quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Não sou o único de Helena Reis

      Opinião: Como é que eu, sendo fã dos Xutos e Pontapés desde que me lembro, só agora li a biografia do Zé Pedro escrita pela sua irmã Helena Reis? Mistério.
Quem me conhece e segue o Blog sabe que, ainda por cima, eu gosto de biografias. Embora não seja um género que leia com frequência, terei que rever este aspeto, o certo é que sempre que o faço fico bastante agradada. E este livro não é exceção.
     O Zé Pedro é (não consigo pensar no passado) uma figura incontornável da história do Rock em Portugal. Mais do que as suas atividades dentro dos Xutos o Zé fez e desenvolveu uma série de atividades que ficarão para a história da música portuguesa do seculo XX e da cidade de Lisboa em particular. Fazer uma análise de uma biografia sem introduzir spoilers é difícil, mas vou tentar.
     Permitam-me que comece por dizer que este livro só poderia ser escrito por alguém, como a Helena Reis, que fosse bastante próxima do guitarrista dos Xutos. Tendo a objetividade necessária a este tipo de escrita, e que segundo a autora o próprio Zé Pedro assim desejava, não deixa, nem esconde o afeto e a ligação que existe com o artista. E essa é talvez a primeira novidade para quem não está atenta ao mundo da música. Os roqueiros contrariamente à imagem que é passada são, por norma, pessoas afáveis, simples e de coração cheio. O Zé teve a juntar a esse seu aspeto mais afetivo uma família direta ou indireta que o rodeou, protegeu e amparou (o colo é sempre necessário ao longo da vida) tornando-o nesta pessoa maior que é.
     Não vou contar, na verdade, nada. Mas esclareço que sendo uma seguidora do grupo há anos, o livro tem episódios que me surpreenderam e outros que me esclareceram alguns aspetos dos quais não estava bem certa (não acreditar nas revistas é um princípio básico da vida).
    Assisti ao último concerto dos Xutos onde o Zé Pedro esteve fisicamente presente e assisti às duas recentes homenagens ao Zé, no Rock in Rio e no Super Bock Super Rock. Em ambos os festivais nesses dias fui de propósito para esses concertos e por isso posso afirmar que o espírito a força e a dinâmica do Zé Pedro continua em palco com os outros quatro Xutos que tenho a certeza irão continuar a honrar o seu legado.
    À Helena Reis (senhora simpatiquíssima) um muito obrigada por partilhar connosco o seu irmão e, se me permite dizer, parte do seu coração. Ao Zé Pedro ‘Não Sou O Único’ que te diz Até Sempre.

     Sinopse:Dizem que somos feitos da mesma matéria que as estrelas, que ainda somos seus primos afastados, mas alguns de nós têm um parentesco mais próximo com elas, uma cintilação especial são eles próprios estrelas. É o caso de Zé Pedro, fundador dos Xutos e Pontapés e uma das mais brilhantes estrelas do rock português. Nestas páginas da autoria da irmã Helena Reis, somos convidados a entrar no mundo de Zé Pedro, dos seus sonhos, das suas paixões. Viajamos à sua infância festiva e luminosa, ao estonteante começo dos Xutos e Pontapés, aos amores vividos e sonhados, aos grandes sucessos da banda e ao fervor dos fãs, ao Johnny Guitar e ao panorama musical da época, às incontáveis tournées pelo país e estrangeiro... É uma viagem apaixonante e irresistível a que este livro nos propõe, é a oportunidade única de ficarmos a conhecer por dentro o sonho inabalável de um homem que mudou para sempre a história do rock português." 




segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Uma verdade simples de Jodi Picoult

