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sábado, 2 de fevereiro de 2019
quinta-feira, 4 de outubro de 2018
The Kitchen Boy: Os últimos dias dos Romanov de Robert Alexander
Opinião: Que
romance! Começo por afirmar que este The Kitchen Boy, Os últimos dias dos
Romanov é um romance cinco estrelas.
De
facto, e apesar do livro ser de 2005, e estar na prateleira desde essa altura,
só agora me dispus a lê-lo. Quero agradecer às meninas que o leram comigo (e só
não as cito, individualmente, porque ainda foram algumas) e que ainda tornaram
esta leitura mais especial.
Mas
a verdade é que este romance é, por si só, um romance muito bom e interessante.
O
romance conta a história do ajudante de cozinha do czar Nicolau II e da sua
família quando estes se encontravam já presos pelos bolchevistas. Este rapaz,
que fazia parte de um grupo reduzido de acompanhantes da família real russa,
vai ser o único sobrevivente do grupo e vai ser a única testemunha da execução
daqueles que tinham sido os seus amigos até aquele momento.
Obviamente
que o livro vai fazer coincidir elementos históricos com criações provenientes
da imaginação de Robert Alexander, o autor do livro. Mas, mesmo assim, a
narrativa é coesa, as personagens são credíveis e em algumas situações
conseguimos perceber que o fundo de verdade existe e, está presente na
construção da trama narrativa da história. Os crescentes dos acontecimentos
manifestam-se no crescente das ações e o autor consegue que o leitor fique
preso ao desenvolvimento da obra, que termina com um final surpreendente.
Com
uma escrita correta, clara e completamente absorvente o livro torna-se uma
companhia que não conseguimos deixar de acompanhar e, efetivamente, transforma-se
numa história é inesquecível. Com um final inesperado, em que o passado e o
presente acabam por se cruzar projetando um futuro diferente e mais
democrático.
Este
é pois um romance histórico que aconselho sem margem para dúvidas.
Sinopse: A 16 de Julho de 1918, o curso da história da Rússia mudou para sempre. Nessa noite, o czar Nicolau II e a sua família foram brutalmente executados pelos bolcheviques. Houve apenas uma testemunha - o ajudante de cozinha. Ele é a única pessoa viva que realmente sabe o que se passou. Que segredos nos serão revelados sobre os últimos dias dos czares? É que, apesar de já ter passado quase um século, a prisão e execução do czar Nicolau e da sua família continuam envoltas em mistério e fascínio.
Numa prosa absorvente e elegante, combinando factos e ficção, Robert Alexander reconta a história através de Leonka, em tempos ajudante de cozinha dos Romanov, que afirma ser a "última testemunha viva" da brutal execução da família imperial.
sexta-feira, 24 de agosto de 2018
A filha de Cayetana de Carmen Posadas
Opinião: A filha de Cayetana é o último livro de Carmen Pousadas.
Sendo um romance histórico, conta a vida da Duquesa de Alba, musa de Goya, e
tendo 572 páginas, confesso que parti para a sua leitura com algumas dúvidas e
temores. Como estava enganada.
O
livro conta, como já disse, parte da vida da décima terceira duquesa de Alba,
Maria del Pilar Teresa Cayetana de Silva y Álvarez de Toledo, da sua relação com
a corte e a realeza, com os atores, toureiros e pintores famosos da época,
nomeadamente Goya, seu amigo, e da forma como aperfilhou, tratou e cuidou de
uma menina negra, que resolve criar como se fosse sua filha: Maria da Luz.
Mas
Maria da Luz é Marina para Trinidad a sua mãe biológica, escrava que se
apaixona pelo seu senhor e acaba por engravidar. E o livro de Posadas acaba por
referir, também, a vida sofrida desta mãe, que vê a sua filha ser-lhe arrancada
dos braços, sem nada poder fazer para se opor, passando o resto dos seus dias a
existir e a suportar situações e acontecimentos, mesmo na adversidade, sempre
com o fito de recuperar a sua filha perdida.
