quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Malícia de Aleatha Romig


    Opinião: Odeio quando um livro acaba dando-me vontade de ler o seguinte e este ainda não está publicado. Odeio mesmo. E isso foi o que me aconteceu com Malícia.
   Mas vamos ao livro. Este continua a contar a história de Alex e Nox, história essa que foi iniciada em Traição. Depois de uma vivência idílica na ilha, e depois de terem acreditado que nunca mais se veriam apesar da forte atração sentida pelos dois, Infidelidades, a empresa de acompanhantes, acaba por os unir.
    O livro trata desta nova aproximação, com novas regras e essas são impostas por Nox. Mas a história fulcral deste volume passa pelo passado de Adelaide, a mãe de Alex e pelos negócios, institucionais e pessoais, da família da jovem heroína.
   De facto, temos, para além do presente, uma sucessão de acontecimentos que tiveram lugar num passado longínquo e num passado próximo. Ou seja, temos a história da família contada na primeira pessoa (Adelaide) que acaba por justificar muitas das atitudes que a família tomou no final do primeiro volume e que parecia, ao leitor, muito pouco assertivas, bem como as atitudes de Alex. 
    Quanto a Nox também neste volume ficamos a saber mais um pouco sobre a sua história familiar e pessoal, embora eu ache que estas só serão esclarecidas nos volumes que se seguem.
  Esta obra está indicada como sendo uma obra erótica, mas neste livro, confesso que o achei muito mais um livro de suspense, quase um thriller do que uma obra erótica. Na verdade, os factos que me entusiasmaram foram os que estavam ligados às histórias pessoais das três personagens (Alex, Nox e Adelaide) do que nas descrições (poucas) eróticas. Muito interessante perceber o que aconteceu e o que leva ao comportamento das personagens no presente. De facto, o nosso presente é muito condicionado pelas atitudes e acontecimentos do passado.
   Quanto ao final foi surpreendente e deu uma volta de 360 graus no último capítulo. E foi mesmo essa volta, brilhantemente pensada a nível de construção narrativa, que me fez ficar enraivecida, pois queria o volume três já na minha mão. Assim sendo, só me resta engolir a ansiedade e esperar que a Quinta Essência traduza, rapidamente, a continuação desta brilhante série de Aleatha Romig.



    Sinopse: As regras mudaram. Há novas regras... as minhas regras.
   Alex "Charli" Collins está disposta a tudo para se libertar das amarras que a sua família impõe. Mas recusar o estatuto privilegiado e opressivo tem um preço. Sem acesso à herança, Alex está prestes a iniciar a faculdade em Nova Iorque e precisa desesperadamente de dinheiro. E encontra uma maneira de o conseguir. 
   Não podia imaginar, porém, que os momentos de prazer que viveu com Nox voltassem para a atormentar. Pois tudo o que sentiu por ele foi devastado pelo seu apelido. Agora, com a Infidelity, as regras mudaram. O que irá acontecer quando a realidade e a fantasia se cruzarem? 
   Após o sucesso de Traição, Aleatha Romig traz-nos Malícia, a tão aguardada sequela do romance entre Alex e Nox. 


