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quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Malícia de Aleatha Romig


    Opinião: Odeio quando um livro acaba dando-me vontade de ler o seguinte e este ainda não está publicado. Odeio mesmo. E isso foi o que me aconteceu com Malícia.
   Mas vamos ao livro. Este continua a contar a história de Alex e Nox, história essa que foi iniciada em Traição. Depois de uma vivência idílica na ilha, e depois de terem acreditado que nunca mais se veriam apesar da forte atração sentida pelos dois, Infidelidades, a empresa de acompanhantes, acaba por os unir.
    O livro trata desta nova aproximação, com novas regras e essas são impostas por Nox. Mas a história fulcral deste volume passa pelo passado de Adelaide, a mãe de Alex e pelos negócios, institucionais e pessoais, da família da jovem heroína.
   De facto, temos, para além do presente, uma sucessão de acontecimentos que tiveram lugar num passado longínquo e num passado próximo. Ou seja, temos a história da família contada na primeira pessoa (Adelaide) que acaba por justificar muitas das atitudes que a família tomou no final do primeiro volume e que parecia, ao leitor, muito pouco assertivas, bem como as atitudes de Alex. 
    Quanto a Nox também neste volume ficamos a saber mais um pouco sobre a sua história familiar e pessoal, embora eu ache que estas só serão esclarecidas nos volumes que se seguem.
  Esta obra está indicada como sendo uma obra erótica, mas neste livro, confesso que o achei muito mais um livro de suspense, quase um thriller do que uma obra erótica. Na verdade, os factos que me entusiasmaram foram os que estavam ligados às histórias pessoais das três personagens (Alex, Nox e Adelaide) do que nas descrições (poucas) eróticas. Muito interessante perceber o que aconteceu e o que leva ao comportamento das personagens no presente. De facto, o nosso presente é muito condicionado pelas atitudes e acontecimentos do passado.
   Quanto ao final foi surpreendente e deu uma volta de 360 graus no último capítulo. E foi mesmo essa volta, brilhantemente pensada a nível de construção narrativa, que me fez ficar enraivecida, pois queria o volume três já na minha mão. Assim sendo, só me resta engolir a ansiedade e esperar que a Quinta Essência traduza, rapidamente, a continuação desta brilhante série de Aleatha Romig.



    Sinopse: As regras mudaram. Há novas regras... as minhas regras.
   Alex "Charli" Collins está disposta a tudo para se libertar das amarras que a sua família impõe. Mas recusar o estatuto privilegiado e opressivo tem um preço. Sem acesso à herança, Alex está prestes a iniciar a faculdade em Nova Iorque e precisa desesperadamente de dinheiro. E encontra uma maneira de o conseguir. 
   Não podia imaginar, porém, que os momentos de prazer que viveu com Nox voltassem para a atormentar. Pois tudo o que sentiu por ele foi devastado pelo seu apelido. Agora, com a Infidelity, as regras mudaram. O que irá acontecer quando a realidade e a fantasia se cruzarem? 
   Após o sucesso de Traição, Aleatha Romig traz-nos Malícia, a tão aguardada sequela do romance entre Alex e Nox. 


segunda-feira, 6 de agosto de 2018

A Dama e o Vagabundo de Cheryl Holt

        Opinião: Cheryl Holt é uma escritora que chegou cá a casa por via dos romances eróticos. Assim sendo estava à espera que este livro fosse também ele uma obra com grande carga erótica. Mas a verdade é que não o é. Trata-se muito mais de um romance, com alguns momentos bem divertido, onde o erotismo é pouco, leve e secundário. A história acaba por ser muito interessante e não faz falta, à mesma, mais cenas eróticas.
      Michael é um jovem dono de vários estabelecimentos entre os quais uma casa de jogo, de onde consegue dominar todo o bairro onde o seu antro se situa. É um órfão que não tem recordações precisas das suas origens, embora por vezes lhe venham à memória imagens que não entende e não consegue perceber se se trata de recordações ou se são fruto da sua imaginação. No entanto essas mesmas imagens não o preocupam, e ele, embora se sinta inquieto e curioso, não perde tempo a pensar nelas.
       Por sua vez, Magdalena é uma jovem donzela, de boas famílias, que tendo sido traída pelo seu noivo, acaba a dirigir uma missão para os mais desfavorecidos, na mesma rua onde Michael mora e trabalha. E o encontro, inevitável, dos dois acaba por se dar, sem que nenhum consiga explicar ou fugir da atração que sentem um pelo outro.
       O destino vai acabar por dar uma ajuda levando a que sejam ‘obrigados’ a conviver a se relacionarem. Este é um livro em que o erotismo está, nitidamente, em segundo plano, estando o romance e as situações divertidas como elementos centrais para a construção do mesmo. Com uma escrita clara e correta Cheryl Holt cria uma narrativa que nos envolve e leva de situação em situação, sejam elas, divertidas, amorosas ou dramáticas, sem que o leitor consiga largar o livro e tenha conhecimento do desfecho destas personagens.
      Este é, pois, um romance ótimo para se ler neste verão e que não pode sequer ser criticado por excessos descritivos, levando assim a uma leitura prazerosa para qualquer tipo de leitor. De referir ainda que este livro é o primeiro volume da série Homens Perdidos, pelo que ficaremos à espera da publicação dos quatro volumes  seguintes.



        Sinopse:Órfão desde cedo, MICHAEL SCOTT viu-se obrigado a enfrentar a dureza e a solidão das ruas de Londres. Não tem memórias do passado mas é atormentado por terríveis pesadelos. É um solitário mas sente que há algo vital e precioso em falta na sua vida. O seu espírito indomável, porém, fez dele um vencedor. Tornou-se um homem rico, poderoso… e perigoso. Mas como pôde uma criança tão desprotegida singrar tão espetacularmente? Conseguirá um dia descobrir a verdade sobre si próprio?
    MAGDALENA WELLS dirige uma obra de caridade nos bairros mais degradados da cidade. Conhece bem a reputação de Michael, mas nem por isso deixa de sucumbir a uma espécie de feitiço quando finalmente se encontra frente a frente com ele. Michael é a pessoa mais extraordinária que ela alguma vez conheceu. Como pode um rufia ser tão distinto e bem-sucedido? Qual é a sua verdadeira história? Conseguirá Magdalena ajudá-lo a desvendar os segredos que ele tanto procura descobrir?
         E assim começa uma nova série da nossa favorita CHERYL HOLT. A Dama e o Vagabundo é o primeiro volume da saga Homens Perdidos, onde a autora tece habilmente uma história sobre a importância da família, do amor e da lealdade.