   Opinião: Jodi Picoult é definitivamente uma autora de que eu gosto particularmente. Este seu último livro, Uma verdade simples, vem provar a forma didática, mas bastante interessante como a autora desenvolve os seus livros.
    Numa comunidade Amish é descoberto o cadáver de um recém-nascido, sendo que a jovem suspeita pelo crime não admite sequer que tenha estado gravida. Katie Fisher faz parte desta comunidade e é alguém que interiorizou as regras do grupo a que pertence e pretende viver segundo elas. Quando se vê envolvida neste processo vai ter a ajuda de Ellie Hathaway, uma advogada que está a viver na casa da tia de Katie (banida daquela sociedade por se ter apaixonado por alguém que a ela não pertencia) e que, desiludida com a grande cidade, e com a pessoa com quem vivia, vai para descansar e se recompor emocionalmente.
     As duas mulheres acabam por se unir por necessidade e o leitor assiste às diferenças entre o ‘nosso’ mundo e vida ‘simples’ dos Amish. Assim se constroem 477 páginas de puro prazer, em que não conseguimos parar de ler e de consciencializar as diferenças entre as duas comunidades.
     Não vou falar sobre a forma superior como Jodi Picoult utiliza a escrita para expôr as suas ideias, pois já várias vezes a referi e acho que hoje em dia ninguém dúvida da mesma. Mas este livro consegue ainda ser superior, visto que alia a tudo o que já sabemos que vamos encontrar (assunto polémico e difícil, cenas de tribunal, …) um aspeto didático pela forma como nos é dado a conhecer um modo de vida que, não sendo igual ao nosso, tem regras e princípios bem definidos, respeitados pelos seus seguidores.
      A história tem um fio condutor bastante bem delineado, não deixando nunca de ser, nos momentos certos, surpreendente. Embora o final não tenha sido uma novidade (era uma das minhas suspeitas) não deixa de estar muito bem construído e a forma como nos é revelado está muito bem escrita.Trata-se, pois, de um livro que recomendo a toda a gente, sem qualquer dúvida.
     Quero agradecer à Maria João da Biblioteca da João e à Barbara Rodrigues do The Life of a Bookcatcher pela agradável forma como leram este livro comigo. Meninas obrigada e espero que tenhamos oportunidade de fazer mais leituras conjuntas.

     Sinopse: A descoberta de um bebé morto num celeiro dos amish abala profundamente a comunidade. Mas a investigação policial conduz a uma descoberta mais chocante: há provas circunstanciais que sugerem que foi Katie Fisher, uma jovem amish solteira de dezoito anos, que se julga ser a mãe do bebé, que lhe tirou a vida. Quando Ellie Hathaway, uma advogada desiludida da grande cidade, chega a Paradise, na Pensilvânia, para defender Katie, dá-se um choque entre as duas culturas e, pela primeira vez na sua carreira fulgurante, Ellie enfrenta um sistema de justiça muito diferente do seu.

    Mergulhando profundamente no mundo daqueles que vivem uma «vida simples», Ellie terá de chegar a Katie. E, ao desvendar uma morte complexa, Ellie é obrigada a olhar também para dentro de si, para confrontar os seus medos e desejos quando um homem do seu passado entra de novo na sua vida.



sexta-feira, 10 de agosto de 2018

A indomável Miss Bridgerton de Julia Quinn

     Opinião: Julia Quinn está de regresso e com uma nova serie (Série Rokesby) da qual este A Indomável Miss Bridgerton é o primeiro volume. De referir que o título remete obviamente para a série mais conhecida e estimada desta autora. E tem tudo a ver, pois agora ficamos a saber o início de toda a saga já nossa conhecida.
    Esta série vai juntar a família Bridgerton, através da personagem da jovem Billie com a família Rokesby sendo, neste caso a personagem principal o primogénito George. Billie é uma moça que vive com os pais na quinta que pertence à família e que faz fronteira com a dos Rokesby. Esta Maria rapaz acaba por brincar com os seus vizinhos, todos homens, exceto Mary a sua melhor amiga, criando-se assim, junto dos progenitores, uma vontade de se tornarem realmente família pelo matrimónio. Billie considera mesmo que esse poderá ser o seu destino, lamentando apenas não suportar o irmão mais velho e herdeiro do título.
    Por sua vez George também não se sente encantado pela sua vizinha que considera pouco feminina, com opiniões demasiado definidas para uma mulher, atrevendo-se, mesmo, a ajudar o pai no governo da sua quinta e usando calças para montar a cavalo.
     Mas às vezes nem tudo o que parece é. Os dois jovens acabam, por ironia do destino, por se juntar numa situação inusitada, que os aproxima, mais do que qualquer um quer assumir perante os outros e perante si mesmo. Na verdade, ambos tentam negar a atração que é cada vez mais forte.
    Este livro acaba por ser bastante divertido, pois Quinn através dos diálogos, pensamentos e considerações que fazem sobre as situações e os seus sentimentos torna a visão do leitor tão completa que conseguimos ter a noção das más interpretações em que ambas as personagens incorrem levando-as a criarem factos onde eles não existem.
     Continuo a sentir que nestes livros as heroínas estão sempre à frente da sua época e acabam por nos mostrar que são muito menos submissas do que o que era espectável para o seu tempo.
    Não querendo contar mais do que devo, posso concluir que este livro é tão interessante e engraçado como os outros de Julia Quinn, não deixando de ser um bom exemplo da escrita da autora. Agora resta apenas aguardar pela publicação do resto desta série.


