Mostrar mensagens com a etiqueta Ruth Ware. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ruth Ware. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

A mulher do camarote 10 de Ruth Ware

     Opinião: Depois de ter lido o Numa floresta muito escura da Ruth Ware e de ter gostado bastante, não poderia deixar de ler este A mulher do camarote 10. Mas a verdade é que este livro foi completamente diferente do anterior.
     Enquanto o primeiro era um livro escuro, este é um livro claustrofóbico onde parece que nos falta a respiração. Os espaços são exíguos e a ideia de que se está em alto mar, sem costa à vista, leva-nos a ter a sensação de que nada nos pode salvar ou travar quem nos queira fazer mal.
     A história centra-se em Jude, uma jornalista que vai fazer a reportagem de inauguração de um novo barco, um iate mais pequeno do que os normais. Opção? Sim claro, a ideia de tornar o espaço marítimo mais intimo, para casamentos, festas de anos, lua de mel, etc.
     O que acontece é que Jude, a narradora em primeira pessoa, acha que ouviu um corpo a cair ao mar, embora não falte ninguém a bordo, nem convidados, nem tripulação. Então o que será que ela ouviu? Nada? Mas a verdade é que a ameaçam para que pare de procurar. Se não aconteceu nada, qual o problema de ela procurar?
     A partir daqui quase que o livro se torna ‘esquizofrénico’ pois tudo nos passa a parecer irreal, incluindo o que nos é narrado por Jude. A autora constrói como que um jogo de espelho, onde o que aparece refletido não é, de todo, os factos a que estamos a assistir. Antes pelo contrário, a partir de determinado momento tenta-se que o próprio leitor ponha em causa o que é contado e o tempo no qual a narração se dá. Assim sendo podemos dizer que a construção narrativa é brilhante, pois nada é incoerente, mas ao mesmo tempo nada parece real.
     Mais uma vez Ruth Ware constrói um mundo à parte, tal como no primeiro livro, levando-nos a duvidar das nossas perceções e do fio condutor que ela nos dá.

     Brilhante e estranho ao mesmo tempo. A verdade é que não deixa de ser surpreendente e, como tal, podemos dizer que deixar de ler não é condição que se ponha. Acho, no entanto, que a leitura do primeiro livro permite perceber melhor o universo narrativo deste A mulher do camarote 10. Uma leitura que não sendo leve, nem de verão é imprescindível para quem gosta de thrillers. A não perder.


Sinopse: Uma jornalista faz a cobertura da viagem inaugural de um cruzeiro de luxo. O que parecia uma grande oportunidade profissional revela-se um pesadelo quando ela testemunha um possível crime no camarote ao lado do seu. Porém, para sua surpresa, todos os passageiros continuam a bordo. Não falta ninguém e ninguém pode sair do navio…




terça-feira, 11 de julho de 2017

Ruth Ware - "Numa floresta muito escura" | Clube do autor


           Este é um livro que tinha há mais de um ano na estante. Tirava, colocava, e acabei por não o ler.
Agora, devido à Maratona literária de verão, e à publicação de um novo livro da autora, acabei, finalmente, por o ler. E fiz bem.
Na verdade, o livro tem todos os ingredientes que me agradam. Tem suspense, vários tempos narrativos, que vão alternando até se juntarem no presente e uma sequência narrativa que nos faz querer ler o capítulo seguinte.
         Nora é uma jovem escritora que subitamente recebe um convite para ir à despedida de solteira de uma amiga de liceu, que não vê há dez anos. Nada de extraordinário, não fosse o facto da distância temporal sem se falarem, de não estar convidada para o casamento e, como tal, não saber sequer quem era o noivo.
         Ficamos também a saber que Nora e Clare, a noiva, foram melhores amigas, e que o afastamento se deveu a um problema amoroso de Nora, de tal forma importante, que esta resolve sair da cidade onde vivia, sem se despedir de ninguém. O problema é que dez anos depois a jovem escritora continua a olhar para o passado e a não esquecer os sentimentos de raiva perante o que lhe aconteceu.
         No entanto, resolve ir ao fim de semana, para ver se, dessa forma, consegue fazer as pazes com o passado. O problema é que tudo corre mal desde a chegada a uma casa escura, cheia de grandes janelas viradas para a floresta, até às pessoas, na sua maioria desconhecidas, e com comportamentos inadequados. Estas três/ quatro personagens que coabitam a casa, são, no mínimo, enigmáticas, e não sabemos, senão no final, interpretar as suas atitudes e ações.
         A partir destas premissas Ruth Ware constrói um romance psicológico, onde Nora (e a história é-nos sempre dada através da sua visão) não consegue entender o que se passa, qual o jogo que os outros jogam, ou o que pretende Clare com aquele encontro.
Podemos pensar que este é um livro sobre os problemas da amizade e das situações mal resolvidas. Não achei. Considero que se trata de um livro sobre egos e a valorização da pessoa e da sua vida sobre as outras. A amizade não tem egos, e não funciona com um ‘eu’, funciona com um ‘nós’, o que nunca surge neste livro. Todas as personagens, protagonista incluída, querem sobreviver por si, mostrar as suas competências e demostrar o que são capazes de fazer pelo outro, para que o outro reconheça nela essas mesmas aptidões. Só assim podemos entender a introdução de uma personagem como Melanie.
         No entanto é na realidade um livro sobre situações mal resolvidas e equívocos do passado. Mais, o seu esclarecimento, tanto tempo depois, é o mote para os acontecimentos mais dramáticos do livro.

Tudo isto é pouco perante o que se passa no livro, mas o suspense é a melhor forma de manter o interesse. É, pois, um livro que recomendo sem hesitações. Na verdade fiquei de tal forma agradada com esta estreia que já pondero ler o novo livro da autora, recentemente lançado.