      Nota: Neste mês de agosto, mês de férias, vou tentar publicar três vezes por semana (segunda, quarta e sexta), para que assim possam acompanhar as minhas leituras. Fiquem por aí, que eu vou tentar manter este ritmo.

segunda-feira, 23 de julho de 2018

Casamento Efémero de Candace Camp

Opinião: Adoro os romances históricos de época com um pouco de romance (ou muito) e um pouco de sexo. E este não foi exceção.
Casamento Efémero de Candace Camp conta a história de James um nobre que foi condenado pelos médicos de Londres a uma morte certa e rápida devido a uma doença, que não sendo operável, também não é tratável. Como último recurso tenta consultar um médico amigo, descobrindo que este tinha falecido.
Precipitando-se acaba por pedir a filha do referido clínico em casamento, embora as suas relações no passado não tenham sido as mais amistosas. No entanto, Laura acaba por aceitar, pois também ela está com problemas financeiros, após a doença do pai, e sendo uma mulher que não acredita no amor, considera que esta união será um bom acordo para ambas as partes.
As premissas estão lançadas e a narrativa entrelaça a relação entre estas duas personagens e a família de James que habita consigo e que vão fazer parte da vida de Laura. Sucedem-se as discussões, bastante divertidas, os enigmas, que nos fazem sorrir e os equívocos que nos tiram mesmo um esgar.
A acompanhar tudo isto existe um mistério que se desenvolve ao longo das páginas e que é preciso esclarecer para que tudo faça sentido. E, na minha modesta opinião, é aí que o livro falha. A solução é dada, mas de uma força rápida e mesmo atabalhoada. De facto, este elemento é fundamental para que o livro se desenvolva da forma que é feito, sendo que o desenvolvimento é interessante e, mesmo divertido, e depois assistimos a um final, que tendo alguma lógica, acaba por ser demasiado rápido. Como se de repente o escritor reparasse que não tinha mais páginas, e deveria acabar rapidamente a sua história.
De qualquer forma é um livro leve, divertido, mas que acaba por nos deixar um amargo de boca. No entanto o desagrado não é suficiente para nos levar a desistir desta autora. Pelo contrário. Fico a aguardar novas narrativas de Candace Camp, esperando que os seus finais se tornem mais interessantes, valorizando o livro.

Sinopse: James de Vere sabe que não lhe resta muito tempo de vida. Pelo menos é o que lhe dizem os médicos londrinos. Como é um homem pragmático e racional, decide regressar a Grace Hill, o seu lar. Se o médico de lá não o puder ajudar, tratará de pôr a vida em ordem e aguardar o pior…
Porém, ao chegar a casa do médico, James constata que ele acabou de falecer, deixando uma filha na penúria. James e Laura já se conhecem, mas as recordações do passado não são as melhores… Numa inspiração momentânea, James faz-lhe uma proposta arrojada: estará ela disposta a casar com ele? Ele salvá-la-ia da miséria, ela evitaria que a fortuna dele fosse parar às garras da sua família gananciosa. O casamento solucionaria os problemas de ambos…
E, curiosamente, Laura… aceita! É que ela é também uma mulher pragmática, e não tem quaisquer esperanças de vir a encontrar o amor. Mas, à medida que os dois vão enfrentando as desconfianças da família de James, percebem que têm mais em comum do que imaginavam… e dão por si a ansiar que o tempo pare… e que “a morte os separe” num futuro bem longínquo.
Candace Camp tem já uma legião de fãs a nível internacional, e estreia-se agora no nosso país. Casamento Efémero reúne o melhor que o romance histórico tem para oferecer… 


quinta-feira, 7 de junho de 2018

A minha vida (im)perfeita de Sophie Kinsella

     Opinião: Sophie Kinsella é uma autora que já não era publicada há um ano, mas que é sempre agradável de ler. Sendo um romance podemos apenas esperar que tudo acabe bem. E este, A minha vida (im)perfeita, não é exceção.
Katie é uma jovem que tem como sonho trabalhar e viver em Londres. Após conseguir estas duas premissas e apesar de a sua vida real não ser tão glamorosa quanto o seu Instagram, ela não deixa de se sentir otimista, considerando que a vida, finalmente, começa a apresentar um percurso que poderá ser considerado como ascendente.
     Até que é despedida. Aí Katie acaba por regressar a casa, à sua aldeia que tanto se esforçou por deixar, e ajuda o pai e a madrasta com um negócio, onde podem rentabilizar a quinta de família, através de algo semelhante a turismo local. Embora não assuma perante a família que se encontra sem emprego acaba por perceber que arranjar uma ocupação remunerada em Londres está difícil.
     Na capital londrina ficam Demeter a sua odiada antiga chefe e Alex, o amado filho do patrão. Mas esta vida está longe e Katie acaba por se empenhar no novo projeto, sentindo que a vida sonhada estava cada vez mais longe. Embora este novo projeto prove que é competente no seu trabalho a verdade é que não consegue voltar para a cidade grande. Vidas perfeitas? As dos outros.
    Mas o inesperado acontece e o passado nos persegue-a. Demeter acaba por surgir na vida calma e pacata da nossa heroína ao querer desfrutar dos prazeres do campo. E depois dela, eis que Alex também vem invadir esta nova etapa da vida de Katie.
    Está montada a história que Sophie Kinsella nos quer dar. Com personagens credíveis, os nossos colegas, os nossos amigos, que se debatem em ter sucesso profissional e pessoal num mundo cada vez mais agitado e impiedoso, este romance, sendo leve e despretensioso, acaba por abordar temáticas bastante pertinentes, e atuais, num mundo em que se valoriza mais o que parece do que aquilo que na realidade é. No fim, refletimos sobre muitas das nossas ‘certezas’ e da vida ‘glamorosa’ de alguns, que mais não passa do que criações da nossa mente a partir de estereótipos que nos são apresentados todos os dias.
    Narrado na primeira pessoa A minha vida (im)perfeita é uma ótima sugestão da Quinta Essência para este verão que tarda em chegar.

