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quarta-feira, 22 de maio de 2019
sexta-feira, 17 de maio de 2019
sexta-feira, 15 de março de 2019
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2019
sexta-feira, 14 de dezembro de 2018
segunda-feira, 26 de novembro de 2018
As flores perdidas de Alice Hart de Holly Ringland
Opinião: O
livro As flores perdidas de Alice Hart é a primeira obra da autora australiana Holly Ringland publicada em Portugal. E em
boa hora a Porto Editora a publicou. Será seguramente um dos melhores livros do
ano.
Nesta
obra esteticamente bonita, Alice é uma jovem que vive com os pais numa quinta
rural australiana e que por força das circunstâncias acaba a viver com a avó
paterna. Esta ultima planta flores e recolhe na sua quinta jovens vítimas de
violência a quem chama As Flores. Alice gosta de flores, já por influência da
mãe, e gosta de livros, sendo o seu escape e ponto de apoio. No entanto a
relação com a avó não é de todo fácil, cada uma delas com os seus fantasmas, e Alice, já mais velha, acaba por
partir. O resto do livro dá-nos conta da vida de Alice até esta ser uma jovem
mulher.
Esta
obra é fenomenal a todos os níveis. A construção literária onde a autora dá a
cada capítulo o nome de uma flor, e a sua descrição simbólica, leva-nos a ver
cada capítulo e o que aí acontece, de uma forma diferente e torna-nos mais
atentos a certos pormenores. Embora com uma narrativa sequencial está muito bem construído e elaborado pois tudo encaixa na perfeição.
Depois
a escrita. Com uma tradução fantástica da Cláudia Ramos, o livro apresenta-nos
uma prosa poética, sem clichés, nem frases feitas onde nos apetecer ler
depressa para saber como se desenvolverá a história de Alice e devagar para
saborear cada palavra, cada frase. É pois um livro de leitura, no melhor
sentido do termo.
Por
fim resta-nos as descrições, as descrições de um país que nada tem a ver
connosco, uma realidade que nos mostra uma paisagem encantatória, por vezes
cheia de flores, por vezes agrestes, mas que não deixam de ser como se de um
conto de fadas se tratasse.
Assim
sendo, e não querendo tirar o enorme prazer da descoberta individual e da
leitura, esta é uma obra que aconselho sem qualquer dúvida, sendo uma óptima
aposta da Porto Editora.
Sinopse: Um romance sobre as histórias que deixamos por contar e sobre as que contamos a nós próprios para sobrevivermos.
Alice tem nove anos e vive num local isolado, idílico, entre o mar e os canaviais, onde as flores encantadas da mãe e as suas mensagens secretas a protegem dos monstros que vivem dentro do pai.Quando uma enorme tragédia muda a sua vida irrevogavelmente, Alice vai viver com a avó numa quinta de cultivo de flores que é também um refúgio para mulheres sozinhas ou destroçadas pela vida. Ali, Alice passa a usar a linguagem das flores para dizer o que é demasiado difícil transmitir por palavras.
À medida que o tempo passa, os terríveis segredos da família, uma traição avassaladora e um homem que afinal não é quem parecia ser, fazem Alice perceber que algumas histórias são demasiado complexas para serem contadas através das flores. E para conquistar a liberdade que tanto deseja, Alice terá de encontrar coragem para ser a verdadeira e única dona da história mais poderosa de todas: a sua.
sexta-feira, 23 de novembro de 2018
O meu coração entre dois mundos de Jojo Moyes
Opinião: O
novo livro da Jojo Moyes O meu coração
entre dois mundos é o terceiro livro onde podemos encontrar a personagem da
Lou Clark.
Depois de Viver depois
de ti e Viver sem ti a Lou neste livro está a
trabalhar em Nova Iorque com a bênção e apoio do seu amigo Nathan. A nossa
personagem tem como emprego ser uma espécie de secretária de uma nova-rica que
ascendeu através de uma casamento (na verdade eles amam-se) e que quer ser
aceite pela sociedade daquela cidade.
Mas
a vida de Lou vai sofrer muitas reviravoltas, sendo que a sua vertente de
cuidadora acaba por vir, novamente, ao de cima.