     Sinopse: Por vezes, o amor surge nos lugares mais inesperados…Não é o caso, desta vez.Todos esperam que Billie Bridgerton se case com um dos irmãos Rokesby. As famílias são vizinhas desde sempre, e Edward e Andrew os eternos companheiros de brincadeiras de Billie. Tanto um como o outro dariam um excelente marido.Por vezes, apaixonamo-nos pela pessoa que seria perfeita para nós...Outras vezes, não.Há apenas um Rokesby que Billie não tolera de forma alguma: George. Pode ser o mais velho, e o herdeiro do título, mas é arrogante e irritante. Ainda por cima, o ódio é mútuo, algo que lhe convém na perfeição.Mas, por vezes, o Destino tem um sentido de humor perverso...Pois quando Billie e George ficarem a sós… (certamente no mais inusitado dos locais!) e os seus lábios relutantes finalmente se unirem num beijo, os dois poderão vir a descobrir que a pessoa que não suportam pode bem ser aquela sem a qual não conseguem viver.Os fãs dos Bridgerton – para os quais o fim da saga foi o fim do mundo – têm agora uma nova razão para viver. A série Rokesby – que é uma prequela às tão adoradas histórias da família mais extravagante da Regência – não só os traz de volta como conta como tudo começou… 



quarta-feira, 8 de agosto de 2018

O homem nas sombras de Phoebe Locke

     Opinião: Começo por agradecer à Maria João da Biblioteca da João e à Vera Brandão da Menina dos Policiais o facto de terem lido este livro comigo. Se assim não fosse provavelmente não teria conseguido acabar esta leitura.
     Passo a explicar. Para mim a leitura foi iniciada com uma série de espectativas e achando eu que seria um dos grandes thrillers deste ano. Passado em vários tempos (como eu gosto), com diferentes narradores (melhor) e histórias que se cruzavam construindo uma saga familiar (ouro sobre azul). Todos os ingredientes para ser um grande livro e do meu agrado. Só que as premissas eram as certas, mas a conclusão foi diferente do esperado e posso dizer que não gostei da forma como a história foi apresentada.
   O livro acaba por não ter suspense, é bastante parado, e a ação não desenvolve, entre a página 100 e a 200 tive a sensação de que não aconteceu rigorosamente nada e que, não ficamos a saber nenhum elemento que fosse importante ou decisivo para o desenvolvimento e avanço da história.
      A obra de Phoebe Locke tem como ponto de partida uma lenda, e depois de ler a badana do livro estava à espera de algo tipo o Às Cegas que gostei bastante. Mas nada. A narração acaba por ser morna, sem acontecimentos que a façam avançar.
   Restava o final. Desilusão. Tudo acaba sem nexo e sem que os acontecimentos que levam ao desfecho sejam interessantes. O final é tão morno como o desenvolvimento.
        Acho que nunca escrevi tão pouco nas opiniões sobre um livro e raramente dou menos de três estrelas a uma obra, mas a verdade é que este livro não conseguiu captar, minimamente a minha atenção e o meu interesse pelo que não posso dar mais de duas estrelas.
      Mais uma vez um obrigada às minhas colegas de leitura pois de outra forma acho que não teria conseguido acabar o livro.

