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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Uma verdade simples de Jodi Picoult

   Opinião: Jodi Picoult é definitivamente uma autora de que eu gosto particularmente. Este seu último livro, Uma verdade simples, vem provar a forma didática, mas bastante interessante como a autora desenvolve os seus livros.
    Numa comunidade Amish é descoberto o cadáver de um recém-nascido, sendo que a jovem suspeita pelo crime não admite sequer que tenha estado gravida. Katie Fisher faz parte desta comunidade e é alguém que interiorizou as regras do grupo a que pertence e pretende viver segundo elas. Quando se vê envolvida neste processo vai ter a ajuda de Ellie Hathaway, uma advogada que está a viver na casa da tia de Katie (banida daquela sociedade por se ter apaixonado por alguém que a ela não pertencia) e que, desiludida com a grande cidade, e com a pessoa com quem vivia, vai para descansar e se recompor emocionalmente.
     As duas mulheres acabam por se unir por necessidade e o leitor assiste às diferenças entre o ‘nosso’ mundo e vida ‘simples’ dos Amish. Assim se constroem 477 páginas de puro prazer, em que não conseguimos parar de ler e de consciencializar as diferenças entre as duas comunidades.
     Não vou falar sobre a forma superior como Jodi Picoult utiliza a escrita para expôr as suas ideias, pois já várias vezes a referi e acho que hoje em dia ninguém dúvida da mesma. Mas este livro consegue ainda ser superior, visto que alia a tudo o que já sabemos que vamos encontrar (assunto polémico e difícil, cenas de tribunal, …) um aspeto didático pela forma como nos é dado a conhecer um modo de vida que, não sendo igual ao nosso, tem regras e princípios bem definidos, respeitados pelos seus seguidores.
      A história tem um fio condutor bastante bem delineado, não deixando nunca de ser, nos momentos certos, surpreendente. Embora o final não tenha sido uma novidade (era uma das minhas suspeitas) não deixa de estar muito bem construído e a forma como nos é revelado está muito bem escrita.Trata-se, pois, de um livro que recomendo a toda a gente, sem qualquer dúvida.
     Quero agradecer à Maria João da Biblioteca da João e à Barbara Rodrigues do The Life of a Bookcatcher pela agradável forma como leram este livro comigo. Meninas obrigada e espero que tenhamos oportunidade de fazer mais leituras conjuntas.

     Sinopse: A descoberta de um bebé morto num celeiro dos amish abala profundamente a comunidade. Mas a investigação policial conduz a uma descoberta mais chocante: há provas circunstanciais que sugerem que foi Katie Fisher, uma jovem amish solteira de dezoito anos, que se julga ser a mãe do bebé, que lhe tirou a vida. Quando Ellie Hathaway, uma advogada desiludida da grande cidade, chega a Paradise, na Pensilvânia, para defender Katie, dá-se um choque entre as duas culturas e, pela primeira vez na sua carreira fulgurante, Ellie enfrenta um sistema de justiça muito diferente do seu.

    Mergulhando profundamente no mundo daqueles que vivem uma «vida simples», Ellie terá de chegar a Katie. E, ao desvendar uma morte complexa, Ellie é obrigada a olhar também para dentro de si, para confrontar os seus medos e desejos quando um homem do seu passado entra de novo na sua vida.



