Mostrar mensagens com a etiqueta 2011. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta 2011. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 11 de junho de 2018

A manhã do mundo de Pedro Guilherme-Moreira

     Opinião: A manhã do Mundo de Pedro Guilherme-Moreira é um livro que tinha há bastante tempo na prateleira. Na verdade, desde 2011 e só agora com o apoio da Isaura (obrigada Isaura) e de uma leitura conjunta resolvi pegar nele. Por vezes temos obras que já nos esquecemos que possuímos e não consciencializamos o valor que têm e o que estamos a perder. Esta é uma dessas obras.
     Tendo como base o 11 de setembro de 2001 e o atentado às Torres Gémeas o livro poderia ser dramático e ter caído nos lugares comuns que, este tipo de acontecimentos acaba sempre por originar. Mas tal não acontece. O autor consegue criar um enredo que nos leva a sentir a claustrofobia de quem se encontra preso nas torres aquando do embate do avião.
     A primeira parte do livro cria uma teia apresentando pessoas que estão ou deveriam estar nas Torres Gémeas no momento do atentado. A descrição é de tal forma realista que o pó, o sufoco, o desespero, ou a ansiedade passam para o leitor. Por outro lado, as pessoas que tiveram a ‘sorte’, o acaso que fez com que a vida (e neste caso não a morte) as levasse para um caminho e para uma situação que apesar de ser favorável tira a respiração, quer às personagens, quer ao leitor.
  A segunda parte do livro acaba por ser um momento de segundas oportunidades. E se conseguíssemos viver este dia sabendo o que iria acontecer? Esta verdade leva-nos a uma outra dimensão que não achei tão bem conseguida por parte de Pedro Guilherme-Moreira. A ideia é interessante, mas senti que me faltou algo mais heroico, mais motivante. As atitudes das personagens que já sabiam que ia haver um atentado pareceram-me um pouco frouxas, sem a garra devida para um acontecimento tão dramático. No entanto este desvio não desvirtualiza, de todo, o livro.
    A escrita do autor é bastante boa. É uma escrita irrepreensível, clara e de tal forma correta que se torna um prazer para quem lê. A sua construção narrativa também está bem construída e é bastante interessante pois as personagens ligam-se sem, no entanto, deixarem de ter personalidades e sentimentos individuais. Sem dúvida um autor de quem gostaria de ler outros livros.
   Quero agradecer à Isaura Ribeiro, do blog e canal Jardim de mil histórias esta leitura conjunta que enriqueceu, e muito, a minha visão do livro.

   Sinopse:  "E se alguém que assistiu a tudo pudesse, de repente, acordar a tempo de evitar a tragédia? No dia 12 de Setembro de 2001, Ayda encontrou-se com Teresa num café de Allentown e, com o jornal aberto sobre a mesa, foi implacável com os que tinham saltado das Torres Gémeas, chamando-lhes cobardes; mas não disse à amiga que, na verdade, o que sentia era outra coisa, uma grande frustração por o marido e o filho a terem abandonado e rumado a Nova Iorque num momento em que ela se recusava a tomar a medicação e lhes tornava a vida um Inferno - e de não ter coragem de fazer o que esses tinham feito. Entre os que saltaram, estavam Thea, Millard, Mark, Alice e Solomon - todos personagens fascinantes, com histórias de vida simultaneamente banais e extraordinárias -, que o acaso reuniu no 106.º piso da Torre Norte do World Trade Center naquela fatídica manhã. Se Ayda, por hipótese, conhecesse essas histórias e o drama que eles enfrentaram, decerto não os teria insultado tão levianamente. Mas poderá o destino dar-lhe uma oportunidade de rever a História? Este é um romance admirável sobre o medo e a coragem, o desespero e a lucidez, a culpa e a expiação; mas é também um livro sobre Einstein e os universos paralelos, sobre o que foi e o que podia não ter sido. No décimo aniversário do 11 de Setembro, a memória não basta, é preciso combater o esquecimento indo para junto dos heróis que viveram o horror e compreender cada um dos seus atos - se necessário, saltar com eles, conhecer aquela que foi a manhã do Mundo. "



." 

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

Melodia Inesperada de Jodi Picoult

     Opinião:Continuando o projeto Um ano com a Jodi este mês li Uma Melodia Inesperada. O livro é de 2011, quer o original, quer a tradução portuguesa, mas continua, infelizmente, bastante atual.
   Zoe está há 10 anos a tentar engravidar e quando parece que tudo está a correr bem, sofre um aborto espontâneo, de onde nasce um nado-morto. Depois, e por saturação, acaba por se divorciar do seu marido Max.
   Max acaba a viver em casa do irmão e aproxima-se da Igreja da Glória Eterna enquanto Zoe acaba por se aproximar de Vanessa, com quem inicia uma relação homossexual. Tudo estaria enquadrado, caso não fosse a existência de três embriões congelados que ambas as partes requerem para si. Zoe e Vanessa querem ter filhos, Max quer doá-los ao irmão e à cunhada, que também têm problemas de fertilização. No meio, uma igreja que não aceita a homossexualidade e que, simultaneamente, se quer promover.
   Com este pano de fundo Jodi Picoult constrói a história a partir de três vozes, Zoe, Vanessa e Max, sem se deter nas argumentações dos vários pontos de vista das personagens.
 Como sempre a autora põe-nos a pensar, percebendo nós que os acontecimentos e as consequências destes na vida das pessoas nunca é monocromática. Na verdade, e independentemente do que achamos, os seus livros e as suas histórias mostram-nos os diferentes lados do problema, quer ele seja religioso, social ou mesmo jurídico.
  Não querendo contar pormenores, de forma a não comprometer uma futura leitura, posso afirmar que nem as religiões, nem o sistema jurídico americano ficam muito bem vistos neste livro. O problema é que podemos facilmente extrapolar estas considerações para a Europa ou mesmo para o nosso país. Os desígnios de alguns representantes das diferentes religiões e as leis, muitas vezes esquecem as pessoas e os seus sentimentos, para se basearem no que está escrito, ou na manipulação que podem fazer com esses mesmos escritos.
   Sendo um livro que se lê muito bem, mais uma vez fiquei agradada pelo facto de cada voz ter um tipo de letra diferente. Este simples facto permite-nos identificar a personagem que fala mesmo que, por qualquer motivo tenhamos de interromper a leitura, sem ter que ir ver quem fala, no início do capitulo.
   Este é, pois, um livro sobre diferentes assuntos perfeitamente atuais e que vão sendo, uns mais que outros, analisados através da escrita da Jodi. De referir, ainda, que a profissão da Zoe, terapeuta musical, poderia ter sido mais explorada, pois pareceu-me bastante interessante o seu nível de intervenção. É, no entanto, uma obra onde quem vence são as pessoas e o seu bom carácter, o que nos dá uma esperança em relação ao futuro, neste mundo tão violento.
    Apesar de o livro ter seis anos esta é uma leitura que recomendo. 

    Sinopse:Zoe Baxter passou dez anos a tentar engravidar e, quando parece que este sonho está prestes a realizar-se, a tragédia destrói o seu mundo. Como consequência da perda e do divórcio, Zoe mergulha na carreira como terapeuta musical. Ao trabalhar com Vanessa, o relacionamento profissional entre as duas transforma-se numa amizade e depois, para surpresa de Zoe, em amor. Quando Zoe começa a pensar de novo em formar família, lembra-se de que ainda há embriões dela e de Max congelados que nunca foram usados.