    SinopseUm assassínio sem sentido. Uma lenda maléfica. Uma família perseguida.
    1990: Nas profundezas da floresta, três raparigas consagram-se a uma figura sinistra.
    2000: Uma jovem mãe desaparece, abandonando o marido e a filha bebé.
    2018: Uma adolescente é acusada de assassínio e o seu julgamento chocará o mundo.
   Três acontecimentos arrepiantes ligados pela sombra que ele lança. Ele é o Tall Man. Ele pode fazê-lo sentir-se especial.
  Um romance que se destaca pela originalidade e ousadia e por um fim verdadeiramente inesperado. 



segunda-feira, 6 de agosto de 2018

A Dama e o Vagabundo de Cheryl Holt

        Opinião: Cheryl Holt é uma escritora que chegou cá a casa por via dos romances eróticos. Assim sendo estava à espera que este livro fosse também ele uma obra com grande carga erótica. Mas a verdade é que não o é. Trata-se muito mais de um romance, com alguns momentos bem divertido, onde o erotismo é pouco, leve e secundário. A história acaba por ser muito interessante e não faz falta, à mesma, mais cenas eróticas.
      Michael é um jovem dono de vários estabelecimentos entre os quais uma casa de jogo, de onde consegue dominar todo o bairro onde o seu antro se situa. É um órfão que não tem recordações precisas das suas origens, embora por vezes lhe venham à memória imagens que não entende e não consegue perceber se se trata de recordações ou se são fruto da sua imaginação. No entanto essas mesmas imagens não o preocupam, e ele, embora se sinta inquieto e curioso, não perde tempo a pensar nelas.
       Por sua vez, Magdalena é uma jovem donzela, de boas famílias, que tendo sido traída pelo seu noivo, acaba a dirigir uma missão para os mais desfavorecidos, na mesma rua onde Michael mora e trabalha. E o encontro, inevitável, dos dois acaba por se dar, sem que nenhum consiga explicar ou fugir da atração que sentem um pelo outro.
       O destino vai acabar por dar uma ajuda levando a que sejam ‘obrigados’ a conviver a se relacionarem. Este é um livro em que o erotismo está, nitidamente, em segundo plano, estando o romance e as situações divertidas como elementos centrais para a construção do mesmo. Com uma escrita clara e correta Cheryl Holt cria uma narrativa que nos envolve e leva de situação em situação, sejam elas, divertidas, amorosas ou dramáticas, sem que o leitor consiga largar o livro e tenha conhecimento do desfecho destas personagens.
      Este é, pois, um romance ótimo para se ler neste verão e que não pode sequer ser criticado por excessos descritivos, levando assim a uma leitura prazerosa para qualquer tipo de leitor. De referir ainda que este livro é o primeiro volume da série Homens Perdidos, pelo que ficaremos à espera da publicação dos quatro volumes  seguintes.



        Sinopse:Órfão desde cedo, MICHAEL SCOTT viu-se obrigado a enfrentar a dureza e a solidão das ruas de Londres. Não tem memórias do passado mas é atormentado por terríveis pesadelos. É um solitário mas sente que há algo vital e precioso em falta na sua vida. O seu espírito indomável, porém, fez dele um vencedor. Tornou-se um homem rico, poderoso… e perigoso. Mas como pôde uma criança tão desprotegida singrar tão espetacularmente? Conseguirá um dia descobrir a verdade sobre si próprio?
    MAGDALENA WELLS dirige uma obra de caridade nos bairros mais degradados da cidade. Conhece bem a reputação de Michael, mas nem por isso deixa de sucumbir a uma espécie de feitiço quando finalmente se encontra frente a frente com ele. Michael é a pessoa mais extraordinária que ela alguma vez conheceu. Como pode um rufia ser tão distinto e bem-sucedido? Qual é a sua verdadeira história? Conseguirá Magdalena ajudá-lo a desvendar os segredos que ele tanto procura descobrir?
         E assim começa uma nova série da nossa favorita CHERYL HOLT. A Dama e o Vagabundo é o primeiro volume da saga Homens Perdidos, onde a autora tece habilmente uma história sobre a importância da família, do amor e da lealdade.