Este
livro até a um terço do mesmo pareceu-me um livro sem ação, como se nada viesse
acrescentar à história. Mesmo a personagem principal me parecia parada, quieta,
muito menos dinâmica que a do primeiro livro. Até que, e após a leitura,
percebi que a nossa heroína está mais adulta, mais mulher o que faz com que
esteja mais ponderada e mais atenta a ela mesma.
A
intenção da autora, na minha modesta opinião, é exactamente dar-nos uma Lou
mais centrada em si mesma. Embora não esqueça a sua vertente de cuidadora (o
que seria bastante incongruente tendo em conta os livros anteriores), embora
continue a ser excêntrica na sua postura e na sua forma de vestir, esta jovem
mulher é mais ponderada nas suas atitudes e finalmente, liberta-se do passado
(de um namorado centrado nele mesmo, no primeiro livro, e daquilo que o seu
amor desejava para ela, no segundo) para se tornar na dona do seu destino.
Nesta
obra temos alguém que se impõe como ser humano, com ideias, sonhos e vontades
de que se recusa a abdicar, mesmo por amor. No fundo, aquilo todos nós
estávamos desejando para ela.
Não
sei se a Jojo Moyes vai escrever mais livros com estas personagens, mas, espero
que não fique presa a uma história que, e mais uma vez na minha opinião, pouco
mais tem para dar. Esta autora tem outros livros tão bons, ou melhores, que os
acima citados que acabam por ser injustamente esquecidos por causa da
visibilidade dada a estas personagens, nomeadamente através do filme de Depois de Viver depois de ti que acabou
por ser um sucesso.
Este
é pois um livro que recomendo, principalmente para quem já leu os livros
anteriores, embora não seja, de todo, dos melhores livros da autora.
Sinopese: Quando Lou Clark chega a Nova Iorque está convencida de que vai conseguir recomeçar uma nova vida e sente-se confiante para enfrentar todos os desafios, apesar dos milhares de quilómetros que a separam de Sam. Lou está determinada a aproveitar o mais possível a situação em que se encontra – vive e trabalha em Manhattan para uma família super-rica e vê-se inserida na alta sociedade nova-iorquina. E é assim que conhece Joshua Ryan, um homem que lhe traz recordações do passado. Em breve, Lou ver-se-á perturbada por aquele encontro, o que a leva a questionar-se sobre quem é a verdadeira Lou Clark e como poderá reconciliar as duas partes de um coração separado por um oceano.
Jojo Moyes dá vida, uma vez mais, a Lou Clark – a personagem de Viver depois de ti e Viver sem ti -, através de uma história que nos fala de lealdade, escolhas e, sobretudo, esperançasexta-feira, 16 de novembro de 2018
O rapaz à porta de Alex Dahl
Opinião: O rapaz à porta é o primeiro livro publicado em
Portugal da autora Alex Dahl. Este foi mais um daqueles livros em que a leitura
é célere e o final acaba com o entusiasmo e com a emoção.
O
livro conta a história de Cecília que tem uma vida perfeita: um marido rico, um
emprego para se mostrar moderna e autónoma, uma boa casa num bairro de
prestígio, duas filhas lindas… Está socialmente bem integrada, dando-se com as
pessoas certas. Eis que uma tarde, na piscina onde as filhas vão, lhe pedem que
deixe em casa o rapaz que está à porta e que ninguém veio buscar.
Ela
assim faz, mas quando chega ao local verifica que ninguém habita a casa,
havendo, apenas, indícios de que o jovem tem lá dormido, mas sem a companhia de
um adulto. Assim sendo, resolve levá-lo para casa, onde dorme, sem que ela
avise a polícia. No dia seguinte, deixa o Rapaz na escola até que recebe um
telefonema avisando-a de que tem de ir à referida escola pois a polícia está a
aguardá-la, visto que o rapaz não é lá aluno.
Até
aqui a história é linear, mas a partir desta premissa a autora acaba por
construir um jogo de espelhos, onde o leitor oscila entre a verdade e a
mentira, que por vezes se torna, por força do discurso, dois objetos diferentes.
A verdade é que depois de perceber esse jogo da cabra cega que a Cecília faz
com toda a gente e que lhe permitiu construir uma falsa vida exemplar, o livro
fica bastante interessante.