   Sinopse: Katie Brenner vive uma vida de sonho: mora em Londres, tem um emprego fascinante, e o seu feed do Instagram está repleto de imagens super cool. Só que… não passa mesmo de um sonho. A verdade é que o seu apartamento é um cubículo, trabalha como administrativa, e a vida que partilha alegremente nas redes sociais… não é a dela. 
  Mas uma rapariga pode ser otimista em relação ao futuro, não? 
  Não. Pois Katie acabou de ser despedida. E quando dá por ela, está a regressar a casa dos pais, no campo, de rabinho entre as pernas. Quando Demeter, a sua antiga chefe, resolve passar férias junto deles e experimentar o glamour da vida rural, Katie vê nisso uma belíssima oportunidade. Deveria vingar-se? Tentar recuperar o emprego? Ou – talvez – a vida de Demeter não seja tão idílica quanto aparenta, e ambas tenham bem mais em comum do que imaginam… Afinal… que mal tem não ser perfeita? 
Uma divertidíssima e inspiradora reflexão sobre aquilo que aparentamos ser e aquilo que verdadeiramente somos, pela mão de uma das autoras mais queridas dos leitores portugueses…


segunda-feira, 2 de abril de 2018

Barão de Joanna Shupe

     Opinião: As trilogias têm dois problemas do meu ponto de vista. Um é a celeridade com que são editadas e o outro é a variação de qualidade entre os diferentes volumes.
     No que respeita à série Knickerbocker Club de Joanna Shupe o primeiro facto acabou não se apresentar como um problema, visto que os volumes foram editados rapidamente sendo que o terceiro será já editado durante este mês.
   Quando ao segundo aspeto aí já temos um problema. Recordo que gostei muito de Magnata, primeiro volume desta série. Foi mesmo um dos primeiros livros cuja critica publiquei aqui no blog, logo no início da sua existência.
   Mas a verdade é que este segundo volume já não me agradou tanto. Barão conta a história de William Sloane, irmão da jovem protagonista do primeiro volume, moço aristocrata que segue as regras sociais à letra e considera que a ordem e a tradição são para manter. Candidato politico tenta racionalizar todas as suas atitudes e ações, inclusive a escolha de uma noiva. Até conhecer Ava.
    Ava, por seu lado, é uma jovem que usa os seus talentos para se fazer passar por uma médium e assim poder sobreviver e sustentar três irmãos que vivem sobre a sua dependência após a morte dos pais.
   Um romance entre os dois tem tanto de inevitável como de surpreendente tendo em conta a caracterização que é feita. De facto, Sloane não poderia, deveria apaixonar-se por uma mulher como Ava, pois esta não se enquadra nos padrões sociais e morais que ele defende até meio do livro. Nem aqueles que defendeu no primeiro volume. Embora esta mudança de paradigma esteja explicada no livro acho-a pouco realista.
   Para além deste aspeto, o livro é previsível do principio ao fim, algo que não aconteceu no primeiro da série. Nada surpreende o leitor, que acaba por ficar mais agradado com a personagem de Tompkins o responsável pela campanha e acaba por se revelar, ele sim, uma personagem surpreendente, e muito mais do que um gestor de campanha. No final é interessante a autora ter incluído no núcleo politico uma personagem verdadeira para criar mais verosimilhança ao desfecho da história.
    Apesar disto fico a aguardar o terceiro volume, que irei ler com interesse. Reza a história, e a experiência, que os segundos volumes costumam ser os menos interessantes e assim sendo tenho a esperança que irei gostar tanto do volume a publicar como gostei do primeiro. A ver vamos.

    Sinopse: William Sloane, barão dos caminhos de ferro, conseguiu singrar a pulso na sociedade, desafiando todos aqueles que não o julgavam capaz de tal feito - a começar pelo próprio pai.

   Mas tem uma insaciável sede de poder, precisa sempre de mais. Agora, parece sentir o chamamento da vida política, e nada o distrairá do seu objetivo. Nada, talvez, a não ser a encantadora trapaceira Ava Jones…
   Desde sempre que Ava se aproveita da vulnerabilidade dos mais incautos para ganhar a vida e sustentar os irmãos. Apelidando-se de Madam(e) Zolikoff, convence o seu público de que consegue comunicar com o mundo dos espíritos. Mas Will Sloane parece estar prestes a destruir a sua reputação. Se ao menos ela conseguisse seduzir o deslumbrante milionário, ele guardaria o seu segredo, e, quem sabe, pudesse até tirar partido das habilidades dela para a sua campanha… 
    Mas conseguirá ela enfeitiçar o arrogante homem de negócios, ou será que ela própria já foi enfeitiçada?


segunda-feira, 19 de março de 2018

Rapto escaldante de Sandra Brown

     Opinião: Sandra Brown é das escritoras que eu tenho que ler. Seja bom ou assim assim, (ela não tem livros maus) eu tenho de ler.
    Este Rapto escaldante é um livro estranho. Começa com o rapto de Jordie, a personagem principal feminina, por parte de Shaw, a personagem principal masculina, um criminoso, alguém que mata por dinheiro. Aparentemente, o objetivo final do rapto da jovem é a sua morte, pois esta é irmã de Josh um delator, compincha no crime de Panella, que se sente traído por aquele que considerava o seu braço direito.
   Quando comecei a ler o livro, pensei que a história estava de tal forma contada, com tal clareza que corria o risco de ser bastante previsível, embora este estilo de narrativa, linear, evidente e objetiva não se coadunasse com a forma de escrita da autora, nem com os seus livros anteriores.
  Se as primeiras 200 páginas nos parecem, embora com pequenos acontecimentos, mais ou menos previsíveis, a partir do capitulo 26 a história começa a sofrer reviravoltas, sobre reviravoltas sobre o relato que tinha sido construído e que é, agora, permanentemente desconstruído.
    Na verdade, na segunda parte o livro muda completamente, como se fosse um jogo de espelhos onde nada é o que parecia. A construção das personagens, os acontecimentos, a forma como a construção narrativa se processa, cai como se fosse um baralho de cartas, reconstruindo-se de imediato noutra direção.
    E esta desconstrução vai-se fazendo de forma lúcida e surpreendente até ao final do livro. Mas o mais inesperado é que toda esta desconstrução cria um novo enredo muito mais interessante que o anterior. Mais uma vez Sandra Brown ‘engana’ os seus leitores e nós ficamos encantados por termos sido tão magistralmente ‘enganados’
   Um livro que recomendo sem qualquer dúvida, e uma ótima leitura para este ano que se apresenta tão auspicioso no que diz respeito aos thrillers.

