Opinião: Sophie
Kinsella é uma autora que já não era publicada há um ano, mas que é sempre
agradável de ler. Sendo um romance podemos apenas esperar que tudo acabe bem. E
este, A minha vida (im)perfeita, não
é exceção.
Katie
é uma jovem que tem como sonho trabalhar e viver em Londres. Após conseguir
estas duas premissas e apesar de a sua vida real não ser tão glamorosa quanto o
seu Instagram, ela não deixa de se sentir otimista, considerando que a vida,
finalmente, começa a apresentar um percurso que poderá ser considerado como ascendente.
Até
que é despedida. Aí Katie acaba por regressar a casa, à sua aldeia que tanto se
esforçou por deixar, e ajuda o pai e a madrasta com um negócio, onde podem rentabilizar
a quinta de família, através de algo semelhante a turismo local. Embora não
assuma perante a família que se encontra sem emprego acaba por perceber que
arranjar uma ocupação remunerada em Londres está difícil.
Na
capital londrina ficam Demeter a sua odiada antiga chefe e Alex, o amado filho
do patrão. Mas esta vida está longe e Katie acaba por se empenhar no novo
projeto, sentindo que a vida sonhada estava cada vez mais longe. Embora este
novo projeto prove que é competente no seu trabalho a verdade é que não
consegue voltar para a cidade grande. Vidas perfeitas? As dos outros.
Mas
o inesperado acontece e o passado nos persegue-a. Demeter acaba por surgir na
vida calma e pacata da nossa heroína ao querer desfrutar dos prazeres do campo.
E depois dela, eis que Alex também vem invadir esta nova etapa da vida de
Katie.
Está
montada a história que Sophie Kinsella nos quer dar. Com personagens credíveis,
os nossos colegas, os nossos amigos, que se debatem em ter sucesso profissional
e pessoal num mundo cada vez mais agitado e impiedoso, este romance, sendo leve
e despretensioso, acaba por abordar temáticas bastante pertinentes, e atuais, num
mundo em que se valoriza mais o que parece do que aquilo que na realidade é. No
fim, refletimos sobre muitas das nossas ‘certezas’ e da vida ‘glamorosa’ de
alguns, que mais não passa do que criações da nossa mente a partir de
estereótipos que nos são apresentados todos os dias.
Narrado
na primeira pessoa A minha vida
(im)perfeita é uma ótima sugestão da Quinta Essência para este verão que
tarda em chegar.
Sinopse: Katie Brenner vive uma vida de sonho: mora em Londres, tem um emprego fascinante, e o seu feed do Instagram está repleto de imagens super cool. Só que… não passa mesmo de um sonho. A verdade é que o seu apartamento é um cubículo, trabalha como administrativa, e a vida que partilha alegremente nas redes sociais… não é a dela.
Mas uma rapariga pode ser otimista em relação ao futuro, não?
Não. Pois Katie acabou de ser despedida. E quando dá por ela, está a regressar a casa dos pais, no campo, de rabinho entre as pernas. Quando Demeter, a sua antiga chefe, resolve passar férias junto deles e experimentar o glamour da vida rural, Katie vê nisso uma belíssima oportunidade. Deveria vingar-se? Tentar recuperar o emprego? Ou – talvez – a vida de Demeter não seja tão idílica quanto aparenta, e ambas tenham bem mais em comum do que imaginam… Afinal… que mal tem não ser perfeita?
Uma divertidíssima e inspiradora reflexão sobre aquilo que aparentamos ser e aquilo que verdadeiramente somos, pela mão de uma das autoras mais queridas dos leitores portugueses…
