A
autora é brasileira e reside em Macau onde exerceu (exerce) medicina. É curioso
verificar a quantidade de médicos que são simultaneamente escritores, quase
como se precisassem de exorcizar os fantasmas e demónios com que a profissão os
‘obriga’ a conviver.
E
a escrita desta poetisa é mesmo isso. Sente-se que se trata de uma poesia vinda
de dentro, sentida, onde cada palavra pretende dizer mais do que aquilo que
significa, pretende levar-nos a pensar ao mesmo tempo que nos emocionamos.
Todo
o livro é constituído por um conjunto de sentimentos que nos dão uma visão da
vida, uma visão filosófica. De repente o leitor é levado para um mundo, que
sendo o do sujeito poético, acaba por se tornar seu. Mas não é um mundo feito,
acabado. É um mundo onde ele tem de refletir sobre o que o rodeia e sobre si
mesmo. É um mundo onde as palavras nos encantam como se de sereias se
tratassem, pois, embora esteja, aparentemente, tudo dito, essa certeza não é
mais do que uma ilusão, um desafio, um engano. A diferença é que as sereias
matam enquanto Sellma levamos a pensar na vida e, em última análise, no nosso
papel, no nosso lugar, nos nossos sonhos.
Mais
um livro de poesia que recomendo. E fico à espera da próxima obra de Sellma
Luanny, esperando que surja rapidamente.
