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quarta-feira, 24 de outubro de 2018

Pão de Açúcar de Afonso Reis Cabral e A mulher entre nós de Greer Hendricks e Sarah Pekkanen

          Opinião: Pela primeira vez desde que tenho o blog venho fazer a crítica a dois livros. Começo já por dizer que não gostei de nenhum, embora por motivos diferentes.
        O primeiro é o novo livro de Afonso Reis Cabral, Pão de Açúcar. O livro conta a história de um transexual que foi assassinado por um grupo de jovem, pré-adolescentes, no Porto. Este foi um caso bastante mediático, na altura, e os factos ainda estavam presentes na minha memória, pois considerei então, como agora, o caso bastante perturbador para uma sociedade que se diz civilizada. Este é, pois, um livro de não ficção.
         O que me incomodou no livro foi o caso de o autor não ter trazido nada de novo para a história que tinha sido contada à época. Eu esperava que o Afonso Reis Cabral nos trouxesse novos factos, ou perspetivas sobre o assunto, o que não me pareceu. Para além disso observei que a sua escrita não fluía, tornando-se, assim, a leitura um momento penoso, sem ritmo e muito pouco agradável.
      Como considero que escrever não ficção e escrever ficção são escritas distintas espero, no próximo ano, dar uma oportunidade ao primeiro livro deste autor e com o qual ele ganhou o prémio Leya: O meu irmão.

        O segundo livro de que também não gostei foi o livro A mulher entre nós da dupla Greer Hendricks e Sarah Pekkanen. Esta obra trata a temática de um divórcio onde apenas uma parte estava interessada, neste caso o marido. A verdade, é que este acaba por acontecer e Vanessa abandona o seu lar, ficando bastante afetada, sentindo-se abandonada. Tanto mais que o ex-marido arranja logo uma namorada, com quem quer casar com a maior brevidade.
      Estes factos, associados à perca do emprego, fazem com que a jovem decida que este segundo casamento não pode acontecer, começando uma perseguição aos diretamente envolvidos e à ex-cunhada (se é que se perdem os vínculos com a família). Até aqui tudo bem. Tema interessante, construção que faria prever um livro interessante.
        Mas a verdade é que se tornou repetitivo e, consequentemente, repetitivo. As considerações que a personagem faz, as desculpas que arranja para si e para os outros, são tão semelhantes que tive a sensação de que estava a ler umas páginas que já tinha lido, como se fosse o mesmo. E este foi o problema. A escrita é agradável, o tema é simpático, mas, se calhar o facto de ser escrito a quatro mãos fez com que se tornasse muito repetitivo.
       Lamento mas nenhum dos dois conseguiu despertar a minha empatia, e por isso, não posso considera-los boas leituras.


    Sinopse: Em Fevereiro de 2006, os Bombeiros Sapadores do Porto resgataram do poço de um prédio abandonado um corpo com marcas de agressões e nu da cintura para baixo. A vítima, que estava doente e se refugiara naquela cave, fora espancada ao longo de vários dias por um grupo de adolescentes, alguns dos quais tinham apenas doze anos.
         Rafa encontrara o local numa das suas habituais investidas às «zonas sujas», e aquela espécie de barraca despertou-lhe imediatamente o interesse. Depois, dividido entre a atracção e a repulsa, perguntou-se se deveria guardar o segredo só para si ou partilhá-lo com os amigos. Mas que valor tem um tesouro que não pode ser mostrado?
         Romance vertiginoso sobre um caso verídico que abalou o País, fascinante incursão nas vidas de uma vítima e dos seus agressores, Pão de Açúcar é uma combinação magistral de factos e ficção, com personagens reais e imaginárias meticulosamente desenhadas, que vem confirmar o talento e a maturidade literária de Afonso Reis Cabral.



         Sinopse: Aos 37 anos, a recém-divorciada Vanessa está no fundo do poço. Deprimida, a morar no apartamento da tia, sem filhos, sem dinheiro e sem amigos verdadeiros. Richard, o seu carismático e rico marido, era tudo para ela. Mas, ao descobrir que ele está prestes a voltar a casar, algo dentro de Vanessa se desfaz. A partir de agora, na sua vida, só existirá uma única obsessão: impedir esse casamento. Custe o que custar.
         Nellie é como qualquer outra jovem bela e sonhadora que chega a Manhattan para começar a sua tão sonhada vida adulta. Mas a personalidade tranquila que ostenta é apenas uma fachada. Na sua cabeça perdura o segredo que a faz fugir da sua cidade natal e que a impede de caminhar sozinha para casa.
         Ao conhecer Richard - bem-sucedido, protector, o homem dos seus sonhos -, Nellie começa finalmente a sentir-se segura. Ele promete protegê-la de tudo para o resto da sua vida. Mas, de repente, começa a receber chamadas misteriosas. Algumas fotografias são mudadas de lugar no seu quarto. Alguém a persegue, alguém quer o seu mal. Mas quem?



