Opinião: Assim
que acabei o livro Maestra comecei Domina. O novo livro de L.S.Hilton era
a continuação de uma história que eu queria acompanhar.
Erro
crasso. Já leio há anos suficientes para saber que quando se gostou bastante do
primeiro, não se deve ler o segundo de seguida, pois as espectativas podem
ficar defraudadas. E na verdade foi o que me aconteceu, embora pense que, para
quem leu o primeiro livro há um ano, este vai ser um bom reencontro.
O livro
continua a história de Judith, agora Elisabeth, e da sua vontade de vencer num
mundo que nem sempre, ou quase nunca, é o mais normal e o mais correto a nível
moral. Logo no prólogo a personagem principal continua a matar quem se mete no
seu caminho e quem tem a pretensão de tentar pôr em causa os seus desejos.
Assim, e independentemente do nome que adota, continua a ser uma anti heroína
servindo-se dos outros para alcançar os seus fins, não olhando a meios, para
conseguir o que pretende.
Sendo uma
personagem forte, inteligente, tentando interpretar os factos que desconhece,
Judith manipula tudo e todos os que com ela se cruzam, mesmo nas situações que
lhe são menos favoráveis. No entanto, no final do livro constatamos as
fragilidades que ela apresenta e percebemos mesmo que nem sempre os seus
raciocínios e as suas efabulações são as corretas. Mas esta mulher não desiste
e luta, até ao fim, para conseguir o que quer que a vida lhe dê. É também neste
livro que a autora nos mostra o que aconteceu no passado da personagem, que a
tornou tão fria e calculista. Mesmo apresentando um comportamento tão desadequado,
Judith não merecia o trauma porque teve de passar, nenhuma criança de 12 anos o
merece. No entanto isso não lhe dá o direito de ser a manipuladora fria e
insensível que é, nem justifica as suas atitudes.
A
escrita continua cinematográfica e coerente, embora o ritmo acabe por não
apresentar diferenças em relação ao primeiro volume, que estando fresco na
memória, faz com que este se torne previsível. Também neste livro a autora
continua a dar-nos descrições de locais maravilhosos e luxuosos, onde a
imaginação nos leva de bom grado, secundarizada pelas joias e o guarda roupa de
alta costura. Neste livro a arte, nomeadamente a arte pictórica, é uma
personagem importante e aprendemos bastante sobre pintores, fundamentalmente
sobre Caravaggio, pintor importante do final do século XVI, início do século
XVII. O que surge menos neste livro são as descrições realistas das suas
aventuras amorosas. No que respeita ao erotismo é um livro muito mais leve.
Este
não é o volume final. A saga desta mulher continuará num outro livro. A forma
como termina é de tal forma surpreendente que apenas espero não ter de aguardar
um ano para saber qual o final de Judith. Para ser franca acho que o próximo
livro dará, certamente, uma reviravolta em relação à forma como este termina,
pois, uma personagem forte e empenhada na construção do seu destino, mestre na
arte de se reinventar, e que domina o seu destino de uma maneira quase mágica,
não merece um final como o que este volume sugere. Seria mesmo bastante
inverosímil. E mais não digo.
Sinopse: Ela pensava que os seus problemas tinham chegado ao fim. Mas estão apenas a começar... Judith Rashleigh conseguiu. Tem uma vida de luxo por entre o esplendor da cidade de Veneza, e começa agora a sentir-se confortável na sua nova pele. Mas um dia é traída pelo passado. Alguém que sabe o que Judith fez quer acertar contas com ela. Vítima de chantagem, ela terá agora de descobrir o paradeiro de um quadro de valor incalculável - que talvez nem exista de verdade... Desta vez, Judith não controla a situação. Sentindo-se desorientada e sem saídas, desarmada e fragilizada, tem de enfrentar um inimigo mais poderoso e impiedoso do que ela alguma vez poderia imaginar. E se não conseguir sair desta situação, Judith poderá morrer.