É,
pois, destas duas histórias tão dispares que vive o livro. Num mundo tão
convencional, mas tão hipócrita, tão diferente conforme a classe social a que
se pertencia, temos a história de duas mulheres que são guiadas pelo amor, mas
cujas vidas não poderiam ser mais distintas pelo simples facto de terem nascido
em lugares diferentes. Cayetana foi a privilegiada que fez da vida o que quis,
não se deixando levar pelas convenções e Trinidad é a escrava que se liberta
das amarras e tenta, arrisco-me a dizer conseguindo, criar o seu mundo, o seu
futuro, o seu destino. No entanto ambas acabam por ter uma vida trágica.
Sob
estas histórias tão ricas temos o discurso e a escrita de Carmen Posadas que é
de uma beleza, rigor e ironia inimitáveis. A autora cria uma narrativa que nos
envolve e nos leva a rir com a sua ironia e a chorar nos momentos mais
trágicos. As descrições são quase cinematográficas, como se estivéssemos nos
locais por onde as diferentes personagens se deslocam.
O
final num livro histórico, com personagens reais, não pode ser surpreendente.
Mas este acaba por ter uma alteração discursiva no último capitulo, que eu não
tinha de forma alguma previsto, mas que faz com que a obra acabe com um
realismo e uma verdade inquestionável. Uma leitura a não perder.
Obrigada
à Maria João Diogo por mais esta leitura conjunta, é sempre um prazer ir
comentando o livro conforme vamos lendo.
Sinopse: Um episódio assombroso e esquecido protagonizado por uma das mulheres mais afamadas da História de Espanha: Cayetana de Alba, a inesquecível musa de Goya.Excêntrica, caprichosa e livre, durante mais de duzentos anos o seu poder de sedução permaneceu inalterado. No entanto, poucos sabem que a duquesa adotou uma menina negra, María Luz, a quem amou e educou como a uma filha, e a quem deixou parte da sua fortuna.Com mestria, Carmen Posadas relata as peripécias das duas mães: a adotiva, com os seus amores e dramas na corte de Carlos IV, um autêntico ninho de intrigas, e a biológica, Trinidad, que, sendo escrava em Espanha, luta por encontrar a bebé que lhe foi arrebatada após o nascimento.
domingo, 10 de setembro de 2017
Assim nasceu Portugal de Domingos Amaral
Opinião: Este terceiro livro da trilogia Assim nasceu Portugal termina com a
entrada de D. Afonso Henriques em Lisboa depois da sua vitória sobre os mouros
que, até então, dominavam a cidade.
Todos sabemos da importância histórica deste facto na construção da
autoridade e da legitimação da imagem do nosso primeiro rei face a quem não
queria reconhecer Portugal como um reino autónomo: seu primo rei de Leão e o
Papa Alexandre III. Se o Tratado de Zamora é de 1143, a bula papal só chega em
1179, anos depois da conquista da cidade em 1147. Mas isto são factos históricos
que todos nós sabemos ou devíamos saber.
No entanto, neste livro, Domingos
Amaral faz mais do que nos dar uma visão da nossa história. Este livro não é
sobre reis, ou sobre um rei. Este livro é sobre homens e mulheres que viveram
tempos conturbados, onde o poder se podia contar em território conquistado.
Mas Domingos faz mais. Domingos
Amaral, através do seu narrador, Lourenço Viegas, filho primogénito de Egas
Moniz, e amigo de D Afonso Henriques, dá-nos a imagem de um homem que quer
honrar os seus ideais, as suas crenças e o seu progenitor o Conde D. Henrique.
Neste livro o nosso primeiro rei não é um herói. É um homem, com convicções e
contradições, amores e desamores, amigos e interesses e que conquista, mas
também falha. Afonso Henriques aparece como alguém que vive num tempo difícil,
tentando fazer de um pequeno condado o seu país, o nosso país, sem nunca
esconder do leitor os seus sentimentos.