segunda-feira, 21 de maio de 2018

Tudo por amor de Jodi Picoult

Opinião: Tudo por amor de Jodi Picoult é um livro que foi lido com um misto de sensações. Por um lado, é um livro muito duro sobre pedofilia, e o quanto o sistema judicial não responde às necessidades da família e da criança, por outro é um livro de afetos, de amor de mãe, mesmo quando esse é mal canalizado.
Nina é uma delegada do Ministério Público que tem como atividade principal acusar pedófilos. Nesta sua carreira ela toma contacto com as limitações do sistema e com o facto de nem sempre se conseguir fazer o que seria devido a favor da criança. Ela sabe que, por vezes, os agressores nem sempre são condenados, ou se o são, as penas acabam por ser bastante curtas face ao trauma infligido à vítima.
Nina tem consciência de que assim é e que, dificilmente, se conseguirá mudar o sistema. Mas eis senão quando, a vítima é o seu filho. E aí Nina deixa de ser advogada e passa a ser mãe, com um conhecimento profundo do que a espera a ela e a Nathaniel, o seu filho de cinco anos.
Como mãe a racionalidade e a frieza desaparecem e toda a sua atuação e ação fica ligada às emoções o que a leva a considerar que a justiça terá de ser feita por si mesma, pelas suas mãos.
Claro de Jodi, sem tribunal não é Jodi e aí apercebemo-nos da dificuldade que a sociedade tem de separar a advogada da mãe e da que, ela própria, tem de se deixar defender por outros, acabando por não o conseguir.
A juntar a isto temos um pai que oscila entre a vontade de proteger o filho, a justiça que acha que merece e reconhecer a sua mulher, uma leoa que contra tudo e contra todos, inclusive contra ela mesma, quer defender a sua criança, o ser que jurou proteger e não conseguiu.
Este é talvez um dos maiores pesadelos de quem tem filhos. Que alguém lhes faça mal e de uma maneira tão cruel e doentia. Mas a verdade é que Jodi não nos deixa esquecer isto, dando-nos ao mesmo tempo elementos narrativos e textuais de conversão, e de compaixão, que nos acabem por aquecer, nos momentos mais dramáticos.
Assim sendo, e apesar de tudo, é um livro que recomendo sem hesitações.
Este foi o último livro do projeto Um ano com Jodi. E acabámos com chave de ouro. Às meninas que organizaram o meu muito obrigada. Foi ótimo ler esta autora, mas fundamentalmente foram bastante enriquecedoras as partilhas de opinião entre os participantes o que nos permitiu refletir sobre ângulos que por vezes não estávamos despertos para observar. Fico, ansiosamente, à espera do próximo. Bem -hajam.

Sinopse: Nina Frost é delegada adjunta do Ministério Público, acusa pedófilos e todo o tipo de criminosos que destroem famílias. Nina ajuda os seus clientes a ultrapassar o pesadelo, garantindo que um sistema criminal com várias falhas mantenha os criminosos atrás das grades. Ela sabe que a melhor maneira de avançar através deste campo de batalha vezes sem conta, é ter compaixão, lutar afincadamente pela justiça e manter a distância emocional. Mas quando Nina e o marido descobrem que o seu filho de 5 anos foi vítima de abuso sexual, essa distância é impossível de manter e sente-se impotente perante um sistema legal ineficiente que conhece demasiado bem. De um dia para o outro o seu mundo desmorona-se e a linha que separa a vida pessoal da vida profissional desaparece. As respostas que Nina julgava ter já não são fáceis de encontrar. Tomada pela raiva e pela sede de vingança, lança-se num plano para fazer justiça pelas próprias mãos e que a pode levar a perder tudo aquilo por que sempre lutou. 


quinta-feira, 3 de maio de 2018

Em troca de um coração de Jodi Picoult

     Opinião: Em troca de um coração da Jodi Picoult foi o livro do último mês no projeto que já referi várias vezes neste espaço. O livro é de 2007, com publicação em Portugal em 2008, mas só agora é que o li.
  A história está centrada em Shay um jovem condenado à morte pelo assassinato de Elizabeth, uma criança, e do seu padrasto um polícia bastante conceituado na cidade onde vivem. Onze anos depois Shay quer doar o seu coração à jovem Claire, meia irmã de Elizabeth, que sofre de uma insuficiência cardíaca muito acentuada.
   O problema coloca-se na forma de o executar (a injeção letal a que estava condenado não é viável) e à forma como June, a mãe viúva das duas jovens, poderá sentir-se ao decidir que a filha irá receber tal órgão.
  Como sempre a autora coloca-nos a ouvir várias vozes, várias opiniões e vários pontos de vista. O interessante é que nunca ouvimos o próprio Shav. Ou seja, a história deste homem é contada através daquilo que ele diz a um dos seus colegas de cela, ao seu conselheiro espiritual e à sua advogada. Todo o desenvolvimento da narrativa acaba por se enquadrar naquilo que estas personagens e June nos dizem sobre os factos e os acontecimentos.
   O enquadramento jurídico sobre a pena de morte, as informações sobre as diferentes religiões (embora por vezes se apresentem demasiado extensas) e a forma de as enquadrar no sistema jurídico e a organização da prisão, dão-nos a visão de um país que se esperaria mais moderno e mais democrático no início do século.
    Não foi, de todo, um dos livros que mais gostei da autora. Entusiasmou-me no início, mas, posteriormente, acabei por o achar arrastado e sem desenvolvimento. No último terço voltou a entusiasmar-me e o final foi, efetivamente, surpreendente.
    Assim sendo, para quem é fã de Jodi poderá lê-lo, para quem nunca leu ou não é grande fã acho que não será, de todo, o melhor livro para começar a conhecer esta autora.
    Quanto a mim já tenho em plena leitura aquele que será o último livro desta autora que lerei , dentro do projeto Um ano com Jodi.