Assim
sendo, a obra é uma ilusão, construída pela personagem principal, que nós,
leitores, vamos conhecendo ao mesmo tempo que as outras personagens, e que se
desmorona e acaba por cair como se de uma pirâmide de cartas se tratasse.
Neste, entretanto, o livro ganha ritmo e mais interesse, funcionando como um
tratado psicológico, uma visão da mente de pessoas como a protagonista.
Até
que chegamos ao final. E desilusão. Não era o desfecho que estava à espera e,
penso mesmo, que não será o final mais correto, mais moral ou mais coerente que
a autora poderia encontrar. Para mim, o fim deveria ter sido outro, mais forte,
menos morno. Como se na última página pensássemos: É só isto?
De
qualquer forma, e não sendo para mim, um livro fantástico é uma obra que se lê,
sem grande dificuldade.
Sinopse: Cecilia Wilborg tem a vida perfeita: um marido atraente, duas bonitas filhas e uma grande casa em Sandefjord, uma cidade que parece tirada de um bilhete-postal. Ela esforça-se para manter tudo como está, pois um erro do passado pode destruir-lhe o presente.
Annika Lucasson vive uma vida sombria com o namorado abusivo e traficante de drogas. Já perdeu tudo muitas vezes e agora tem uma última oportunidade de se salvar, graças a Cecilia. Mas, Annika conhece o seu segredo e o que Cecilia está disposta a fazer para que tudo acabe.
Então aparece Tobias, um rapaz de oito anos, sozinho e sem amigos. Mas que ameaça fazer desmoronar o mundo de Cecilia.
O quer ele de Cecília?
sexta-feira, 26 de outubro de 2018
quinta-feira, 11 de outubro de 2018
A Sereia de Brighton de Dorothy Koomson
Opinião: Confesso
que só recentemente descobri Doroyhy Koomson. Como já afirmei noutra opinião
não é uma autora que leia com regularidade. Os seus livros são interessantes,
mas nem sempre me sinto preparada para eles. Houve alguns que me fizeram ficar
cética em relação a esta autora.
Quanto mais perto fica da verdade, maior é o perigo. Alguém parece estar a seguir cada passo de Nell, que já não sabe em quem confiar.
Da autora bestseller de a filha da minha melhor amiga, chega-nos uma intrigante história sobre irmãs, segredos e crime.
Este
A sereia de Brighton foi um livro de
uma leitura conjunta com a Maria João de A biblioteca da João, o que torna a
leitura um prazer. Mas foi mais do que isso.
Para
mim este não é um típico livro desta autora. Este é mais um thriller, um
policial, onde se tenta fazer justiça a quem teve uma morte prematura. Para
além disso passa-se em vários tempos, o que por si só também é algo que me
agrada.
A
história parte da descoberta de um cadáver por duas adolescentes, a Nell e a
Jude. Esta última, três semanas depois, acaba por desaparecer, o que não ajuda,
em nada, o estado de espírito da sua amiga.
25
anos depois vamos acompanhar a vida de Nell e da sua família, nomeadamente da
sua irmã mais nova, Macy, chegando à conclusão de que todos foram afetados
pelos acontecimentos do passado.
E
a partir daqui, nesta constante passagem de ia ao passado, vinda ao presente,
Dorothy Koomson leva-nos pelo pesadelo que pode ser a mente humana,
condicionada pelo que acha que viu, pelo que pressupõe e toma como realidade,
pela sociedade cujos preconceitos estão de tal forma enraizados que nada os
consegue demover ou alterar.
A
estrutura narrativa acaba por estar muito bem desenhada, sem nos perdermos nos
tempos, ou nas personagens que narram. As personagens estão construídas de uma
forma muito realista que nos leva a acreditar nos seus sentimentos, nas suas
ideias e nas suas atitudes.
O
final, que pode neste género destruir um livro, acaba por ser surpreendente,
pois nunca pensei que o culpado seria quem a autora escolheu. Por outro lado, o
desfecho de algumas das personagens e a explicação final das suas atitudes
também vem admirar o leitor, ou pelo menos, esta leitora.
Assim,
este é um livro que aconselho a quem gosta dos livros de Doroyhy Koomson e também
a quem não é fã. Acreditem este vale muito a pena ler.