      Nota: Neste mês de agosto, mês de férias, vou tentar publicar três vezes por semana (segunda, quarta e sexta), para que assim possam acompanhar as minhas leituras. Fiquem por aí, que eu vou tentar manter este ritmo.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

Cebola crua com sal e broa de Miguel Sousa Tavares

        Opinião: Miguel Sousa Tavares é um autor que me despertar algumas ambivalências sentimentais. Como comentador não o consigo ouvir, mas como escritor acho que é bastante interessante. No entanto, um saudoso escritor, e que fez o favor de ser meu amigo, dizia que não podemos avaliar o autor pelo homem e eu assim tento fazer com Sousa Tavares.
     Foi por isso que arranjei uma situação de compromisso: não compro os livros e peço empestados. Assim sendo, quero agradecer à Maria João Diogo a sua amabilidade e disponibilidade para me emprestar o livro. Ela é a responsável pelo Blog A biblioteca da João que aconselho vivamente a irem ver, caso ainda não conheçam.
       Mas vamos a este Cebola crua com sal e broa que foi publicado pelo Clube do Autor em maio. Não se trata de um romance, nem mesmo de um livro de viagens como é habitual neste autor. Quando muito é uma viagem ao seu passado, à sua vida e aos vários aspetos que condicionaram e o tornaram no homem que é homem.
     Sendo uma obra muito mais intimista do que as suas habituais e onde o escritor acaba por revelar honestamente (se por ventura há honestidade em literatura) a sua alma e os seus pensamentos e sentimentos, Miguel Sousa Tavares conta-nos algumas das circunstâncias da sua vida, das suas opções e de como construiu as opiniões que hoje todos nós lhe conhecemos.
    O livro é bastante interessante para quem, como eu, se interessa pelo passado recente do nosso país, pelas várias visões que uma mesma história pode ter, aliadas a uma vivência com todos os grandes do seculo XX, incluindo aí a sua mãe Sophia e o seu pai Francisco.
    No entanto eu achei que em toda a descrição existia uma certa ironia, associada a uma certa amargura que vai ao encontro das suas afirmações enquanto comentador. Pareceu-me que o autor viveu momentos únicos e interessantes, embora, em certas conjunturas se note um algum fel, como se ainda não tivesse feito as pazes com o passado.
       No final foi uma obra que gostei de ler, pois também há momentos, em que a sua história é a história de todos nós enquanto povo. Se concordo com tudo? Não. Se aquela é a minha visão? Em certos aspetos também não, embora eu tenha sido mais espetadora, e o autor mais interveniente.
     Por isso, e a pesar de todas as reservas, é um livro que aconselho sem dúvida nenhuma.


       Sinopse: Eterno contador de histórias, o autor dá vida aos seus primeiros anos: da infância à juventude, dos jornais à política. O testemunho de uma vida única com a História contemporânea de Portugal como fundo.
       Uma quinta no Marão e a escola igual para todos. Os Verões nas praias da Granja e de Lagos. "Melville" e a pesca da lula «ao candeio». Uma casa diferente e alternativa. Marcelo e as lutas estudantis. O pai e o 25 de Abril. A PIDE e as loucuras do PREC. O trabalho no Estado. A liberdade nos jornais e o fascinante mundo da televisão. Soares, Guterres e Sócrates. As paixões pelo jornalismo e pela literatura. As promessas de vida cumpridas e as juras por cumprir...
     «Pode um homem viver impunemente começando a sua infância numa aldeia do Marão, comendo cebola crua com sal todas as merendas? Daí saltar para o mundo cinzento e as manhãs submersas da vida salazarenta da Lisboa dos anos sessenta? Acordar na manhã luminosa do 25 de Abril e descobrir que, afinal, éramos todos anti-fascistas e revolucionários e, logo depois, ir ao encontro do mundo e descobrir-se a si mesmo como uma testemunha privilegiada de tempos incríveis que, não os narrando, teria sepultado para sempre na cinza dos dias inúteis? Declaro que vi. E, por isso, conto. Antes que a água tudo lave e apague.»