quinta-feira, 26 de abril de 2018

A Sociedade Literária da Tarte da Casca de Batata de Mary Ann Shaffer e Annie Barrows

      Opinião: Como é que eu deixei este livro na estante durante tanto tempo?       Quase oito anos? Não sei, mas fiz mal, muito mal. O mais estranho é que todas as críticas que li desta obra foram bastante positivas, mas, mesmo assim, não havia maneira de me decidir a lê-lo. Há momentos em que as nossas opções são, perfeitamente, incompreensíveis.
     A sociedade literária da Tarte de Casca de Batata é um livro surpreendente, tanto ou mais do que o título. Na verdade, este livro é uma obra sobre o pós-guerra mais do que sobre livros ou a própria sociedade literária. Sendo um romance epistolar pensei que seria, de certa forma, aborrecido, e talvez por isso tenha ficado tanto tempo na estante. Mas é um livro delicioso.
     Juliet Ashton, jornalista de sucesso, encontra-se bloqueada sem saber sobre o que escrever de seguida. É então que toma conhecimento de uma história, de uma sociedade literária, que se reúne e reuniu durante a guerra, em Guernsey, uma das ilhas do Canal. Esse conhecimento vem do facto de lhe terem devolvido um livro que, no passado, lhe terá pertencido e, por coincidências do destino terá ido parar às mãos de um dos elementos da respetiva sociedade. Após algumas cartas e ao saber das histórias destes habitantes durante a ocupação nazi, a jovem acaba por ir para a ilha onde acaba por se tornar um membro residente da mesma.
     Mas o livro é muito mais. O livro é doçura, conhecimento, sobre as ilhas e a invasão sofrida durante a segunda guerra mundial, referências literárias importantes…. Acabamos por adquirir conhecimento de uma forma fácil e leve, sem deixarmos de nos sentir agarrados à narrativa que vai sendo contada. De facto, a partir de determinado momento todas aquelas personagens passam a ser nossas amigas, estando nós a torcer pelo seu sucesso, a sua sobrevivência ou o seu final feliz.
   Para além disso a própria escrita do livro está envolta numa situação dramática, pois quem começou a escrevê-lo foi Mary Ann Shaffer que, entretanto, acabou por falecer o que fez com que a sua sobrinha, Annie Barrows, o tenha revisto e lhe tenha dado a sua forma definitiva.
    De qualquer maneira este é um livro muito bom, que deveria ser lido por todos os que gostam de ter nas mãos um bom romance, com uma história interessante e escrito de uma forma muito inteligente. A não perder.

     Sinopse: Londres, 1946.
     Depois do sucesso estrondoso do seu primeiro livro, a jovem escritora Juliet Ashton procura duas coisas: um assunto para o seu novo livro, e, embora não o admita abertamente, um homem com quem partilhar a vida e o amor pelos livros.
     É com surpresa que um dia Juliet recebe uma carta de um senhor chamado Dawsey Adams, residente na ilha britânica de Guernsey, a comunicar que tem um livro que outrora pertenceu a Juliet.
    Curiosa por natureza, Juliet Ashton começa a corresponder-se com vários habitantes da ilha.
    É assim que descobre que Guernsey foi ocupada pelas tropas alemãs durante a Segunda Guerra Mundial, e que as pessoas com quem agora se corresponde formavam um clube secreto a que davam o nome de Sociedade Literária da Tarte de Casca de Batata.
    Fascinada pela história da dita Sociedade Literária, e ainda mais pelos seus novos amigos, Juliet parte para Guernsey. O que encontra na ilha mudará a sua vida para sempre…
 