Sinopse: As adolescentes Nell e Jude descobrem o corpo de uma jovem na praia e, quando ninguém o reclama, a vítima passa a ser conhecida como A Sereia de Brighton. Três semanas mais tarde, Jude desaparece e Nell, ainda chocada com os acontecimentos na praia, fica completamente desamparada.
Passados 25 anos, Nell vive atormentada pelo passado, abandonando o emprego para descobrir a verdadeira identidade da jovem assassinada – e o que aconteceu à amiga naquele verão inesquecível.Quanto mais perto fica da verdade, maior é o perigo. Alguém parece estar a seguir cada passo de Nell, que já não sabe em quem confiar.
Da autora bestseller de a filha da minha melhor amiga, chega-nos uma intrigante história sobre irmãs, segredos e crime.
quarta-feira, 29 de agosto de 2018
As vinhas de La Tempelanza de María Dueñas
Opinião:Este
livro é a minha estreia com a escrita de María Dueñas. Nunca li O tempo entre as costuras, mas conto
ainda lê-lo este ano, pois as críticas são unânimes e bastante positivas.
As Vinhas de La
Tempelanza é um
romance como há muito tempo não lia um. Quase que se pode dizes que é um épico,
não só devido à escrita, mas também pela forma como a história avança e se
entrelaça.
Mauro
Larrea é um homem que depois de ter conseguido ficar rico, vê o seu esforço e,
principalmente, o seu império ruir, acabando por ficar sem nada. No entanto, o
antigo mineiro não desiste e parte para Havana na perspetiva de se reerguer,
por forma a poder saldar as dividas e recuperar alguma da sua qualidade de
vida.
De
Havana vai até ao Jerez onde toma contacto com o negócio de vinhos, em ascensão
na segunda metade do seculo XIX, naquela zona. E se os negócios até poderiam
estar facilmente resolvidos, o problema de Mauro são as mulheres que vão
surgindo na sua viagem.
O
romance de Dueñas vai ter este fio condutor ao que se juntam uma escrita plena
de encanto, com descrições maravilhosas, que nos levam aos sítios, e apresenta umas
personagens que estão tão bem construídas que durante o tempo de leitura se
tornam nossos conhecidos, nossos vizinhos ou mesmo nossos amigos.
As
sequências narrativas são feitas de forma encadeada, numa sequência temporal
que torna a leitura fácil, mesmo quando se relatam acontecimentos passados. O
narrador e as personagens vão clarificando pontos que nos poderiam causar
algumas dúvidas e questões, sendo esta clarificação feita no tempo certo, sem
pressas ou precipitações.
Quanto
ao final este é lógico, quase previsível em alguns aspetos sem, no entanto, ser
evidente. A autora acabou por conseguir que o livro acabe como eu gostava que
acabasse, sem que tenha tido a certeza disso até às páginas finais. Por outro
lado, não cai em tentações românticas, ou mesmo piegas, que teriam tornado o
romance num livro banal.
Assim
sendo, é uma obra que recomendo sem reservas e que me levará, sem margem para dúvidas,
a ler os outros livros da autora já publicados em Portugal. Definitivamente os
autores de língua espanhola estão a escrever muito bem.
Sinopse: Uma história de coragem perante as adversidades e de um destino marcado pela força de uma paixão.
Nada fazia supor a Mauro Larrea que a fortuna que tinha conquistado fruto de anos de luta e perseverança se desmoronaria de um dia para o outro, graças a um inesperado revés.
Asfixiado com dívidas e afogado em incertezas, aposta os últimos recursos numa jogada temerária na esperança de se reerguer. Até que a perturbadora Soledad Montalvo, mulher dum negociante de vinhos inglês, entra na sua vida para o arrastar rumo a um futuro inesperado.