Os conquistadores de Lisboa, assim se chama este terceiro volume, é
um livro ilustrativo de um tempo em que as personagens são homens e mulheres
com os mesmos sentimentos que nós e com as dificuldades inerentes ao seu tempo.
Estes homens e estas mulheres vivem com as intrigas, as glórias e as derrotas e,
mesmo quando aparentemente tudo pode desmoronar, tentam manter a sua fé na
vida, nos seus amigos e em si próprios. Determinados conseguiram superar as
fraquezas e tornar este pedaço à beira mar plantado num reino autónomo por
direito próprio.
Muito bem escrito, com uma
investigação histórica apurada, o autor cria uma sociedade à época não esquecendo
nunca que se tratava de seres humanos. Importante de referir o papel das
mulheres neste livro. Num tempo em que aparentemente estas tinham um ligar
secundário face aos homens, aqui, Mafalda, Chamoa e Zaida são peças tão
importantes neste tabuleiro que, algumas vezes acabam por condicionar as opções
do rei e daqueles com quem convivem mais ou menos de forma intima. Continuo a
achar que a construção destas personagens e dos seus movimentos e atitudes são
feitas de forma brilhante, dando a dimensão da importância das relações
amorosas nos jogos políticos da época.
O autor vai ainda buscar, como
pano de fundo dos acontecimentos históricos, a célebre polémica quanto à
hipótese de D. Afonso Henriques não ser o filho de D. Teresa e do Conde D. Henrique.
Interessante como elemento que permite desenvolver a intriga, e que leva Chamoa
e Lourenço Viegas a uma aturada investigação. Hoje, na minha opinião, este é um
boato sem importância. Como afirma o rei foi ele quem fez as conquistas, foi
ele quem elevou o condado a reino e como tal, é ele que merece o
reconhecimento. Claro que o autor resolve esta questão, dando-nos a sua opinião
de uma forma coerente e plausível.
Por todas estas razões, e
fundamentalmente pelo prazer que é ler este livro, esta trilogia termina de
forma brilhante, com a conquista de Lisboa. Agora, meu caro, Domingos Amaral,
falta o além-Tejo.
Sinopse: E se D. Afonso Henriques não fosse filho de D. Teresa?
Incapaz de vencer Afonso Henriques nos campos de batalha, o seu primo direito e imperador da Hispânia, Afonso VII, lança contra ele uma intriga infame. Nascido com deficiências nas pernas e aleijadinho, Afonso Henriques teria sido trocado à nascença por outro menino. Assim, o verdadeiro filho do conde Henrique e de Dona Teresa não é o usurpador que usa o seu nome, mas talvez um dos filhos de Egas Moniz, que terá inventado um milagre de Nossa Senhora para encobrir a sinistra troca das crianças.A primeira a conhecer esta tenebrosa malícia é Chamoa Gomes, eterna paixão de Afonso Henriques, que por amor começa a investigar a história, ao mesmo tempo que Egas Moniz e outros notáveis portucalenses a tentam afastar da corte, pois não querem que ela seja a primeira rainha de Portugal.
Ao longo de sete anos, Chamoa Gomes e Lourenço Viegas, o filho mais velho de Egas Moniz e narrador da história, vão tentar descobrir o que passou trinta e tal anos antes, aquando do nascimento de Afonso Henriques e também no dia da morte de seu pai, o conde Henrique.
Enquanto o mistério se adensa, o reino de Portugal cresce no norte e no sul, em lutas permanentes contra os leoneses de Afonso VII e os muçulmanos da Andaluzia. Apesar de falhada uma primeira tentativa de tomar Lisboa aos mouros, Afonso Henriques é reconhecido rei em Zamora, casa com Mafalda de Sabóia e conquista ainda a cidade de Santarém. Mas é só durante o segundo cerco a Lisboa, durante o qual os portucalenses contam com a fundamental ajuda dos cruzados vindos do Norte da Europa, que a vil intriga de Compostela se virá a esclarecer.
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