quarta-feira, 29 de agosto de 2018

As vinhas de La Tempelanza de María Dueñas

      Opinião:Este livro é a minha estreia com a escrita de María Dueñas. Nunca li O tempo entre as costuras, mas conto ainda lê-lo este ano, pois as críticas são unânimes e bastante positivas.
    As Vinhas de La Tempelanza é um romance como há muito tempo não lia um. Quase que se pode dizes que é um épico, não só devido à escrita, mas também pela forma como a história avança e se entrelaça.
    Mauro Larrea é um homem que depois de ter conseguido ficar rico, vê o seu esforço e, principalmente, o seu império ruir, acabando por ficar sem nada. No entanto, o antigo mineiro não desiste e parte para Havana na perspetiva de se reerguer, por forma a poder saldar as dividas e recuperar alguma da sua qualidade de vida.
    De Havana vai até ao Jerez onde toma contacto com o negócio de vinhos, em ascensão na segunda metade do seculo XIX, naquela zona. E se os negócios até poderiam estar facilmente resolvidos, o problema de Mauro são as mulheres que vão surgindo na sua viagem.
    O romance de Dueñas vai ter este fio condutor ao que se juntam uma escrita plena de encanto, com descrições maravilhosas, que nos levam aos sítios, e apresenta umas personagens que estão tão bem construídas que durante o tempo de leitura se tornam nossos conhecidos, nossos vizinhos ou mesmo nossos amigos.
   As sequências narrativas são feitas de forma encadeada, numa sequência temporal que torna a leitura fácil, mesmo quando se relatam acontecimentos passados. O narrador e as personagens vão clarificando pontos que nos poderiam causar algumas dúvidas e questões, sendo esta clarificação feita no tempo certo, sem pressas ou precipitações.
   Quanto ao final este é lógico, quase previsível em alguns aspetos sem, no entanto, ser evidente. A autora acabou por conseguir que o livro acabe como eu gostava que acabasse, sem que tenha tido a certeza disso até às páginas finais. Por outro lado, não cai em tentações românticas, ou mesmo piegas, que teriam tornado o romance num livro banal.
    Assim sendo, é uma obra que recomendo sem reservas e que me levará, sem margem para dúvidas, a ler os outros livros da autora já publicados em Portugal. Definitivamente os autores de língua espanhola estão a escrever muito bem.



    Sinopse: Uma história de coragem perante as adversidades e de um destino marcado pela força de uma paixão.

Nada fazia supor a Mauro Larrea que a fortuna que tinha conquistado fruto de anos de luta e perseverança se desmoronaria de um dia para o outro, graças a um inesperado revés.
   Asfixiado com dívidas e afogado em incertezas, aposta os últimos recursos numa jogada temerária na esperança de se reerguer. Até que a perturbadora Soledad Montalvo, mulher dum negociante de vinhos inglês, entra na sua vida para o arrastar rumo a um futuro inesperado. 
    Da jovem república mexicana à radiante Havana colonial, das Antilhas à Jerez da segunda metade do século XIX quando o comércio de vinhos com Inglaterra converteu a cidade andaluza num enclave cosmopolita e lendário, por todos estes cenários se desenrola As vinhas de La Templanza, um romance que fala de glórias e derrotas, de minas de prata, intrigas de família, vinhas e cidades fascinantes cujo esplendor se desvaneceu com o tempo.




segunda-feira, 27 de agosto de 2018

Don Tranquilo de Mikhail Chólokhov

     Opinião: O Don Tranquilo de Mikhail Chólokhov é constituído por quatro livros que li quando era menina e moça. Lembro-me na altura de ter gostado bastante e tenho andado todos estes anos à procura dos vários volumes que constituem esta obra. Este ano na Feira do Livro de Lisboa consegui comprar todos os volumes do qual li, nestas férias, o primeiro.
     Neste volume temos a apresentação da família Melekhoves, cossacos, e cuja história vamos acompanhando ao longo do tempo. Este volume centra-se no jovem Grigóri, que acaba por terminar a tradição de toda a família viver na mesma propriedade.
     Grigóri acaba por ir cumprir o serviço militar, mas antes abandona a mulher e vai viver com uma outra jovem, também ela casada com um vizinho, uma localidade vizinha. Todos eles habitam aldeias ao pé do rio, do Don, o que torna a traição ainda mais escandalosa.
     Mas o importante do livro não é a história de amor. Esta, bem como a vida quotidiana das populações que residem na aldeia, é o pano de fundo para o autor nos mostrar a vida da Rússia e como se desenrolava na época dos cossacos.
    De facto, e como qualquer grande autor do do seculo XX russo, Mikhail Chólokhov dá-nos uma descrição das estepes e da vivência ligada à terra que tornam este volume, e a obra, num épico onde se une uma integridade histórica com a riqueza narrativa. A vida das famílias estava ligada à criação de animais e ao que a terra dava, sendo notório o valor que estes dois elementos têm na construção do dia a dia dos trabalhadores e na construção da nação. Ao largo está o rio. O rio que os acolhe, lhes indica o caminho e em algumas ocasiões lhe fornece aquilo que necessitam para que a terra mãe se possa desenvolver. O rio que testemunha as suas vivências.
   Este primeiro volume não desfraldou as minhas expetativas, embora a surpresa de algumas descrições ou acontecimentos se tenha perdido devido ao conhecimento histórico e literário que construí ao longo dos anos. No entanto, não vou deixar de ler os outros volumes sobre a história desta aldeia e desta população que mais não é do que a história da Rússia e dos seus habitantes ao longo do início do seculo XX.
      De referir, para quem o desconheça, que o autor recebeu o Prémio Nobel da Literatura em 1965, tendo sido esta obra, escrita entre 1928 e 1932, referida e considerada a sua melhor criação literária.

