido prometeu me amar. Cuidar de mim. Ser meu amigo. Perante todos, disse que me amava. Que seríamos felizes. Viveríamos para sempre juntos. Mentiu em tudo. Até que um dia ele me disse que me mataria. E não mentiu.A partir desse dia, vivi escondida no meu mundo, até André aparecer.
André:Eu não procurava nada. Não queria ninguém.Não depois de tudo que vivera.Meu coração estava escondido na escuridão, até Paola surgir com as suas cores, pintando minha vida.
Sorrisos Quebrados é um romance de cores entre duas pessoas quebradas por relacionamentos passados. Uma história de superação dos próprios medos e de promessas. quinta-feira, 10 de maio de 2018
Por trás dos seus olhos de Sarah Pinborough
Opinião: Mais
uma vez a minha amiga Vera Brandão me aconselhou a ler um thriller. De verdade,
nem sei se será um thriller pois o livro é muito estranho, todo ele.
Temos
a história de três personagens, que supostamente seriam o clássico trio
amoroso: duas mulheres e um homem. Adele é casada com David que inicia uma
relação extraconjugal com Louise.
Adele
é a namorada de adolescência, por amor de quem David lutou pois, apesar de
serem vizinhos, eram de classes sociais diferentes. Adele apresenta-se como a
mulher perfeita, solitária que tenta criar relações de amizade com outras senhoras,
nomeadamente com Louise.
Esta
última, por sua vez, é mãe solteira, sentindo solitária, sem autoestima,
acabando por se tornar amiga de Adele, ao mesmo tempo que inicia uma relação
com David.
David
está entre as duas mulheres. A atração que tenta vencer por Louise, ainda mais
quando descobre que esta será a sua secretária no novo trabalho, contrapõe-se à
vontade de salvar um amor perdido, desgastado por um passado e um presente
sombrios e mal definidos.
Inicialmente
tudo parece, quase cliché, mas pouco a pouco percebemos que tirando a jovem
mãe, e a interpretação que ela faz dos acontecimentos que lhe são apresentados,
nada é aquilo que parece. Na verdade, conforme vamos lendo percebemos que o
paranormal vai ter uma componente muito forte neste livro, mas, verdade seja
dita, nunca pensei que seria tão forte e tão grande. O mais curioso é que a
construção narrativa do livro, faz com que quase, atenção eu disse quase, consideremos
o que não é natural, como algo evidente e, volto a acentuar, quase normal.
O
que torna este livro surpreendente é que não conseguimos parar de ler, mesmo
quando se torna estranho sendo que o final é totalmente surpreendente, absolutamente
inesperado. De facto, ainda não consegui encontrar ninguém que me dissesse que
o final era aquele que aguardava. Se houver alguém que tenha uma ideia contrária
a esta, faz o favor de dizer, e de me esclarecer quais os indícios que lhe deram
tal ideia. O certo é que mal-acabei de ler o livro tive vontade de o reler para
ver se conseguia encontrar tais pistas. Como não o fiz fico à espera das vossas
indicações.
Apraz-me,
no entanto, afirmar que, e apesar de tudo, este é um livro que vale muito a pena
ler. Mais que não seja pela novidade que traz a nível da construção.
Sinopse: Louise Mãe solteira, fez do filho o seu mundo. Trabalha em part-time. Segue um quotidiano discreto e preso à rotina. Mas tudo muda quando numa rara saída à noite, conhece David num bar... não sabendo que se trata do seu novo chefe. Ambos sentem de imediato uma atração mútua.
David É ainda jovem, bem-sucedido, encantador e dedicado à sua mulher. Louise nem consegue acreditar que um homem como David se sinta atraído por ela. e tudo se complica quando Louise conhece Adele, a mulher de David.
Adele Bela, elegante, delicada. Perfeita em todos os aspetos. Um dia, conhece Louise, de quem se torna desde logo amiga.
Fascinada por Adele e David - o casal ideal, aparentemente irrepreensível -, Louise acaba por se ir envolvendo na intrincada teia que é aquele casamento. E, a pouco e pouco, à medida que penetra cada vez mais nas suas vidas, começa a descobrir que há falhas entre eles... Será David realmente o homem que ela pensava conhecer bem? Será Adele tão frágil quanto aparenta? que segredos inquietantes e perigosos escondem eles? E até onde serão capazes de chegar para os esconder? Um thriller que se lê de um só fôlego, com um final surpreendentemente inesperado, e que reinventa com mestria o tradicional triângulo amoroso.
Um bestseller internacional de excelente qualidade literária
quarta-feira, 2 de agosto de 2017
Domina de L.S. Hilton
Opinião: Assim
que acabei o livro Maestra comecei Domina. O novo livro de L.S.Hilton era
a continuação de uma história que eu queria acompanhar.
Erro
crasso. Já leio há anos suficientes para saber que quando se gostou bastante do
primeiro, não se deve ler o segundo de seguida, pois as espectativas podem
ficar defraudadas. E na verdade foi o que me aconteceu, embora pense que, para
quem leu o primeiro livro há um ano, este vai ser um bom reencontro.