    Sinopse: Shay foi condenado à morte por matar a pequena Elizabeth Nealon e o padrasto. Onze anos mais tarde, a irmã de Elizabeth, Claire, precisa de um transplante de coração e Shay, que vai ser executado, oferece-se como dador. Este último desejo do condenado complica o plano de execução, pois uma injecção letal inutilizaria o órgão. Entretanto, a mãe da criança moribunda debate-se com a questão de pôr de parte o ódio para aceitar o coração do homem que matou a sua filha. Picoult hipnotiza o leitor com uma história de redenção, justiça, e amor.
    Com uma sensibilidade literária invulgar, Jodi Picoult conduz uma vez mais o leitor a uma encruzilhada moral. Como é que uma mãe concilia a trágica perda de um filho com a oportunidade de salvar a alma de um homem que odeia?



sexta-feira, 23 de março de 2018

No seu mundo de Jodi Picoult

     Opinião: No seu mundo é mais um livro de Jodi Picoult que se integrou na leitura conjunta: Um ano com Jodi.
    Mais uma vez as vozes se multiplicam e nos levam a interpretações distintas dos mesmos acontecimentos.  Desta feita é-nos apresentado Jacob um jovem com síndrome de Asperger, que vive com a sua mãe, Emma e um irmão mais novo, Theo. A vida deste núcleo decorre à volta de Jacob e das suas necessidades, por forma a que este não tenha crises e se tente integrar socialmente da maneira mais natural possível.
    O problema acontece quando o jovem é acusado de assassinato e necessita de se defender em tribunal, onde o seu comportamento foge às normas sociais vigentes e pode ser entendido, em algumas posturas e atitudes, como culpa.
    Trata-se, pois, de um livro duro, onde Jodi Piccoult não tenta escamotear as situações mais duras, levando-nos às vezes a suster a respiração devido à crueza das descrições que nos são apresentadas. Na verdade, ainda não consegui encontrar um livro que seja apenas desta autora e seja suave ou descansado.
    A história vai, pois, girar sobre a possível culpa ou inocência do jovem. Por um lado, fica a ideia de que não é culpado porque não assume, sendo que uma das características do Asperger é a frontalidade e a sinceridade, e por outro se é inocente quem está a tentar proteger e porque razão, pois apercebemo-nos de que Jacob sabe mais do que aquilo que está a dizer.
   O final volta a ser surpreendente e este é mesmo de nos deixar sem palavras. Embora possa parecer que o final fica em suspense penso que a ultima folha nos mostra qual foi a única solução encontrada e defendida pela autora.
   A minha única dúvida são as referencias à doença. Embora as pessoas com quem tenho lidado com o referido síndrome sejam muito como o Jacob, não sei é se ele conseguirá entender e manipular a realidade como a autora sugere.
   De qualquer forma trata-se de um livro fantástico cuja leitura aconselho sem reservas de forma alguma.

   Sinopse:Jacob Hunter é um adolescente: brilhante a Matemática, sentido de humor aguçado, extraordinariamente bem organizado, incapaz de seguir as regras sociais. Jacob tem síndrome de Asperger. Está preso no seu próprio mundo – consciente do mundo exterior e querendo relacionar-se com ele. Jacob tenta ser um rapaz como os outros mas não sabe como o conseguir.
    Quando o seu tutor é encontrado morto, todos os sinais típicos da síndrome de Asperger – não olhar as pessoas nos olhos, movimentos descontrolados, acções inapropriadas – são identificados pela Polícia como sinais de culpa. E a mãe de Jacob tem de fazer a si própria a pergunta mais difícil do mundo: será o seu filho capaz de matar?



segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

Memórias Esquecida de Jodi Picoult


     Opinião: O livro de fevereiro para o projeto da Jodi Picoult foi Memórias esquecidas.
    Este livro, que eu nunca tinha lido, não foi, de todo, dos que mais me entusiasmou. Na verdade, acabou por ser uma história vulgar, que em alguns momentos se arrasta demasiado.
    Delia uma jovem que foi criada pelo pai, já com uma filha do seu noivo advogado Eric, um ex alcoólico, vive uma vida calma, rodeada por uma vila rural onde a família é bastante respeitada. A este núcleo mias próximo devemos acrescentar Fitz, jornalista de profissão, e amigo de infância de Delia e Eric, e um eterno e calado apaixonado pela jovem, silenciado pelo seu sentido de honra em relação aos amigos.
     Como sempre nos livros de Jodi todas estas vozes se fazem ouvir e dizem, ao leitor, de sua justiça. O livro altera-se quando Andrew, o pai de Delia, é preso por rapto da filha quando esta tinha quatro anos. E a história, a partir desse momento muda, pois todos eles têm formas diferentes de ver e interpretar o passado, o presente e o futuro.
     Delia questiona a sua própria identidade, Andrew tenta justificar o rapto e o segredo mantido todos estes anos, Eric tenta lutar contra os seus fantasmas do passado, ciente que a defesa do sogro lhe pode custar o casamento que planeava e Fitz tenta conjugar o apoio aos amigos, com a paixão por Delia e a sua profissão de jornalista enviado para acompanhar o julgamento de Andrew.
      O certo é que o livro tinha tudo para dar certo, mas acaba por ser um pouco arrastado e sem dinâmica o que torna, em alguns passos, a leitura quase aborrecida.
      As descrições dos locais, dos sentimentos e das interações acabam por ser o mais interessante do livro, embora algumas das personagens sejam mais ou menos previsíveis.
    A juntar a todos estes elementos temos, durante parte do romance, o convívio de Delia e da sua filha com Ruthann, uma índia americana vizinha da família quando se tem de mudar por causa do julgamento. Não querendo contar demais, pois poderão sempre resolver ler o livro, poderei, no entanto, afirmar que este convívio acaba por se tornar um elemento de interesse e transforma a obra, pois apresenta as tradições da América original, tornando o livro mais dinâmico.
    Não sendo dos melhores de Jodi, é dos primeiros que ela escreveu e daí a escrita ainda não ser tão fluida como aquela que apresenta hoje em dia. No entanto, acaba por ser, como sempre uma história trágica, onde a verdade não está apenas de um dos lados.

    Sinopse: Delia Hopkins foi criada na zona rural de New Hampshire pelo seu pai, viúvo há 30 anos. Tem uma filha pequena, um noivo atraente e uma cadela Bloodhound que a ajuda no seu trabalho – encontrar pessoas desaparecidas. Enquanto trata dos preparativos para o casamento, Delia encontra fotografias antigas de pessoas e lugares de que não se consegue lembrar, embora lhe sejam familiares. Confusa, começa a ter flashbacks de memórias esquecidas de uma vida que não se lembra de ter vivido. Quando começa a interrogar o pai acerca das suas memórias confusas, este é preso por ter raptado a filha aos 4 anos. Andrew confessa ter fugido com Delia (na altura chamada Bethany) e ter começado uma nova vida longe da sua mulher. A vida de Delia fica virada de pernas para o ar. Como é que ela pode recuperar um passado que nunca teve? 





quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

A contadora de histórias de Jodi Picoult

     Opinião: A contadora de histórias é mais uma obra que li integrada no projeto Um ano com a Jodi. E neste fui às cegas. De tal forma que quando dei por mim percebi que se tratava de um livro sobre a segunda guerra, Auschwitz e o pós-guerra. Devo aqui assumir que desde que tinha ido ao referido campo de concentração na Polónia, há dois anos, ainda não tinha conseguido pegar num livro sobre esta temática. A Jodi apanhou-me de surpresa, e foi bom, pois acho que desbloqueei.
     Mas, tenho que confessar, que a forma como lemos este tipo de livros, como vivenciamos as descrições do que aconteceu naquele espaço, são interpretadas e, fundamentalmente, sentidas de uma outra forma depois de lá ter estado e visto o espaço.
     Este é um livro surpreendente. A personagem principal, Sage, é também ela uma jovem com alguns problemas e complexos. Trata-se de alguém que não aceita o seu passado e, como tal, tem dificuldade em viver o seu presente o que faz com que se afaste das pessoas, aproveitando a sua profissão, padeira, para acentuar esse afastamento.
     Quanto à personagem masculina Josef é um homem já idoso que faz parte do seu grupo de apoio de gestão da dor e que se aproxima da jovem, de tal maneira que ela acaba por lhe fazer confidências que não tinha partilhado com ninguém. Ele, por sua vez, assume o seu passado, desconhecido para os seus patrícios. Deste encontro nasce uma aproximação que se vai desenvolvendo ao longo do livro onde vamos tendo, como habitualmente, a emergência de várias vozes.
    Não querendo contar nada que possa retirar o interesse pelo livro, posso dizer que mais uma vez, e de forma magistral, Jodi Picoult, nos dá uma lição de história, que acaba por ser uma lição de vida.
     Num local, como Auschwitz, onde “as condições (…) eram tão horrorosas que Deus optava por não entrar lá”, (ideia com a qual concordo plenamente) acabamos por encontrar a amizade, a solidariedade e o auxílio entre aqueles que sofrem sem saber porquê, sem serem culpados de nada, mas vitimas de uma conjuntura que não tinham escolhido.
    Claro de o final do livro surpreende e a autora, mais uma vez, mas nesta obra em particular, deixa-nos sem folgo, pensando que por vezes a vida tem um humor macabro, onde nem tudo o que parece é.
    Acho que é daqueles romances que toda a gente deveria ler. Recomendo sem hesitações. 

     Sinopse: Sage Singer é padeira de profissão. Trabalha de noite, a preparar o pão e os bolos para o dia seguinte, tentando fugir a uma realidade de solidão, a más memórias e à sombra da morte da mãe. Quando Josef Weber, um velhote que faz parte do grupo de apoio de Sage, começa a passar pela padaria, os dois forjam uma amizade improvável. Apesar das diferenças, veem um no outro as cicatrizes que mais ninguém consegue ver.

     Tudo muda no dia em que Josef confessa um segredo vergonhoso há muito escondido e pede a Sage um favor extraordinário. Se ela disser que sim, irá enfrentar não só as repercussões morais do seu ato, como também potenciais repercussões legais. Agora que a integridade do amigo mais chegado que alguma vez teve está envolta numa névoa, Sage começa a questionar os seus pressupostos e as expectativas em torno da sua vida e da sua família. 
     Um romance profundamente honesto, em que Jodi Picoult explora graciosamente até onde podemos ir para impedir que o passado dite o nosso futuro. 


sexta-feira, 22 de dezembro de 2017

Dezanove minutos de Jodi Picoult

     Opinião: Mais uma vez Jodi Picoult. Continuando a participação no projeto Um ano com a Jodi li neste mês de dezembro Dezanove Minutos.  E que livro!
    Estes Dezanove minutos foram o tempo necessário para Peter Houghton, aluno do liceu de Sterling, levar a cabo um ataque armado contra os seus colegas e seus abusadores. Desde o jardim de infância até à semana anterior Peter tinha sido vitima de bulling, físico e verbal, de uma forma constante. Até a sua amiga de infância Josie Cormier conseguiu passar para o grupo dos populares, namorando um dos elementos da equipa de futebol.
     Este resumo levará qualquer leitor que não conheça a Jodi a pensar que o livro é dramático, mas linear.
     Dramático, com certeza. E para quem é mãe ainda mais. Pensar que alguém pode, de um momento para o outro, sem aviso prévio, pôr em causa a vida dos nossos filhos, é o maior pesadelo de um progenitor. E neste livro a autora conta a frustração dos pais em geral e de uma mãe em particular. E isso leva-nos a ter os nossos sentidos e sentimentos sempre alerta. Por outro lado, temos a vivência dos pais de Peter, que não sabem como reagir perante a atitude que o filho tomou. Na verdade, estas pessoas são sempre filhas de alguém, que por motivos vários, não se apercebeu, ou não se quis aperceber do caminho que estes jovens estão a traçar.
    Linear, só se fosse de outro autor. Jodi Picoult não nos deixa nunca ficar na nossa zona de conforto. As suas personagens somos nós, gente normal, que acaba por ter de viver com os seus defeitos, as suas incoerências e as suas frustrações. Na verdade, a história vai mostrando as culpas, mais ou menos assumidas dos jovens, e as descobertas dos falhanços dos adultos. Mas como fazer melhor? Como saber qual o momento certo para avançar e qual o momento para dar privacidade? Como fazer para ser uma boa mãe, ou pai, e, ao mesmo tempo ser um bom profissional? Tudo isto é questionado no livro de uma forma séria e emotiva, sem ser melodramática, no pior sentido.
     Pensei que ao não colocar em discurso direto, por capítulos, as personagens, como é seu hábito, o livro se tornaria menos interessante. Equivoco meu. A autora continua a mostrar-nos os diversos pontos de vista e a dar-nos elementos que nos fazem refletir, mesmo depois de acabada a leitura. Para além disso a obra varia entre o presente e o passado, o que nos faz descobrir todos os factos sobre um acontecimento, ao mesmo tempo que as personagens efabulam sobre ele. 