  Sinopse: Num bar fumarento e sombrio do Louisiana, o olhar de Shaw Kinnard cruza-se com o da elegante Jordie Bennet. Mas não se trata de amor à primeira vista. Ele está lá para a matar.
   Jordie sente que chegou a sua hora. Mas Shaw tem outros planos, pois sabe que o irmão dela, Josh, deitou indevidamente a mão a 30 milhões de dólares. No último minuto, Shaw poupa a vida de Jordie mas rapta-a. Agora, estão ambos em perigo, pois não são os únicos que procuram Josh e a fortuna roubada.
   Jordie e Shaw precisam um do outro para se manterem vivos – mas confiar é baixar as defesas. E se Shaw emana uma aura de perigo que é quase irresistível, Jordie não lhe fica atrás; é misteriosa e impenetrável, e incapaz de revelar o que sente. À medida que o desejo e a tensão entre ambos aumentam, torna-se evidente que terão de fazer o impensável: confiar um no outro.
   RAPTADA é uma história de encontros, desencontros e enganos… mas quem está a enganar quem?



segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Os sedutores de Elizabeth Adler


     Opinião: O novo livro de Elizabeth Adler não foi aquilo de que estava à espera. Depois do magnifico Cinco Herdeiros este Os sedutores tinha tudo para me prender e, pensava eu seria uma leitura rápida.
Nada mais errado. De início o livro não me prendeu, e só continuei a ler por se tratar de quem se tratava.
    O certo é que até às últimas cinquenta páginas não senti o prazer que costumo ter com os livros da autora.
   A história tem como personagens principais um conjunto de mulheres (Mirabella, Verity, Jerusha) e de homens ( Coronel, Patrão, Chade, Walter Mattews) que se cruzam num presente e num passado, criado como se fosse uma teia e que progressivamente vai servindo de base para o leitor construir a história. Se este cruzamento entre os tempos poderia ser uma mais valia a verdade é que nem assim o livro me entusiasmou. Achei as histórias banais, com descrições excessivas e sem grande originalidade ou interesse.
    No entanto, as cinquenta páginas finais, transformam o livro num policial negro, roçando o terror, o que cria algum interesse, mas acaba por faltar ao prometido. Ou seja, o aspecto mais interessante do livro não é suficientemente desenvolvido, ou explorado, o que cria um vazio em relação às expectativas do leitor.
    O final é o habitual deste género de livros. Os bons têm a recompensa, descobrem o amor (embora num dos casais não se perceba como descobriram a existência de uma atração que era ténue ao longo do romance), e os maus são castigados, (embora neste caso, não se perceba bem qual o final da personagem). Este fim é deixado em aberto de uma forma, na minha opinião, pouco interessante.
      Sendo Elizabeth Adler uma autora que me entusiasma e da qual tenho todos os livros traduzidos, lamento que desta vez, e pela primeira vez, tenha chegado ao fim de um livro dela e tenha suspirado, não de prazer, como habitualmente, mas sim de alivio, pensando já no livro que iria ler a seguir.
     Espero sinceramente que me entusiasme mais. Mas, de qualquer forma, fico à espera de mais livros desta autora.


    Sinopse: A morte repentina de Jolly, tia de Mirabella Matthews, surge como uma grande tragédia para a escritora. Mas traz também um novo começo, pois Mirabella passa a ser a proprietária de uma luxuosa mansão no Sul de França. Mas a herdeira rapidamente vai perceber que a fortuna traz consigo inesperados mistérios… e incontáveis perigos.
     A caminho da Villa Romantica acontece um estranho incidente que por pouco não lhe tira a vida. E será o primeiro de vários… Aparentemente, Jolly era uma mulher mais complicada do que Mirabella pensava. Os homens do seu passado regressam agora com planos pouco ou nada claros. Num lugar onde tudo é belo, onde paira no ar o aroma a lavanda, pairam também segredos e perigo. Em quem pode Mirabella confiar? Quem é o homem que usa a máscara de um sedutor para ocultar a face de um assassino?
     Com o detalhe e a mestria de que só Elizabeth Adler é capaz, o seu mais recente thriller vai prender o leitor da primeira à última página…



segunda-feira, 29 de janeiro de 2018

Traição de Aleatha Romig

   Opinião: Traição de Aleatha Romig é o primeiro volume da série Infidelidades, que eu espero continue a ser publicado pela Quinta Essência.
       Mais uma vez temos uma história entre um passado recente (6 semanas) e um presente que nos apresenta a personagem principal Alenxandria, ou Alex ou Charli, dependendo da situação e do momento. Alexandria foi criada por uma família abastada, da alta sociedade, bastante tradicional e tenta libertar-se das amarras que lhe querem ser impostas.
    Lennox, ou Nox, é a personagem masculina que se cruza com a jovem herdeira, mas que, ao longo do livro, se mandem rodeado de uma áurea de mistério e algum secretismo.
     O encontro entre ambos é-nos descrito com subtileza e encanto o que faz daqueles dias uma espécie de sonho, não só para as personagens, mas também para o leitor. Este é o aspeto ligado à sensualidade e ao erotismo da história, que diga-se, é de muito bom gosto. Mesmo para quem não é fã deste tipo de livros, posso afirmar que é muito mais sensual do que erótico, e muito bem escrito, sem qualquer melindre ou provocação. A relação entre os dois é intensa, mas ao mesmo tempo carinhosa.
    Ao mesmo tempo vamos sabendo a relação que a jovem Alex tem com a mãe, o padrasto, o resto da família, incluindo um antigo namorado. Nestes capítulos acabamos por entender muito do comportamento que Alex apresenta face a Nox e à própria vida. Alex tenta viver a vida segundo as regras do seu tempo, quando a querem manter ligada a padrões que já estão completamente ultrapassados. De referir, que não gostei da mãe, pois considero que a personagem se deixa manipular pelo meio onde vive e pelo marido que a sustenta, em detrimento do apoio que devia dar à filha.
     Os últimos capítulos são, de facto, os que nos fazem perceber porque razão a série se chama Infidelidades, e acaba por servir como se de um novo início se tratasse. Ou seja, este livro da série serviu apenas para apresentar as personagens, o seu passado e os acontecimentos que os levaram àquela situação. A verdadeira história será algo que estará presente nos cinco volumes que faltam publicar. 

    Sinopse: Prometeram viver uma semana de paixão. Apenas isso...

    Alexandria Collins tem uma semana para viver os seus sonhos. Nascida numa família tradicional, está habituada ao privilégio mas também às amarras que a alta-sociedade impõe aos seus. É por isso que uma semana de férias com a sua melhor amiga é a oportunidade perfeita para ignorar as convenções. Uma tarefa que não é fácil para uma pessoa tão recatada como ela. Então... por que não imaginar que é outra pessoa? 