Da jovem república mexicana à radiante Havana colonial, das Antilhas à Jerez da segunda metade do século XIX quando o comércio de vinhos com Inglaterra converteu a cidade andaluza num enclave cosmopolita e lendário, por todos estes cenários se desenrola As vinhas de La Templanza, um romance que fala de glórias e derrotas, de minas de prata, intrigas de família, vinhas e cidades fascinantes cujo esplendor se desvaneceu com o tempo.
segunda-feira, 12 de março de 2018
Homens imprudentemente poéticos de valter hugo mãe
Opinião: Valter
hugo mãe é um dos melhores escritores da nova geração, sendo um autor que
acompanho desde o inicio da sua carreira. Confesso que, sempre que é lançado um
livro de um novo escritor português tenho tendência para ir ler e ver o que de
novo, e neste caso, de melhor, se faz em Portugal. Homens imprudentemente poéticos é um dos livros deste autor que
ainda não tinha lido. E o que eu estava a perder.
Este
livro conta uma história passada no Japão antigo e refere-se às dificuldades de
comunicação e de entendimento entre Itaro, o artesão, e Saburo, o oleiro. Há
quem defenda que neste livro hugo mãe acaba por cruzar três lendas nipónicas.
Sem
querer contar nada deste romance, não posso deixar de dizer que este é, no
entanto, um livro de mulheres, onde a figura destas se torna uma pedra basilar
daqueles homens. Mesmo quando esta já não habita o espaço físico onde se
desenrola a história. De referir, ainda, que a crueza da história é atenuada
pela magnitude da palavra.
Mas
a verdadeira beleza deste livro é a escrita poética, atrevo-me a chamar-lhe
assim, do autor. Valter hugo mãe é mestre na utilização da palavra criando uma
beleza que vai para além da história. Herdeiro de algumas características da
escrita de Saramago, acaba por nos embalar numa realidade que não sendo a
nossa, longínqua até, acabamos por a sentir como se fosse parte integrante do
português e da sua saudade.
Se
mais não posso dizer sem tirar o fator de surpresa ao livro, este é sem
quaisquer dúvidas uma obra da qual recomendo a leitura, embora este não seja
uma obra de fácil leitura. Mas vale a pena, muito a pena ler com atenção estes Homens imprudentemente poéticos.
Sinopse: Num Japão antigo o artesão Itaro e o oleiro Saburo vivem uma vizinhança inimiga que, em avanços e recuos, lhes muda as prioridades e, sobretudo, a capacidade de se manterem boa gente.
A inimizade, contudo, é coisa pequena diante da miséria comum e do destino.
Conscientes da exuberância da natureza e da falha da sorte, o homem que faz leques e o homem que faz taças medem a sensatez e, sobretudo, os modos incondicionais de amarem suas distintas mulheres.
Valter Hugo Mãe prossegue a sua poética ímpar. Uma humaníssima visão do mundo.
quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018
O que dizem os teus olhos de Florencia Bonelli
Opinião: Li a trilogia Cavalo de Fogo de Florencia Bonelli
quando a Porto Editora a lançou e gostei bastante. Por isso, quando este O que dizem os teus Olhos foi anunciado
nem hesitei em comprar. E em boa hora o fiz.
Bonelli continua a
acompanhar histórias de amor entre orientais e ocidentais. Neste livro, cuja
história de desenrola nos anos sessenta do século passado, Francesca jovem
argentina, filha de imigrantes italianos, vai trabalhar para a embaixada do seu
país em Genebra e posteriormente para a Arábia Saudita. Aí conhece Kamal, um
príncipe herdeiro da coroa saudita. E o amor acontece.
Mas o livro é muito mais do
que isto. O livro é uma lição, dada de forma leve e compreensível, sobre os
conflitos ocidente, oriente, daquela altura (que acabam por ser o início dos
atuais conflitos) e da luta pelos poços de petróleo e sua exploração. Além
disso é uma narrativa que nos faz compreender as diferenças culturais entre
estas duas regiões, nomeadamente, no que diz respeito ao papel das mulheres na
sociedade.
Mas voltemos às personagens
principais. Estas são descritas como duas personagens fortes, coesas e com os
seus princípios bastante bem definidos. Francesca, apesar de apaixonada, nunca
deixa de ser uma jovem ocidental de 21 anos, onde a aceitação dos princípios
árabes é realizada de forma progressiva, não abdicando, no entanto, dos seus
valores mais importantes, como a independência ou a liberdade pessoal. Por sua
vez, Kamal é um príncipe com uma educação mista (estudou em Paris na Sorbonne
durante anos), mas que estando ciente do seu papel na politica do país acaba
por viver um conflito entre o amor e o dever.