segunda-feira, 10 de setembro de 2018

Ensina-me a voar sobre os telhados de João Tordo

     Opinião: Depois de ter lido o primeiro livro de João Tordo eis que passo diretamente para a sua última obra Ensina-me a voar sobre os telhados.
     O livro, olhando para o título, parece logo de entrada que se trata dum título pouco comercial, muito longo. No entanto, depois de ler a obra compreendemos a escolha do autor e a pertinência do mesmo.
    Este é o tipo de leitura que primeiro se estranha e depois se entranha. Na verdade, quando começamos a leitura dos capítulos, que se alternam, estes surgem-nos como se estivéssemos a ler dois livros, com duas histórias independentes. Eis senão quando, e não vos consigo precisar quando, pois, trata-se de uma conjugação brilhante de construção narrativa, as histórias se interlaçam e tudo faz, naturalmente, sentido.
     As personagens principais são dois homens angustiados pelo seu presente e assombrados pelo seu passado, o que os aproxima e ao mesmo tempo os afasta como forma de sobrevivência. Na verdade, são a demostração de como a tradição, por um lado, e a sociedade e os seus preconceitos, por outro podem condicionar a vida dos seres humanos.
    À volta destas personagens temos toda uma comunidade que se junta no liceu mais antigo de Lisboa, o Liceu Camões, e que partilha, em reuniões mias ou menos espontâneas, as suas angústias, as suas ansiedades e os seus sonhos.
Por outro lado, João Tordo leva-nos a um Japão ancestral que nos surge como uma comunidade estranha, mesmo cruel, onde a tradição e a hereditariedade são bastante importantes na construção das personalidades. Aparece-nos um mundo que esteja a ser vivido e construído no Oriente, ou em Lisboa, torna-se parte integrante das vidas das personagens, condicionando-as e influenciando-as, embora em todo o livro esteja subjacente a ideia de que a vida e a realidade são construídas por cada um e pela sua visão dessa mesma realidade. 
    A tudo isto junta-se uma escrita fabulosa, onde a criatividade e a construão literária se unem com a utilização do vocabulário e das frases de uma forma encantatória, onde o leitor se deixa embalar e levar como se de uma ladainha maravilhosa se tratasse.
    Eis pois um livro, que não sendo uma obra típica de verão, é, sem dúvidas, um dos melhores livros que já li este ano.


   Sinopse: Japão, 1917. Por desonrar o nome da família, o jovem Katsuro é exilado pelo seu próprio pai, um poderoso governador, num ilhéu inóspito. Abandonado, o rapaz irá deparar-se, pela primeira vez, com o terrível segredo da família Tsukuda, enquanto luta para sobreviver à fome, à sede e à culpa.

   Lisboa, cem anos depois. No Liceu Camões, um dos mais antigos da cidade, um professor de Geografia suicida-se numa sala de aula. O nosso narrador, funcionário do liceu e alcoólico em recuperação, decide inaugurar uma reunião semanal para ajudar os colegas a superar o choque.
   Numa noite de Inverno, um misterioso desconhecido aparece no encontro. É japonês e chama-se Tsukuda. O seu estranho comportamento desperta no narrador um fascínio doentio. Ambos são perseguidos pelo passado, ambos desejam o impossível.
   Algures entre o sonho e a mais pura realidade, "Ensina-me a Voar Sobre os Telhados" é um lugar onde um pai e um filho aprendem a amar-se, é um espaço onde se procura aceitar dores antigas e abraçar a fragilidade humana. Um romance que é uma elegia à beleza imperfeita da vida.