  Durante essa semana, Alexandria decide transformar-se na aventureira e destemida Alex. Mas ao conhecer o misterioso e sedutor Lennox, acontece o impensável. Quando ele lhe pergunta o nome, ela não diz ser Alexandria ou mesmo Alex. Na presença de Lennox, ela dá por si a ser mais do que aventureira, mais do que destemida: ela é insaciável. E quando lhe diz chamar-se Charli... aquela que seria uma escapadela entre amigas passa a ser uma semana de tórridos prazeres. 

  Lennox Demetri não é homem de hesitações. Deseja Charli assim que a vê. Juntos, fazem um pacto: nada de nomes, nada de compromissos. Uma semana apenas, e nada mais. Charli vai dar-lhe a conhecer cada centímetro do seu corpo... mas o resto guardará para si. 
   Só que as decisões tomadas a coberto da noite ficam sempre expostas com o raiar do dia... e é ao regressar ao lar da família que Alexandria perceberá o verdadeiro significado da palavra traição. 


quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

Jogos Cruéis de Angela Marsons

 
     Opinião: Jogos Cruéis é o segundo livro publicado em Portugal da Angela Marsons. Neste volume continuamos a acompanhar a inspetora detetive Kim Stone, na resolução dos seus crimes.
    Enquanto esta jovem tenta desvendar mais um caso policial, que se vai interlaçar num outro, também seu passado se vai desvendando com maior pormenor ao longo da história.
    Neste livro Kim tem de enfrentar um caso de violação que se interliga com um outro de abuso de menores, tema bastante delicado para esta policia. No entanto ela, como sempre tenta manter a distância, a frieza e o seu profissionalismo acima de tudo. Só que desta vez o seu verdadeiro adversário é alguém, que para além de ser bastante inteligente, bastante respeitado pela sociedade, acaba por se revelar como um verdadeiro sociopata.
    O perigoso é que esta personagem sabe tanto ou mais sobre o passado de Kim do que o leitor e acaba por jogar com esse conhecimento contra a detetive, de tal forma que, há alturas, em que tememos pela saúde mental da jovem.
   Sendo um jogo psicológico a história tem um desenvolvimento bastante interessante e o leitor é levado para dentro dos pensamentos das personagens principais o que lhe proporciona um conhecimento amplo e bastante profundo.    Assim, estamos sempre um passo à frente de qualquer uma das personagens, pois conhecemos as suas certezas, as suas vontades e quais são as suas próximas ações.
    Na verdade, trata-se de um livro onde a análise psicológica é muito profunda, densa e em determinadas passagens muito intensa. Acabamos por aprender um pouco mais sobre doenças mentais e a complexidade de análises que a nossa cabeça constrói, para justificar algumas ações. Não tendo conhecimentos de psicologia para saber se são verdade as justificações apresentadas, para um leigo, todas elas são bastante plausíveis e acredito que Angela Marsons fez a investigação necessária para que o livro se apresente assim, coerente e objetivo, no que a este aspeto diz respeito
   Quanto à personagem principal acaba por sair mais forte, mais humana e justifica algumas das atitudes apresentadas no primeiro livro e no início deste. Adoro esta forma de construir personagens, pois em cada livro sabemos mais um pouco da história o que faz com que não hajam repetições ao mesmo tempo que se mantem a nossa vontade de ler intacta.

   Agora venha o terceiro!



   Sinopse:A inspetora detetive Kim Stone está de volta. Em causa está a morte macabra de um violador. À primeira vista, não é um caso complicado, pois tudo aponta para a vítima da violação. Mas, para a incansável detetive, há algo que não bate certo... 
   A sua intuição rapidamente prova estar certa.  Por detrás de todas elas, um só motivo: vingança. Kim tem pela frente um adversário admirável. Alguém que está a realizar fantasias letais. Um sociopata que parece conhecer intimamente as fraquezas da detetive. E que não planeia parar.
   Kim percebe que se deixou enredar num perigoso jogo do rato e do gato... e que terá de descer ao inferno para solucionar este caso. E desta vez… é pessoal. 
   Angela Marsons, a estrela em ascensão do policial britânico, regressa com um romance que o vai fazer desconfiar de tudo e de todos…


segunda-feira, 4 de dezembro de 2017

Chá e corações partidos de Trisha Ashley

     Opinião: Trisha Ashley não sendo uma das minhas autoras de eleição acaba por ser uma daquelas autoras que mais cedo ou mais tarde acabo por ler os seus livros. Costumam ser histórias mais ou menos leves, próprias para esta época. (as capas em si mesmas e os títulos indiciam esta época natalícia).
Mas a verdade é que este Chá e corações partidos me prendeu a atenção desde o início. Não se trata, de todo, de uma história de encantar, embora tenha um final feliz. É um livro de descoberta de si mesmo e das suas raízes, depois de ter feito um percurso que levou a personagem principal, Alice Rose, até ao seu destino.
     Alice foi abandonada logo após o seu nascimento e adotada por um casal onde sobressai a figura paterna, em detrimento da figura materna que nunca demostra um sentimento de amor, ou mesmo de empatia. A morte súbita do pai leva-a a abandonar o seu lar e a tentar refazer a sua vida noutros locais. Mas a verdade é que mais uma vez o sentimento de perca assola a vida da jovem e, nesse momento, ela resolve ir à procura das suas raízes e da sua mãe.
     Assim vai para Haworth onde consegue realizar o sonho de abrir um salão de chá, ao mesmo tempo que consegue editora para publicar as suas histórias, histórias de encantar de terror. E aí tudo começa de verdade.
    O livro é bastante interessante pois está escrito a duas vozes. Ou seja, os capítulos que nos dão a história atual de Alice estão escritos na primeira pessoa, e entre esses mesmos capítulos temos pequenos apontamentos sobre a vida de quem abandonou Alice, desde o momento do seu nascimento. Temos, pois, a compreensão do que se passou e a análise da atualidade pelas duas personagens envolvidas.
    O final, não deixando de ser previsível, acaba por ser surpreendente para o leitor. Eu gosto muito de livros cuja construção nos leva a criar certezas que depois se desmoronam numa ou duas páginas, e nos levam a pensar que a solução do autor era evidente e não poderia ser de outra forma, que estava mesmo à vista, o problema é que olhámos para o lado e aí nos centrámos.
    Por tudo isto, e ainda o que o livro contém, a nível dos sentimentos e da reflexão sobre os mesmos no que respeita às diversas personagens (de notar que existem aspetos colaterais às personagens principais bastante interessantes) posso afirmar que considero este, o melhor livro da Trisha Ashley. 