     Sinopse: Mais uma vez, Picoult aborda um assunto delicado na sociedade contemporânea, um tiroteio no liceu, levantando perguntas como: o seu filho pode tornar-se num mistério para si? O que significa ser diferente na nossa sociedade? É justificável para uma vítima ripostar? E quem – se é que alguém – tem o direito de julgar outra pessoa? Em Sterling, New Hampshire, Peter Houghton, um estudante de liceu com dezassete anos, suportou anos de abuso verbal e físico por parte dos colegas. O seu amigo, Josie Cormier, sucumbiu à pressão dos colegas e agora dá-se com os grupos mais populares que muitas vezes instigam o assédio. Um incidente de perseguição é a gota de água para Peter, que o leva a cometer um acto de violência que mudará para sempre a vida dos residentes de Sterling.



quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Melodia Inesperada de Jodi Picoult

     Opinião:Continuando o projeto Um ano com a Jodi este mês li Uma Melodia Inesperada. O livro é de 2011, quer o original, quer a tradução portuguesa, mas continua, infelizmente, bastante atual.
   Zoe está há 10 anos a tentar engravidar e quando parece que tudo está a correr bem, sofre um aborto espontâneo, de onde nasce um nado-morto. Depois, e por saturação, acaba por se divorciar do seu marido Max.
   Max acaba a viver em casa do irmão e aproxima-se da Igreja da Glória Eterna enquanto Zoe acaba por se aproximar de Vanessa, com quem inicia uma relação homossexual. Tudo estaria enquadrado, caso não fosse a existência de três embriões congelados que ambas as partes requerem para si. Zoe e Vanessa querem ter filhos, Max quer doá-los ao irmão e à cunhada, que também têm problemas de fertilização. No meio, uma igreja que não aceita a homossexualidade e que, simultaneamente, se quer promover.
   Com este pano de fundo Jodi Picoult constrói a história a partir de três vozes, Zoe, Vanessa e Max, sem se deter nas argumentações dos vários pontos de vista das personagens.
 Como sempre a autora põe-nos a pensar, percebendo nós que os acontecimentos e as consequências destes na vida das pessoas nunca é monocromática. Na verdade, e independentemente do que achamos, os seus livros e as suas histórias mostram-nos os diferentes lados do problema, quer ele seja religioso, social ou mesmo jurídico.
  Não querendo contar pormenores, de forma a não comprometer uma futura leitura, posso afirmar que nem as religiões, nem o sistema jurídico americano ficam muito bem vistos neste livro. O problema é que podemos facilmente extrapolar estas considerações para a Europa ou mesmo para o nosso país. Os desígnios de alguns representantes das diferentes religiões e as leis, muitas vezes esquecem as pessoas e os seus sentimentos, para se basearem no que está escrito, ou na manipulação que podem fazer com esses mesmos escritos.
   Sendo um livro que se lê muito bem, mais uma vez fiquei agradada pelo facto de cada voz ter um tipo de letra diferente. Este simples facto permite-nos identificar a personagem que fala mesmo que, por qualquer motivo tenhamos de interromper a leitura, sem ter que ir ver quem fala, no início do capitulo.
   Este é, pois, um livro sobre diferentes assuntos perfeitamente atuais e que vão sendo, uns mais que outros, analisados através da escrita da Jodi. De referir, ainda, que a profissão da Zoe, terapeuta musical, poderia ter sido mais explorada, pois pareceu-me bastante interessante o seu nível de intervenção. É, no entanto, uma obra onde quem vence são as pessoas e o seu bom carácter, o que nos dá uma esperança em relação ao futuro, neste mundo tão violento.
    Apesar de o livro ter seis anos esta é uma leitura que recomendo. 