segunda-feira, 25 de setembro de 2017

O jardim das borboletas de Dot Hutchison

     Crítica: Fui para este livro às escuras, ou seja, sem saber nada sobre o mesmo. O que me surpreendeu e levou a comprá-lo foi a capa e o seu subtítulo Nunca a beleza foi tão assustadora. E é verdade.
     O jardim das borboletas, supostamente um lugar maravilhoso e agradável ao olhar, nada tem de bonito. Trata-se de um jardim privativo onde o Jardineiro, assim apelidado pelas suas meninas, cuida das jovens raparigas (as borboletas) que rapta na rua, tatuando-lhes nas costas, borboletas de várias espécies, pretendendo que esta seja adequada à rapariga que a usa e mudando-lhes o nome para que esqueçam quem foram e a vida que tiveram fora daquele jardim. As raparigas não podem fugir, nem mesmo ter qualquer contacto com o Exterior. Quando a história começa (o livro está divido em três partes que corresponderão a três dias) já o FBI conseguiu descobrir o jardim e o agente Hanoverian acaba por interrogar Maya para conseguir perceber o que terá acontecido àquelas raparigas, naquele sítio.
     E é ela, através da sua narrativa, que nos leva a uma história macabra, onde por vezes nos falta o ar, nos sentimos chocadas, mas mesmo assim com vontade de acabar o livro para nos certificarmos que será feita a pouca justiça possível, pois aquelas jovens mereciam muito mais do que uma sentença de prisão, para aqueles que as violentaram.
     A história acaba por se entrecruzar com a vida de Maya, mesmo antes do seu rapto, e temos ainda acesso a tudo o que lhe acontece, e às suas amigas, dentro daquele espaço aparentemente tão bonito e pacifico. A personagem principal que, aparentemente, é uma vitima dos acontecimentos, acaba por, a partir de determinado momento, poder ser alguém conivente com os agressores, o que tornar a história ainda mais densa. Apesar de ser uma história de ficção, é, no entanto, plausível de poder acontecer, o que ainda choca mais para quem lê.
  Estando escrita de uma forma brilhante, questionamo-nos permanentemente face aos acontecimentos e, ao mesmo tempo, acreditamos na narrativa que se constrói perante os nossos olhos. Simultaneamente, e durante toda a leitura, os nossos sentidos, as nossas sensações e os nossos sentimentos estão permanentemente alerta, sem conseguirmos deixar de nos inquietarmos com os acontecimentos lúgubres que nos são apresentados.
     Peca o final, que se torna demasiado leve para um livro desta dimensão psicológica. No entanto espero que a autora escreva outros livros e que a Suma das Letras continue a publicá-los pois é uma escrita cativante, inteligente e, apesar de tudo sedutora. Para além de tudo este é um livro que merece uma boa adaptação cinematográfica. 


  Sinopse: Perto de uma mansão isolada, encontra-se um jardim com flores exuberantes, árvores frondosas e... uma coleção de preciosas borboletas.
   Jovens mulheres sequestradas e tatuadas para se parecerem comesses belos insectos.
Quando o jardim é descoberto pela Polícia, Maya, uma das vítimas, ainda se encontra em choque e o seu relato está cheio de fragmentos de episódios arrepiantes, no limite da credibilidade.
    O que esconderão as suas meias palavras?
 



domingo, 3 de setembro de 2017

Nos sapatos de Valéria

      Opinião: Quando resolvi participar no grupo Book Bingo Leituras ao Sol uma das categorias pedidas era um livro que fosse do tipo Chick Lit. Foi por isso que resolvi ler Nos sapatos de Valéria da Elísabeth Benavent.
     Pensei, sem saber nada do livro, que seria uma espécie de O sexo e a cidade, livro que li há anos e que me lembro de ter gostado bastante. Doce ilusão. Este acaba por ser também um livro sobre quatro amigas, sendo que uma é a personagem principal, mas a aproximação fica por aí.
     Valéria é uma escritora, apesar de ter apenas publicado um livro, e encontrar-se a tentar escrever o seu segundo romance, mas, na verdade, nada escreve, pois, está a sofrer de um bloqueio. Casada com Adrián fotógrafo de profissão, acaba envolvida com Vítor depois de pensar que o marido, também ele tinha uma relação extraconjugal com a sua jovem assistente. A este trio juntam-se as três amigas de Valéria: Nerea, Carmen e Lola. Estas acabam por, também elas, terem uma vida complicada. Uma namora com um homem comprometido, a outra um colega de trabalho que não gosta de intimidades e a terceira namora com o patrão da segunda e que esta detesta.
  Toda esta estrutura narrativa poderia resultar bem, se não fosse o facto das personagens se comportarem de uma forma infantil de mais para a idade que têm. Tudo nelas soa a falso e não seria espectável aquelas atitudes em jovens tritões. No entanto a conversa entre amigas acaba por ser, em alguns momentos divertida. Apesar de ser um livro leve, esforçando-se por transmitir uma mensagem positiva em relação às nossas opções de vida, acaba por não me cativar de uma forma avassaladora.
   Valéria entende que não se encontra feliz, nem pessoal, nem profissionalmente, mas insiste muito em querer manter uma situação que acaba por lhe criar inseguranças. Penso que faltou aqui um pouco de mais introspeção por forma a tornar as situações mais credíveis. Em relação às amigas existe a manutenção de um segredo que poderia dar cabo da amizade ou criar, como criou alguma tensão, evitável com um pouco de honestidade.
  No entanto dentro do género acho que é um livro simpático para se ler na praia, numa tarde de verão. Não sei o que vão achar, mas eu gostei mais dos livros da Candace Bushnell. Se vou ler o segundo volume que, entretanto, saiu? Não sei, mas é possível. Afinal vale a pena dar à Valéria e à Elísabeth Benavent uma segunda oportunidade. Depois vos contarei.



Sinopse: Divertida, emocionante e sexy como tu! 

Valeria é uma escritora de histórias de amor. Valeria vive o amor de forma sublime. Valeria ama Adrian até que conhece Victor. Valeria tem de ser sincera consigo mesma. Valeria chora, Valeria ri, Valeria caminha... Mas o sexo, o amor e os homens não são objetivos fáceis. Valeria é especial. Como todas nós.