O livro
continua a história de Judith, agora Elisabeth, e da sua vontade de vencer num
mundo que nem sempre, ou quase nunca, é o mais normal e o mais correto a nível
moral. Logo no prólogo a personagem principal continua a matar quem se mete no
seu caminho e quem tem a pretensão de tentar pôr em causa os seus desejos.
Assim, e independentemente do nome que adota, continua a ser uma anti heroína
servindo-se dos outros para alcançar os seus fins, não olhando a meios, para
conseguir o que pretende.
Sendo uma
personagem forte, inteligente, tentando interpretar os factos que desconhece,
Judith manipula tudo e todos os que com ela se cruzam, mesmo nas situações que
lhe são menos favoráveis. No entanto, no final do livro constatamos as
fragilidades que ela apresenta e percebemos mesmo que nem sempre os seus
raciocínios e as suas efabulações são as corretas. Mas esta mulher não desiste
e luta, até ao fim, para conseguir o que quer que a vida lhe dê. É também neste
livro que a autora nos mostra o que aconteceu no passado da personagem, que a
tornou tão fria e calculista. Mesmo apresentando um comportamento tão desadequado,
Judith não merecia o trauma porque teve de passar, nenhuma criança de 12 anos o
merece. No entanto isso não lhe dá o direito de ser a manipuladora fria e
insensível que é, nem justifica as suas atitudes.
A
escrita continua cinematográfica e coerente, embora o ritmo acabe por não
apresentar diferenças em relação ao primeiro volume, que estando fresco na
memória, faz com que este se torne previsível. Também neste livro a autora
continua a dar-nos descrições de locais maravilhosos e luxuosos, onde a
imaginação nos leva de bom grado, secundarizada pelas joias e o guarda roupa de
alta costura. Neste livro a arte, nomeadamente a arte pictórica, é uma
personagem importante e aprendemos bastante sobre pintores, fundamentalmente
sobre Caravaggio, pintor importante do final do século XVI, início do século
XVII. O que surge menos neste livro são as descrições realistas das suas
aventuras amorosas. No que respeita ao erotismo é um livro muito mais leve.
Este
não é o volume final. A saga desta mulher continuará num outro livro. A forma
como termina é de tal forma surpreendente que apenas espero não ter de aguardar
um ano para saber qual o final de Judith. Para ser franca acho que o próximo
livro dará, certamente, uma reviravolta em relação à forma como este termina,
pois, uma personagem forte e empenhada na construção do seu destino, mestre na
arte de se reinventar, e que domina o seu destino de uma maneira quase mágica,
não merece um final como o que este volume sugere. Seria mesmo bastante
inverosímil. E mais não digo.
Sinopse: Ela pensava que os seus problemas tinham chegado ao fim. Mas estão apenas a começar... Judith Rashleigh conseguiu. Tem uma vida de luxo por entre o esplendor da cidade de Veneza, e começa agora a sentir-se confortável na sua nova pele. Mas um dia é traída pelo passado. Alguém que sabe o que Judith fez quer acertar contas com ela. Vítima de chantagem, ela terá agora de descobrir o paradeiro de um quadro de valor incalculável - que talvez nem exista de verdade... Desta vez, Judith não controla a situação. Sentindo-se desorientada e sem saídas, desarmada e fragilizada, tem de enfrentar um inimigo mais poderoso e impiedoso do que ela alguma vez poderia imaginar. E se não conseguir sair desta situação, Judith poderá morrer.
domingo, 30 de julho de 2017
Maestra - o livro
Opinião: O livro Maestra tem mais de um ano de publicação em Portugal. E há mais de
um ano que está parado na minha estante. Agora, devido à publicação de Domina, segundo livro desta autora,
resolvi pegar nele e finalmente lê-lo.
Menos
de vinte e quatro horas foi o necessário para que tal acontecesse. Devo referir
que não li a contracapa. Isto é algo que faço com frequência, pois quero ir de
mente aberta para os livros. Pelo que me recordava, e pela capa, achei que se
trataria de um livro erótico. Nada contra, pois é um estilo de que gosto. Mas
estava errada.
Maestra conta a história de Judith, uma
jovem ambiciosa, que trabalha de dia numa leiloeira de arte e de noite num bar,
para complementar os seus vencimentos. Até aí nada de especial. Acontece que
quando é despedida da “Casa” de leilões resolve partir com um cliente do bar
para a Riviera francesa. E isso muda toda a sua vida e a postura perante a
mesma.
Judith não
olha a meios para atingir os seus fins. Ela passa por cima de quem for, faz o
que tiver de fazer, para poder sobreviver e viver como idealizou. Na verdade, e
embora sendo a personagem principal do livro, acaba por ser odiada, ou pelo
menos mal-amada pelos leitores.