    Sinopse:Zoe Baxter passou dez anos a tentar engravidar e, quando parece que este sonho está prestes a realizar-se, a tragédia destrói o seu mundo. Como consequência da perda e do divórcio, Zoe mergulha na carreira como terapeuta musical. Ao trabalhar com Vanessa, o relacionamento profissional entre as duas transforma-se numa amizade e depois, para surpresa de Zoe, em amor. Quando Zoe começa a pensar de novo em formar família, lembra-se de que ainda há embriões dela e de Max congelados que nunca foram usados.




quarta-feira, 16 de agosto de 2017

Frágil de Jodi Picoult

    Opinião: Por causa do projeto Um ano com Jodi do grupo da Dora do Books & Movies andei este mês a ler Frágil da Jodi Picoult. Este era um livro, como vários outros da mesma autora, que tinha há muito tempo nas minhas estantes. Não por não gostar da Jodi, mas sim, por gostar demais. Esta autora é daquelas que nos leva por histórias difíceis e que nos faz pensar e repensar sobre esses mesmos temas.
     Este é sobre Willow uma menina com osteogénese imperfeita, conhecida como a doença dos ossos de vidro. A jovem foi diagnosticada antes de ter nascido numa segunda ecografia. Na primeira já havia a possibilidade de haver alguns problemas embora ainda nada que pudesse ser conclusivo. No entanto a mãe de Willow resolve processar por negligência pré-natal a obstetra que a acompanhou, nada mais nada menos, do que a sua melhor amiga, Piper.
     E pronto. Aqui está a história que nos leva para junto de uma família que luta por sobreviver. A juntar temos o pai policia,  que não sabe bem as posições que deve tomar e uma filha mais velha que se sente abandonada e posta de lado por quem a rodeia, inclusive a sua melhor amiga, filha de Piper.
Por seu lado Piper não entende como é possível tal lhe ter acontecido, e gere, se calhar não da melhor forma, como pode esta atitude de alguém em quem confiava sem limitações.
     Mais uma vez a história se entrecruza com outras por forma a criar um desfecho surpreendente. Jodi faz-nos pensar que o que parece ser a melhor solução, nem sempre é, e mesmo quando achamos que temos uma opinião definitiva sobre um assunto, isso não é verdade. Esta autora tem sempre esta característica faz-nos duvidar das nossas certezas, e leva-nos a repensar as nossas convicções.
     E este livro não é diferente. As personagens têm uma densidade psicológica grande, também elas contraditórias e cheias de defeitos. Tal como nós, as personagens praticam ações menos corretas, mesmo que pelos motivos certos, mantêm relações nem sempre perfeitas, mas humanas. Aquelas personagens são os nossos colegas de trabalho, os nossos vizinhos, os nossos amigos, e por isso nos fazem sorrir, nos magoam, nos surpreendem ou nos fazem chorar.

     Embora não seja o melhor livro dela é uma obra que se lê com vontade e nos apresenta um final surpreendente. Foi pois uma forma magnifica de começar este projeto que não quero de todo abandonar.

Sinopse: Willow, a linda, muito desejada e adorada filha de Charlotte O’Keefe, nasceu com osteogénese imperfeita – uma forma grave de fragilidade óssea. Se escorregar e cair pode partir as duas pernas, e passar seis meses enfiada num colete de gesso. Depois de vários anos a tratar de Willow, a família enfrenta graves problemas financeiros. É então que é sugerida a Charlotte uma solução. Ela pode processar a obstetra por negligência – por não ter diagnosticado a doença de Willow numa fase inicial da gravidez, quando ainda fosse possível abortar. A indemnização poderia assegurar o futuro de Willow. Mas isso implica que Charlotte tem de processar a sua melhor amiga. E declarar perante o tribunal que preferia que Willow não tivesse nascido...