quinta-feira, 6 de setembro de 2018

A sombra da noite de Robert Bryndza

      Opinião:  A sombra da noite é o segundo livro de Robert Bryndza que foi publicado em Portugal. E mais uma vez o autor não deixou por mãos alheias os seus créditos. Pelo contrário. Achei este livro melhor do que o primeiro.
Nesta obra Erika Foster, a inspetora-chefe nossa conhecida do primeiro volume, vai tentar descobrir quem anda a assassinar pessoas utilizando sacos de plástico. Um médico é a primeira vítima, embora rapidamente apareça uma segunda com o mesmo modus operandos.
   Falar sobre thrillers, sem contar a história ou deixar cair alguma pista essencial e que poderá tirar o prazer a quem vai ler é difícil. Por isso da história nada mais contarei. No entanto, posso afirmar sem margem para dúvidas que esta obra de Byndza está mais bem escrita do que o seu livro de estreia. A trama narrativa está mais bem engendrada e o ritmo diegético é muito mais contínuo e célere o que faz com que tenhamos vontade de o ler, parando apenas no final.
    Quanto à nossa inspetora-chefe esta mostra-se muito mais, o que permite que o leitor crie uma maior empatia com a sua personalidade. Não esteve nunca em dúvida a sua competência enquanto polícia, mas, eu pelo menos, tinha duvidado da sua humanidade e da importância que ela dava a quem a rodeava, nomeadamente à sua equipa. Aqui temos uma Erika que, para além de querer fazer justiça às vítimas, toma conta dos seus colegas.
    Outro aspeto que achei importante neste livro é a discussão que o autor faz sobre os assassinos. Nascemos assim ou as circunstâncias e as situações com que nos deparamos ao longo do nosso crescimento transformam-nos? Esta é uma discussão importante porque na realidade toda a gente é filha de alguém e, às vezes, basta nascer na cama ao lado para que a vida já tenha uma linha diferente. Destino?
    A escrita de Robert Byndza continua a ser bastante clara e objetiva. O facto de neste livro, mais ou menos a meio, nos ser dada a identidade do assassino faz com que a atenção do leitor se centre na forma como a investigação é feita e como as pontas soltas são presas. Esta construção literária faz com que a escrita seja mais difícil, pois qualquer descuido pode pôr em causa o final. Achei que aqui houve apenas um aspeto que torna previsível o desfecho, sem, contudo, ter tirado o valor ao livro ou à sua construção.
    Assim sendo, a saga da inspetora-chefe Erika Foster será uma das que irei continuar a seguir. Águas Profundas é o senhor que se segue.


   Sinopse: Numa noite quente de verão, a inspetora-chefe Erika Foster é chamada à cena de um crime. A vítima, um médico, é encontrada asfixiada na cama. Tem os pulsos amarrados e os olhos parecem querer saltar-lhe das órbitas através do saco de plástico transparente que lhe cobre a cabeça e o sufocou. Alguns dias mais tarde, outra vítima é encontrada exatamente nas mesmas circunstâncias. À medida que Erika e a sua equipa intensificam as investigações deparam-se com um assassino em série inteligente e calculista - que persegue e sabe tudo sobre as vítimas antes de escolher o momento certo para atacar. 
     As vítimas são homens solteiros, com uma vida muito reservada e um passado envolto em segredo. Porém, podem não ser as únicas pessoas a ser observadas... Erika começa a receber mensagens enigmáticas e a sua própria vida corre perigo. Ela tudo fará para desvendar o mistério que rodeia estes crimes, ainda que isso signifique arriscar a sua carreira na polícia. Imperdível!



quarta-feira, 5 de setembro de 2018

Book Bingo Leituras ao Sol

Voltando a setembro voltamos a ter opiniões dos livros lidos às segunda e quintas-feiras.
Hoje venho mostrar-vos como está a correr o Book Bingo. 
Falta uma categoria. Mas estou sem saber o que ler. Sugestões? Deixem aqui no blog! 
Qual o livro, que tenha um número no título, devo eu ler?  Algum palpite? Obrigada!!!!



segunda-feira, 3 de setembro de 2018

Noiva até sexta de Catherine Bybee

       Opinião: Sendo verão é natural que saia um livro de Catherine Bybee. Este Noiva até sexta volta a ter como personagens principais elementos ligados à agência Alliance, agência que permite aos ricos e famosos terem um casamento de ocasião e com termino marcado, sem que a imprensa, ou mesmo aqueles que lhes são mais próximos o saibam.
      Neste livro Gwen é uma jovem, filha de um duque britânico, que vem para os Estados Unidos ajudar a sua cunhada a gerir a referida agência. O problema é que rapidamente a nossa heroína acaba apaixonada por Neil, ex-fuzileiro que é um dos responsáveis pela segurança da família de Blake, irmão de Gwen.
     Neil, no entanto, também ele apaixonado por Gwen é perseguido por um caso do seu passado e tem de a manter em segurança, pois devido ao seu interesse, ela tornou-se um alvo privilegiado.
     Assim sendo a história acaba por se transformar num thriller, que supera a parte de romance do livro. De facto, as narrativas desta serie nunca são simples ou fáceis pois todos os protagonistas são obrigados a percorrer o seu caminho para, no fim, poderem ficar com o seu amado.
     Não sendo um romance de qualidade superior, acaba por ser um livro bem escrito, onde as situações e os acontecimentos são bem construídos, sendo uma leitura leve e agradável, principalmente para esta época do ano.
     Trata-se pois de um livro leve, bem construído, de escrita agradável, sendo uma excelente companhia para um dia de sol, seja na praia ou numa esplanada.