O livro desenrola-se sempre
com uma narrativa interessante, fluida, onde, mesmo nas partes mais didáticas,
o ritmo nunca é posto em causa. O ultimo terço da obra, talvez as últimas 120
páginas, lêem-se de um ápice pois as ocorrências sucedem-se, e com tal
dramatismo, que ao leitor resta apenas continuar a ler para saber como vai ser
o aguardado desfecho.
O único senão é que achei esse
desfecho muito rápido, gostaria que a autora tivesse desenvolvido mais a parte
final da história destes dois exemplos, para qualquer casal que se ame, mas que
as circunstancias da vida (família, religião, cultura) os teimem em separar.
De qualquer forma este é um
livro que recomendo sem dúvidas, e fico à espera que a Porto Editora continue a
publicar os livros desta autora italiana.
Sinopse: Antes de Matilda e Eliah, os protagonistas da trilogia Cavalo de Fogo, houve um amor maior nascido no deserto árabe…
Argentina, 1961. Francesca de Gecco é uma jovem de 21 anos, filha de imigrantes italianos. Embora a sua família seja humilde, com a ajuda de um parente rico Francesca recebe uma educação primorosa e inicia uma brilhante carreira de jornalista. No entanto, vítima de uma terrível deceção amorosa, que somente o tempo e a distância podem curar, a jovem jornalista aceita um cargo de secretária na embaixada argentina em Genebra, cidade que será apenas a primeira etapa de uma jornada especial.
A vida é generosa para com o coração de Francesca e oferece-lhe uma nova oportunidade para o amor: do outro lado do mundo, os palácios mais deslumbrantes do deserto árabe, conhecerá Kamal Al-Saud, um príncipe herdeiro da coroa saudita. Porém, no meio de tantos obstáculos, conseguirá Francesca ultrapassar as diferenças entre ela e Kamal e abraçar a felicidade?
segunda-feira, 6 de novembro de 2017
O regresso da primavera de Sveva Casati Modignani
Opinião: Acabei
agora mesmo o novo livro de Sveva Casati Modignani o seu O regresso da primavera, e como sempre gostei bastante. Sveva foi
uma autora que conheci há anos num jantar, promovido pela Porto Editora, e que
fiquei a admirar. Suave, simpática, simples conversou connosco sem filtros.
Depois disso os organizadores do encontro permitiram-nos ter um espaço e um
tempo de encontro entre leitores e editores tão afável que algumas de nós ainda
hoje estamos em contacto.
Mas
adiante. Este livro da Sveva encantou-me. Em primeiro lugar, fiquei fascinada
pelo facto das suas personagens principais serem um professor e uma editora de
livros. Tudo a ver comigo: escola e livros. E depois a escrita, a temática e o
seu desfecho. Sveva mostra uma visão bastante realista da Itália dos nossos
dias (o livro é de 2016), sem refúgios ou contemplações.
Lorenzo,
professor de Geografia Económica é um homem culto, empenhado socialmente, e
passa pelas mesmas dificuldades que muitos de nós passamos hoje ao sermos
professores, quando tentamos ser na verdade educadores.
Fiamma
cumpre o seu sonho de menina ao integrar uma editora fundada por um amigo de
infância, amigo esse, irmão, que lhe mostrou um outro lado da vida, sem entraves
ou convenções socias, embora ele mesmo as viva e se esconda dessa mesma
sociedade.
A
partir deste casal Sveva mostra-nos o nosso mundo, a Itália de hoje, a crise
económica, a crise da educação e, muitas vezes, a crise moral, que assola a
Europa. Mostra-nos, no entanto, e simultaneamente, que se lutarmos, prosseguirmos,
tentarmos, podemos romper esse estigma e ajudar, mudar, fazer melhor. Mais
importante do que o amor o livro valoriza o empreendorismo e a vontade de
fazer. Pode ser pouco, pode ser um caso ou dois, mas se todos fizermos melhor,
o conjunto do pouco poderá fazer o muito e a diferença.
O
livro acaba de forma surpreendente, pelo menos para mim, embora, na verdade, e
tendo em conta a construção das personagens ao longo da história, não pudesse
ser outro.