No
entanto as reviravoltas que ela dá à sua vida e à dos outros, a forma como consegue
sempre sair das situações, mesmo as mais dramáticas, aparentemente sem uma
beliscadura, tornam-na numa personagem bastante interessante no que respeita à
construção. Não existe uma incoerência, ou algo que ponha em causa alguém que é
tão fria e calculista. Acabamos por achar que ela é uma anti heroína, que vamos
progressivamente deixando de gostar, para quase desejarmos que não consiga
alcançar os seus objetivos.
Para
além do acima citado, a jovem Judith acaba por ter uma desinibição a nível
sexual que faz com que tenhamos descrições bastante realistas das suas
aventuras, como se de um livro erótico se tratasse. No entanto, e na minha
modesta opinião tal não é verdade. Quanto a mim, a autora apenas pretende
demonstrar de uma forma cabal, e sem dar azo a equívocos, a desinibição e a
perversão da personagem que se manifesta permanentemente na sua vida, incluindo
no aspeto sexual.
Quanto
à ação, são brilhantes as voltas e as reviravoltas. A escrita de L. S. Hilton é
muito consistente e leva-nos por uma europa glamorosa, onde o dinheiro, as
festas, o sexo e os negócios são fatores determinantes, condicionando os modos
de vida. Para além disso quando pensamos que o destino das personagens está de
alguma forma definido, a autora através da sua trama narrativa absolutamente
cinematográfica, acaba por nos levar por outros caminhos onde nada é definitivo,
nem mesmo o livro que, como sabemos, já tem um segundo volume.
Concluindo,
Maestra é uma obra que junta erotismo
com suspense e thriller. Um livro do qual queremos ler seguramente a
continuação, mas que nos mostra de forma clara que esta mulher é mestre da sua
vida, regente do seu destino, compositora do seu caminho. Só que esse caminho
ainda não terminou.
Sinopse: Durante o dia, Judith Rashleigh trabalha numa prestigiada leiloeira de Londres. Ambiciona uma carreira no mundo da arte e, apesar das origens humildes, tornou-se uma mulher sofisticada. Para fazer face às despesas, aceita trabalhar durante a noite como acompanhante num dos bares da capital. Mas depressa o sonho de uma vida luxuosa se desmorona. Desesperada, acompanha um dos clientes do bar numa viagem.
Após um acontecimento que marca o seu destino, Judith envereda por um caminho violento e tortuoso. Assistimos à ascensão de uma mulher à margem da lei e da moral, segura do seu rumo.Mais do que possível, será a redenção desejável?
segunda-feira, 10 de julho de 2017
Amei de paixão
Ontem foi assim o meu dia. Hora do almoço comprar o livro. Pós almoço espreitar o prólogo. E pronto! A tarde fez noite, a noite madrugada e só parei quando o livro chegou ao fim. A Sandra Carvalho anda a escrever de forma magistral. Logo o início nos encanta e nos leva numa história com um ritmo apropriado e uma densidade narrativa que nos faz quer saber sempre mais. A trama está urdida de uma forma impar.
A construção das personagens está feita de forma coerente e primorosa, onde nos é recordado de forma subtil as origens de Leonor, a «fidalguinha» e no momento de se poder assumir como tal , nos é evidenciado que esta mulher já é outra, com uma escolha de vida diferente, esta é a "Açor". Lindo!
Também o Corvo cresce e sem querer desvendar demais, se transforma num homem de corpo inteiro e nome próprio (vão ler o livro e entendem).
Até as cenas onde a magia se reflete é feito com tal mestria que nos parecerem normais, como se de um conto de fadas (e atenção que os contos de fadas são mais violentos que os livros da Sandra Carvalho) se tratassem.
As cenas de amor são de uma beleza, discrição, mas ao mesmo tempo de uma sensualidade que só quem escreve muito bem consegue.
Mas vamos ao final. Este seria previsível, nem poderia ser de outro modo, onde nos são dados dados históricos complementares. Mas eis que se acrescentam três parágrafos e então o último leva-me a perguntar: Que outra história Sandra Carvalho?
Não percam esta trilogia. É do melhor escrito em português por uma grande autora portuguesa
.
A construção das personagens está feita de forma coerente e primorosa, onde nos é recordado de forma subtil as origens de Leonor, a «fidalguinha» e no momento de se poder assumir como tal , nos é evidenciado que esta mulher já é outra, com uma escolha de vida diferente, esta é a "Açor". Lindo!
Também o Corvo cresce e sem querer desvendar demais, se transforma num homem de corpo inteiro e nome próprio (vão ler o livro e entendem).
Até as cenas onde a magia se reflete é feito com tal mestria que nos parecerem normais, como se de um conto de fadas (e atenção que os contos de fadas são mais violentos que os livros da Sandra Carvalho) se tratassem.
As cenas de amor são de uma beleza, discrição, mas ao mesmo tempo de uma sensualidade que só quem escreve muito bem consegue.
Mas vamos ao final. Este seria previsível, nem poderia ser de outro modo, onde nos são dados dados históricos complementares. Mas eis que se acrescentam três parágrafos e então o último leva-me a perguntar: Que outra história Sandra Carvalho?
Não percam esta trilogia. É do melhor escrito em português por uma grande autora portuguesa
.
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