    Sinopse: Alice Rose foi abandonada na agreste charneca do Yorkshire quando era ainda bebé. Os anos que se seguiram não foram muito melhores, pois, apesar de ter sido adotada por um padrasto carinhoso, a madrasta sempre nutriu por ela um sentimento de raiva. Já em adulta, a tragédia volta a assolar a sua vida...

    Sozinha no mundo, Alice decide regressar a Haworth, a terra da sua infância.      Ocupa um pequeno estabelecimento, acalentando o sonho de finalmente assentar e abrir um salão de chá. Mas a vida parece ser sempre uma provação, e o arranque é tudo menos tranquilo... Felizmente tem a escrita (para a confortar) e um vizinho grego, o belo Niles (para a distrair). Mas com tanto a seu desfavor, conseguirá algum dia ser verdadeiramente feliz?
    Trisha Ashley brinda-nos com uma obra repleta de ternura sobre a conquista dos nossos sonhos, a importância de criar raízes, e, claro, o poder transformador do amor.


quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Memórias de uma cortesã de Wray Delaney

     Opinião: Na brilhante capa de Memórias de uma cortesão de Wray Delaney está escrito, e cito: “ Um conto de fadas erótico para adultos”. E é mesmo.
    O livro, embora de 2016, parece um clássico inglês do século XVIII onde se juntam as festas, o poder dos homens nobres, o declínio dos jogadores e a exploração das mulheres pelas figuras masculinas.
   Tully é uma jovem fogosa ignorada pelo pai e que acaba, por força dos acontecimentos, por se tornar meretriz. Ela para além de ser uma mulher lindíssima, sem complexos é também uma jovem e boa alma, que acaba por se mostrar generosa e bem formada. Para além disso tem poderes que a ajudarão em circunstancia nefastas.
   Quando o livro começa Tully está pressa arriscando-se a ir parar à forca. Com esta realidade resolve escrever a sua história de vida e é este flashback que serve de construção literária para a história. Trata-se, pois, de um livro muito bem escrito, em que nos sentimos levados pela descrição da cidade de Londres da época e pelos acontecimentos.
   A construção do espaço é outro aspeto importante e muito bem feito. Os diferentes espaços interiores ou exteriores estão muito bem narrados, sendo esta exposição de uma pertinência absoluta. Vamos da cela da prisão para os espaços amplos e glamorosos do bordel de Queenie, das tabernas para os teatros, sendo sempre correta a apresentação dos lugares ou das próprias personagens ou mesmo no que se refere ao guarda-roupa.
    Não querendo desvendar os mistérios e as aventuras vividas pela jovem cortesã, não posso deixar de referir que o erótico está muito bem tratado e narrado no livro. Não é ofensivo, nem obsceno. Pelo contrário o assunto é tratado com delicadeza e bom gosto. Surge quando deve e, na maior parte das vezes, acaba por ser uma relação amorosa, mais do que um negócio.
   Deixem-me terminar referindo que num momento em que tanto se fala do papel da mulher na sociedade e de violência sobre as mulheres este é um livro que enaltece a figura feminina, as suas competências e o papel que lhe seria devido na sociedade.
     Um livro que aconselho sem dúvida alguma. 

    Sinopse: A jovem Tully chegou a ser a mulher mais desejada de Londres. Agora, todos disputam os melhores lugares para assistir à sua execução. Ela sabe que tem apenas uma hipótese de escapar à forca. Para tal, tem de conseguir contar a história da sua vida à única pessoa capaz de a salvar.
    Nas catacumbas da prisão de Newgate, Tully aguarda... E escreve com a emoção de quem luta pela vida. Casada à força aos doze anos para saldar as dívidas de um pai alcoólico, consegue escapar apenas para ser despachada para o bordel mais sumptuoso da cidade, onde descobre a sua vocação como cortesã. Tully Truegood é órfã, cortesã e aprendiza de um feiticeiro. Será também assassina?
    Pleno de erotismo e realismo mágico, Memórias de uma Cortesã é uma magnífica viagem ao submundo londrino do século XVIII.



quinta-feira, 19 de outubro de 2017

Gritos silenciosos de Angela Marsons

     Opinião: O livro Gritos silenciosos estava na minha estante desde o ano passado. Na verdade, estava esquecido. No entanto, a publicação da segunda aventura da detetive Kim Stone, fez-me ir buscá-lo para assim poder ler os livros pela ordem correta.
     E em boa hora o fiz, pois, esta primeira obra de Angela Marsons acaba por nos dar indicações sobra o passado pessoal de Kim, que não sei se serão retomados no segundo livro, Jogos cruéis, mas que acabam por completar a história deste primeiro volume.
     Kim tem que investigar, com a sua equipa, um conjunto de assassinatos cometidos no passado, mas que acabam por levar à morte, no presente, possíveis testemunhas. Os crimes do passado passaram-se no terreno de um antigo orfanato, que acabou por ser desativado após um incêndio. Quanto ao presente Stone percebe que sempre que se aproxima de alguém que trabalhou no orfanato, e que poderá ajudar a descobrir o assassino, este aparece morto.
Trata-se, pois, de uma história baseada num acontecimento passado com projeções no presente. As mortes são feitas de uma forma bastante violenta, o que acaba por adensar a trama, a tensão, levando o leitor a continuar a sua leitura, para poder saber quem praticou atos tão impiedosos.
     A construção da inspetora-detetive acaba por não ser surpreendente, visto que ela tem, como começa a ser comum, os seus próprios fantasmas, que acentuam de forma marcante a sua personalidade e condicionam o seu trabalho. Apesar de tudo não deixa de ser uma construção forte, em que Kim surge como alguém cujo passado é responsável por muitas das suas atitudes no presente, não só perante os acontecimentos, mas também perante as chefias e os seus colegas de trabalho e mesmo a sua inexistente vida pessoal.
    A narrativa está bem construída, não havendo momentos mortos, sendo a coerência e a surpresa uma força constante. De realçar o final, pois a autora consegue construir uma sequência de acontecimentos que acabam por ser surpreendentes. E mesmo quando tudo parece resolvido, enquadrado e coeso, Angela Marsons surpreende-nos com uma reviravolta que enriquece o livro e a sua construção narrativa. Na verdade, e tal como é referido na badana, que como sempre li posteriormente, lembra a construção narrativa de Val McDermid no que respeita à tensão que é mantida até à última página. 
     Agora é ler Jogos cruéis e ver se a capacidade discursiva e a qualidade da descrição dos acontecimentos continuam a manter o interesse e levar-nos a ler os livros onde Kim Stone é a protagonista. 