Permitam-me
uma nota pessoal. Obrigada Sveva pela forma como caracteriza os professores e
valoriza o seu trabalho didático e pessoal. Durante a leitura do seu livro
senti bastante orgulho em pertencer a uma classe profissional que, certamente,
tem bastantes Lorenzos, apesar de nem sempre darmos por eles.
Sinopse: Passamos muito tempo a perseguir sonhos que nos escapam da mão, uma felicidade que não se deixa aprisionar. E depois acontece que o melhor da vida se revela num instante, talvez na magia de um encontro inesperado. Como aquele que aconteceu entre Lorenzo e Fiamma, surpreendidos por um amor que nem mesmo eles, provavelmente, acreditavam ser ainda possível.
Lorenzo Perego, um homem fascinante e culto, é professor de Geografia Económica numa escola profissional de Milão. Poderia ter escolhido um estabelecimento de maior prestígio, mas o ensino é a sua paixão e ajudar jovens com talento numa realidade difícil e muitas vezes desoladora é um desafio que o entusiasma e enriquece.Fiamma Morino, com pouco mais de 40 anos, é diretora editorial de uma pequena editora de sucesso que ela própria fundou. Agora que a editora está prestes a sofrer uma drástica mudança de gestão, com que Fiamma não concorda, está disposta a tudo para a defender e continuar a garantir o cuidado e o amor que desde sempre dedica aos seus autores.
Através das vivências de Fiamma e Lorenzo, conhecemos a Itália de hoje, a da crise da Escola e da Economia, mas também aquela que é feita de pessoas empreendedoras, prontas a arregaçar as mangas e decididas a não se renderem.
sábado, 22 de julho de 2017
A amiga
Opinião: Começo por
dizer que Dorothy Koomson não é uma autora que considere regular (sem querer
ofender ninguém). Ela tem livros dos quais sou fan, tem outros cuja leitura não
consegui terminar, (mas pretendo voltar a tentar) e tem livros que ainda não
li. Por isso, por não ter um conhecimento global, não sei se a culpa desta
indecisão é minha se da autora. Há momentos em que não estamos preparados para
ler determinada obra e depois, quando finalmente a lemos, amamos. Pode ser que
seja que aconteceu com os dois livros de Dorothy que ainda não consegui acabar,
tentar e amar.
A verdade, é
que, em relação aos últimos livros dela tenho-os lido sem vontade de parar e a
gostar tanto que tenho pena que acabem. Foi o que aconteceu com A Amiga, publicado, recentemente, pela
Porto Editora.
Quando peguei
no livro e li a sinopse, coisa que raramente faço, achei que o livro poderia
ser centrado na Cece e nas suas tentativas de descobrir quem tinha tentado
matar a Yvonne. Enganei-me. O livro acaba por ser baseado em Yvonne e na sua
atitude perante a vida e perante os outros, embora seja uma personagem da qual
só ouvimos a voz na última página embora várias sejam as vozes deste livro (o
que eu adoro este tipo de construção narrativa).
Ficamos a
saber o que se passou naquela cidade, antes da chegada de Cece através das
vozes de Maxie, Anaya e Hazel, as melhores amigas de Yvonne. Esta última surge
assim caracterizada através das palavras dos outros, e nunca por si mesma, ou
pela Cece, que não a conhece. Muito dentro da linha de Brest (olha o elogio)
Koomson constrói uma história ou melhor cinco histórias, sendo que em quatro delas,
a personagem que manipula tudo o que vai acontecendo não nos conta nada, apenas
temos a visão dos lesados e a forma como se sentiram usados, manipulados ou
mesmo abusados.
Trata-se,
pois, de um livro sobre mulheres,os homens acabam por ser personagens
secundárias, sem brilho, vivendo à sombra e sob a dependência, económica ou
afetiva, das suas mulheres, e da forma como o passado, queiramos ou não, vem
condicionar o presente. É ainda um livro de equívocos, da mania que temos de
achar que sabemos o que o outro está a pensar, sem lhe perguntarmos. Por fim, é
um livro sobre amizades entre mulheres e a forma como as mesmas devem ser, ou talvez
não, construídas.