     Sinopse: Gwen Harrison é a bela filha de um duque britânico que se muda para os Estados Unidos para gerir o negócio de casamentos da cunhada. Mas não tarda a apaixonar-se por Neil MacBain, um ex-fuzileiro que fará tudo para proteger a mulher que ama. 
     Neil MacBain é um ex-fuzileiro que não tem como negar o efeito que Gwen, uma belíssima aristocrata, exerce na sua alma perturbada e no seu corpo musculado. Mas claro que Gwen está muito além do seu alcance. Até que uma ameaça do passado de Neil regressa e Gwen é apanhada no meio do fogo cruzado. Agora, para a manter em segurança, ele vai arriscar tudo: a carreira, a vida… e o coração.



sexta-feira, 31 de agosto de 2018

A rapariga no gelo de Robert Bryandza

    Opinião: Só agora li A rapariga no gelo de Robert Bryandza e não tinha a noção do que estava a perder. Foi um livro que li em pouco mais de vinte e quatro horas. Primeiro, porque o livro é fácil de ler, sem ser simplista, segundo porque a estrutura narrativa não permite que paremos a meio.
   O livro conta a história de uma jovem que é encontrada morta debaixo de uma camada de gelo. O problema é que a rapariga pertencia a uma família ilustre, da alta sociedade de Londres, estando o pai, e toda a família, bem como algumas altas entidades, a querer condicionar a investigação.
  Quem vai coordenar a averiguação é a Inspetora-chefe Erika Foster, que embora bastante conceituada dentro da polícia, acaba de sair de um caso bastante traumático. Por outro lado, Erika não é a melhor pessoa a seguir as regras que uma indagação deste tipo pressupõe.
   E estão os dados lançados. A trama acaba por ser inteligente e densa, sem que nunca se torne confusa ou crie alguma confusão no leitor. Os capítulos levam-nos a ler os seguintes sem conseguirmos parar, ou sem que queiramos fazê-lo.
   As personagens são convincentes e bem construídas, sendo a personagem principal uma mulher forte e decidida, com faro policial, sem nunca ser uma supermulher ou alguém pouco credível. Erika é uma polícia que se humaniza ao longo do livro, criando ligações com os colegas e com as vítimas. E na verdade, acaba também por criar uma relação com o leitor.
   O final está bem construído, sendo verosímil e surpreendente. Nenhuma das pistas que o autor vai dando sobressaí a ponto de nos apontar para uma determinada direção. Pelo menos a mim, fez-me apontar ao lado e não pensei que o assassino(a) seria quem na verdade foi.
   De facto, este é um thriller que recomendo sem hesitações e posso afirmar que no #setember Thriller da Dora e da Cristina irei certamente ler outros livros deste autor já publicados em Portugal.

   Sinopse: Quando um rapaz descobre o corpo de uma mulher debaixo de uma espessa camada de gelo num parque do sul de Londres, a inspetora-chefe Erika Foster é imediatamente chamada para liderar a investigação. A vítima, uma jovem bela e rica da alta sociedade londrina, parecia ter a vida perfeita. No entanto, quando Erika começa a investigar o seu passado, vislumbra uma relação entre aquele homicídio e a morte de três prostitutas, encontradas estranguladas, com as mãos amarradas, abandonadas nas águas geladas de outros lagos de Londres. 
    A sua última investigação deu para o torto, e agora Erika tem a carreira presa por um fio. Ao mesmo tempo que luta contra os seus demónios pessoais, enfrenta um assassino altamente mortífero e que se aproxima tanto mais dela quanto mais próxima ela está de expor ao mundo toda a verdade. Conseguirá Erika apanhar o assassino antes de ele escolher a próxima vítima?