     Sinopse: Cinco pessoas reúnem-se em volta de uma campa rasa. Todos se tinham revezado a cavar. Uma cova para um adulto teria levado mais tempo. Uma vida inocente fora tirada, mas o pacto fora feito. Os segredos deles seriam enterrados, ligados no sangue...Anos mais tarde, uma mulher é encontrada brutalmente estrangulada, o primeiro de uma série de assassínios que choca a região inglesa conhecida como Black Country.Mas quando são descobertos restos humanos num antigo orfanato, são também desenterrados segredos perturbadores. A inspetora detective, Kim Stone percebe rapidamente que procura um indivíduo cruel cujos homicídios se estendem por décadas.Uma vez que as mortes continuam, Kim tem de parar o assassino antes que ele ataque de novo. Mas, para o capturar, será Kim capaz de enfrentar os demónios do seu passado antes que seja demasiado tarde? Os fãs de Rachel Abbott, Val McDermid e Mark Billingham irão ser agarrados por esta excecional nova voz na ficção criminal britânica. 




segunda-feira, 9 de outubro de 2017

A mulher do juiz de Ann O'Loughlin

    Opinião:  Ann O’Loughlin é uma escritora que a Asa apresenta com este livro A mulher do juiz. Sabendo que o livro estava proposto para o prémio Romantic Novelists’ Association Awards deste ano na categoria de romance épico achei que tinha de o ler. E ainda bem que o fiz.
    O livro conta a história de Grace, mulher do juiz, cuja vida acaba por se desenrolar de forma trágica devido à intervenção de uma tia maléfica, que a tinha criado, após a morte dos pais. Contado a partir de três locais diferentes e dois tempos distintos, o romance vai-nos dando em simultâneo a história do passado de Grace, do presente de Emma (sua filha) e do presente de Vikram, o médico indiano por quem Grace se terá apaixonado, no passado.
     O livro começa na atualidade com Emma que acaba de perder o seu pai, o juiz. Emma está de regressar à casa de família, de onde se tinha ausentado para casar e para se libertar da opressão aí vivida. Neste momento, a jovem vai, ao tomar posse da casa de família, descobrir segredos que a vão levar ao passado de sua mãe, para ela, morta a quando do seu nascimento.
Se o ponto de partida é quase corriqueiro a forma como a autora dá voltas e reviravoltas à história, faz-nos ficar presos a ela sem queremos parar a leitura para, assim, sabermos o que realmente se passou.
     No que respeita às personagens a sua construção e descrição está muitíssimo bem-feita. Havendo personagens de Dublin e indianas as diferenças culturais são visíveis através da forma como elas interagem e da forma como analisam as situações, que, em muitos instantes, são as mesmas. Os espaços sociais também estão bastante bem-apresentados e passando-se em tempos diferentes (1954, 1960, 1984), também as alterações sociais ficam bem patentes, inclusive no comportamento das personagens, que evoluíram ao longo do tempo.
     Quanto a mim o livro só peca no final. Embora tenha alguns aspetos surpreendentes, apesar de que na essência é previsível, torna-se algo confuso, pois é tudo decido de forma muito rápida, o que não era necessário num livro que não é muito grande (299 páginas). De qualquer forma é um livro muito bom de ler e daqueles cuja autora irei seguir em próxima publicações. 



     Sinopse: Recém-chegada a Dublin após a morte do pai, um juiz duro e distante que nunca a acarinhou, Emma tem agora pela frente a tarefa de organizar os seus pertences e encerrar esse capítulo da sua vida. Está longe de imaginar que, entre livros e documentos poeirentos, vai encontrar o diário de Grace, a mãe que nunca conheceu. Ávida por informações sobre a mulher cuja ausência a marcou desde a infância, Emma vai juntando as peças da sua vida secreta: um amor proibido com um médico indiano; um terrível escândalo, abafado com a conivência de uma tia-avó; diversas vidas destroçadas por uma simples assinatura num papel... A pouco e pouco, a jovem descobre uma história que abarca várias décadas e continentes, desenterra segredos e - com alguma sorte - poderá ainda alterar o rumo da sua própria vida.


domingo, 27 de agosto de 2017

Os cinco herdeiros de Elizabeth Adler

     Opinião: Elizabeth Adler é uma autora que descobri há uns anos e nunca mais deixei de ler os seus livros. Por isso, quando apareceu Os cinco herdeiros nem as 648 páginas conseguiram assustar-me.
     Mas este é um livro diferente. Na verdade, fiquei com a sensação que o estilo da Adler se tinha alterado. Se me tivessem apresentado a obra sem saber o autor mais facilmente teria dito que se tratava de um livro da Lesley Pearce, ou mesmo da Sveva. Nada contra. Só elogios.
     Este livro conta a história da vida de Poppy, desde antes desta nascer até à sua morte. Em capítulos intercalados temos a procura dos seus herdeiros, sendo cinco os candidatos possíveis, e a sua história de vida. O advogado responsável pelo testamento tem, ainda, a ajuda de um jornalista/ escritor que acaba por se envolver na construção do passado da velha senhora, e no presente dos supostos herdeiro.
     E durante as imensas páginas que constituem o livro, a autora dá-nos a imagem de mais ou menos um século, entre os anos 60 do século XIX até à mesma década do século XX, começando na Califórnia e nos seus primeiros habitantes, passando pela Itália e a afirmação das Famílias da máfia, até à boémia de Paris, incluindo os tempos mais negros da primeira guerra mundial. Paralelamente temos um tempo presente, muito próximo do nosso, onde se vão construindo os cenários para o herdeiro ou herdeiros.
   As personagens, quer as do passado, quer as do presente, estão brilhantemente construídas, criando uma imagem credível, mesmo nas menos simpáticas, em que as suas ações e atitudes, muitas vezes não são previsíveis. O certo é que as teias que são tecidas acabam por se encontrar num fio condutor que desagua numa história interessante e fiável. Aquelas pessoas são figuras sociais que sabemos que existiram, ou existem, e que foram em muitos casos condicionadas pelas suas vivências e pelas atitudes morais que eram, ou são, espectáveis em determinados meios ou grupos.
     Quanto aos espaços e às referências históricas nada é deixado ao acaso, sendo a descrição feita de acordo com as épocas ou com os acontecimentos que contextualizam as vidas das personagens. A leitura é fluida e atraente, não sendo nunca massuda ou aborrecida. Embora seja um livro com muitas páginas, nenhuma poderia ser tirada e não é, de todo, um impedimento para a motivação de continuar com a leitura.
     Trata-se, pois, de um livro muito bom, muito interessante, que não sendo o típico da autora, não defrauda as expectativas de quem é sua leitora habitual. Pelo contrário. Na minha opinião este é, sem margem para duvidas, um dos livros mais interessantes de Elizabth Adler, senão mesmo o mais interessante. Esperemos pois pelo próximo. 