A narrativa é
fluida, sendo que as vozes são intercaladas, na maior parte das vezes, o que
nos permite ter a noção dos jogos que Yvonne pratica para construir uma relação
de poder e domínio sobre as outras mulheres.
Um elemento,
para mim, importante nos livros é o titulo, que neste caso é uma tradução
literal do original. E este acaba por ser um titulo que depende da visão que o
leitor tem do livro. Posso mesmo dizer que comecei por achar que A amiga era uma personagem, e, depois de
ter lido o livro, acho que afinal é outra.
Concluindo, adorei
este livro da Doroyhy Koomson e tenho a sensação, posso estar enganada, que
vamos ter uma continuação. Eu pelo menos gostaria que houvesse, pois, o fio
daquela meada ainda não foi totalmente puxado, podendo a autora dar-nos a visão
da história por parte de quem esteve praticamente calada, Yvonne.
Sinopse: Quando o marido é promovido, Cece Solarin muda-se para Brighton com os três filhos, animada com a possibilidade de um recomeço. No entanto, o ambiente do bairro que a acolhe parece-lhe ansioso e os vizinhos sobressaltados.
Cece descobre que, três semanas antes, Yvonne, uma das mães mais populares da zona, foi deixada às portas da morte, no pátio da escola dos filhos - a mesma onde se vê obrigada a inscrever os seus. No primeiro dia de aulas, Cece conhece três mães muito diferentes que parecem querer ajudá-la neste novo começo. Mas Maxie, Anaya e Hazel são também amigas de Yvonne, e a polícia desconfia que uma delas poderá estar envolvida no crime.
Preocupada com a segurança dos filhos, Cece está decidida a descobrir a verdade…
domingo, 16 de julho de 2017
Será que os silêncios são doces?
Descobri esta escritora há algum tempo e cada livro é um encanto e um
encantamento.
Este é uma história de família onde os segredos mais bem guardados acabam
por vir ao de cima. Porquê? Porque o filho resolve ter uma relação amorosa com
a filha do presidente dos Estados Unidos, sua colega de faculdade.
Mas o livro não é sobre a história dos jovens. O livro é sobre as suas
famílias, traumas e segredos.
De repente, Hush, a mãe do jovem, tem de começar a perceber que a sua vida
pacata e sossegada, pode ser posta em causa pela comunicação social, pelo
presidente e pela primeira dama (que não é de todo uma figura simpática) e
principalmente, por Nick elemento próximo ao casal presidencial e ex-elemento
dos serviços secretos que lhe invade a casa para proteger a jovem estudante,
sua afilhada.
O livro mostra-nos que as vidas cor de rosa não existem e muitas vezes são
apenas capas para segredos que não se querem confessar. Este é também um livro
que nos prova que, mais cedo ou mais tarde, tudo o que escondemos acaba por vir
ao de cima.
Contada a duas vozes, muito eu gosto de livros assim, Hush e Nick acabam
por nos pôr ao corrente dos seus passados, fazendo com que o leitor seja um espetador
privilegiado, pois tem conhecimento da história toda o que não acontece com as
outras personagens.
Este passado, por sua vez, condiciona as escolhas das duas personagens
principais, bem como as suas relações com as personagens secundárias. De alguma
forma, e em determinado momento, estas mentiras fazem com que as relações
interpessoais entre as personagens se alterem completamente, criando uma
narrativa bastante dinâmica.
Não percam. Romance do melhor.
Sinopse: Após a morte do marido num
trágico acidente, Hush McGillen não se deixou abater. Transformou os pomares de
maçãs da família num negócio de sucesso e o filho, Davis, está a estudar na
conceituada Universidade de Harvard.
Contudo, este idílico paraíso cai por terra quando o filho
aparece com uma companhia inesperada: a filha do Presidente dos Estados Unidos.
De um momento para o outro, Hush tem de lidar com os Serviços Secretos, a
comunicação social e, pior do que tudo, os novos sogros do filho - e a
primeira-dama não está nada satisfeita.
Com o agente federal Nick Jakobek, enviado pela família presidencial para resgatar a filha, a trazer ainda mais caos à sua vida, Hush vê-se perante a necessidade de fazer todos os possíveis para salvar o seu negócio, a sua reputação e a sua família - pois o seu passado não é exatamente o conto de fadas que todos julgam.
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