Sinopse: MUITO DINHEIRO. Poppy Mallory cresceu em circunstâncias infelizes, e sempre rodeada de pessoas duvidosas. Foi à custa de muito sofrimento que conseguiu singrar na vida. Na hora da morte, pretendia apenas uma coisa: deixar a sua fortuna – de milhões de dólares – à pessoa que conseguisse provar ser sua descendente. Há muitas mentiras.Quando o jornalista de investigação Mike Preston se propõe descobrir a verdadeira identidade do herdeiro, percebe que tem pela frente uma tarefa tremenda. É que, da Califórnia a Veneza e Paris, a vida de Poppy aparenta ser uma sucessão de desencontros e amores perdidos. Há muitas esperanças.São cinco as pessoas que se apresentam como legítimas herdeiras de Poppy, todas elas desesperadas por deitar a mão à vasta fortuna... e todas elas capazes de TUDO para o conseguir.


domingo, 13 de agosto de 2017

A filha do Vigário

     Opinião:Depois de ter lido algumas opiniões menos favoráveis, foi com algum receio que comecei a ler A filha do vigário de Cheryl Holt. Fi-lo, pois, trata-se de uma autora de que gosto muito e estava a apetecer-me ler um erótico.
      A verdade é que não é, de todo, o melhor livro dela. Existem dois ou três capítulos, após um início auspicioso, em que parece que a história se arrasta, mas depois acaba por avançar e a partir daí a leitura é compulsiva.
      Emma Fitzgerald é a jovem filha do vigário, cuja vida sofreu um revés após a morte do pai. Vivendo num casebre miserável, com a mãe e uma irmã mais nova, tenta convencer o rico e ilustre visconde de Wakefield, John Clayton, a não despejar os trabalhadores deste último, das casas onde estes tinham vivido toda a sua vida, apesar de agora já não conseguirem trabalhar para aumentar o lucro do senhor. E pronto. A atração é total e sem fuga possível.  Assim começa a cedência dele aos pedidos sociais dela, e a dela aos pedidos amorosos dele o que acaba por condicionar o desenvolvimento da história.
       A isto junta-se uma noiva abandonada, uma amante traída e um irmão ilegítimo com princípios morais superiores, em alguns aspetos, aos do visconde. A jovem e o visconde acabam por ter uma forte ligação sem, no entanto, nunca esquecerem as suas obrigações, quer face à posição social do rapaz, quer face à família da jovem Emma.
    As personagens mais interessantes acabam por ser os dois protagonistas, onde a dimensão psicológica é tão ou mais interessante do que a interação física. Penso, no entanto, que a autora poderia ter desenvolvido mais as personagens secundárias, como a noiva de John e o seu irmão bastardo, bem como as suas histórias, o que, na minha opinião, ficaram sem o desenvolvimento adequado o que faz com que não se compreenda o que lhes aconteceu.
       O mais interessante do livro são as cenas em que Emma e John conversam, sobre a aldeia onde se encontram e o modo de vida de quem lá mora, e as discussões onde esta o critica sem qualquer pudor. Este à vontade causa surpresa na personagem masculina habituado a ser obedecido sem que as suas ordens sofram comentários ou argumentos depreciativos ou mesmo que sejam desobedecidas.
     Quanto ao erotismo compreendo o aviso que aparece na contracapa pois as descrições das relações amorosas são bastante realistas o que pode ferir alguns leitores menos prevenidos. No entanto para quem está habituado ao erótico contemporâneo, não deixa de ser igual a muitos outros.

      É, pois, um livro do perfeitamente previsível, e cuja leitura perde por isso mesmo. No entanto, e para quem gosta deste género de livro, pode ser uma leitura fácil e agradável para umas férias de verão. Mas atenção, há melhor, bastante melhor, publicado  inclusive da própria autora.


Sinopse: Wakefield, a jovem Emma Fitzgerald vai preparada para dar luta. Pretende exigir dele um tratamento mais justo, um pouco de compaixão e decência para com os seus trabalhadores. Não contava deparar-se com ele em atos menos próprios (despido, até) com a sua amante londrina. E, embora o sangue lhe ferva nas veias, a jovem não deixa de experimentar um momentâneo e delicioso arrepio...
     O visconde não está habituado a ser repreendido. Muito menos por mulheres tão belas como Emma, pois essas costumam sucumbir rapidamente ao charme dele. E, quando o seu plano retorcido de a pôr a correr dali se vira contra ele, mais chocado fica. Agora, John está determinado a iniciar a jovem filha do vigário na arte do prazer… Ou será ela a iniciá-lo a ele na arte do amor…?



segunda-feira, 10 de julho de 2017

Voltando a uma autora

Há anos que não lia nada da Jayne Ann Krentz. Acho que o livro editado antes deste é de 2004. Bom a verdade é que gosto bastante dos livros dela. Este não é exceção. As duas personagens principais são bastante fortes e ambas têm um passado que lhes condiciona o futuro. Se os traumas de Madeline são evidentes e claros, os de Jack vão-se adensando ao longo da narrativa e somos apanhados de surpresa sempre que ele esclarece algum aspeto. A narrativa está de tal forma bem construída que acabamos por criar cenários que, pelo menos os que eu imaginei, acabam por se provar errados.
Paralelamente a estas duas personagens outras duas que inicialmente poderíamos considerar secundárias, acabam por ter uma densidade psicológica e um papel na história que lhes dão algum protagonismo.
Do lado dos maus, e isto é um policial, como vem na capa, as personagens e as suas interligações estão magistralmente tecidas de tal forma que, o assassino acaba sempre por ser outro, e não aquele que somo levados a pensar.
No entanto e para quem gosta de romance tem romance q.b.
Um final brilhante e surpreendente que nos dá um duplo sentido ao título.
Espero apenas que a Quinta Essência continue a publicar Jayne Ann Krentz para nosso regalo.