     Sinopse: A história da Rússia contada através da vida de uma região ao longo do Don. 



sexta-feira, 24 de agosto de 2018

A filha de Cayetana de Carmen Posadas

      Opinião: A filha de Cayetana é o último livro de Carmen Pousadas. Sendo um romance histórico, conta a vida da Duquesa de Alba, musa de Goya, e tendo 572 páginas, confesso que parti para a sua leitura com algumas dúvidas e temores. Como estava enganada.
    O livro conta, como já disse, parte da vida da décima terceira duquesa de Alba, Maria del Pilar Teresa Cayetana de Silva y Álvarez de Toledo, da sua relação com a corte e a realeza, com os atores, toureiros e pintores famosos da época, nomeadamente Goya, seu amigo, e da forma como aperfilhou, tratou e cuidou de uma menina negra, que resolve criar como se fosse sua filha: Maria da Luz.
     Mas Maria da Luz é Marina para Trinidad a sua mãe biológica, escrava que se apaixona pelo seu senhor e acaba por engravidar. E o livro de Posadas acaba por referir, também, a vida sofrida desta mãe, que vê a sua filha ser-lhe arrancada dos braços, sem nada poder fazer para se opor, passando o resto dos seus dias a existir e a suportar situações e acontecimentos, mesmo na adversidade, sempre com o fito de recuperar a sua filha perdida.
     É, pois, destas duas histórias tão dispares que vive o livro. Num mundo tão convencional, mas tão hipócrita, tão diferente conforme a classe social a que se pertencia, temos a história de duas mulheres que são guiadas pelo amor, mas cujas vidas não poderiam ser mais distintas pelo simples facto de terem nascido em lugares diferentes. Cayetana foi a privilegiada que fez da vida o que quis, não se deixando levar pelas convenções e Trinidad é a escrava que se liberta das amarras e tenta, arrisco-me a dizer conseguindo, criar o seu mundo, o seu futuro, o seu destino. No entanto ambas acabam por ter uma vida trágica.
     Sob estas histórias tão ricas temos o discurso e a escrita de Carmen Posadas que é de uma beleza, rigor e ironia inimitáveis. A autora cria uma narrativa que nos envolve e nos leva a rir com a sua ironia e a chorar nos momentos mais trágicos. As descrições são quase cinematográficas, como se estivéssemos nos locais por onde as diferentes personagens se deslocam.
  O final num livro histórico, com personagens reais, não pode ser surpreendente. Mas este acaba por ter uma alteração discursiva no último capitulo, que eu não tinha de forma alguma previsto, mas que faz com que a obra acabe com um realismo e uma verdade inquestionável. Uma leitura a não perder.
     Obrigada à Maria João Diogo por mais esta leitura conjunta, é sempre um prazer ir comentando o livro conforme vamos lendo.


      Sinopse: Um episódio assombroso e esquecido protagonizado por uma das mulheres mais afamadas da História de Espanha: Cayetana de Alba, a inesquecível musa de Goya.Excêntrica, caprichosa e livre, durante mais de duzentos anos o seu poder de sedução permaneceu inalterado. No entanto, poucos sabem que a duquesa adotou uma menina negra, María Luz, a quem amou e educou como a uma filha, e a quem deixou parte da sua fortuna.Com mestria, Carmen Posadas relata as peripécias das duas mães: a adotiva, com os seus amores e dramas na corte de Carlos IV, um autêntico ninho de intrigas, e a biológica, Trinidad, que, sendo escrava em Espanha, luta por encontrar a bebé que lhe foi arrebatada após o nascimento.





quarta-feira, 22 de agosto de 2018

O desaparecimento de Stephanie Mailer

        Opinião: O livro O desaparecimento de Stephanie Mailer de Joel Dicker era uma obra que ansiava ler há muito tempo. Na verdade, este é um autor de que gostei bastante em todos os livros que li (falta-me Os últimos dias dos nossos pais). Assim sendo, logo que este livro saiu quis lê-lo.
      Nesta narrativa vamos encontrar dois detetives que em 1994 descobrem o culpado do assassinato do Presidente da Câmara de Orphea, da sua família e de uma transeunte. Os dois policias Jess Rosenberg e Derek Scott que, na altura, eram jovens acabam por ter aqui a sua grande oportunidade de passarem a ser considerados grandes policias e investigadores, visto trata-se do seu primeiro caso.
      Vinte anos depois, este seu sucesso é posto em causa por uma jornalista que afirma, de forma categórica, que o condenado não era o culpado e que este ainda se encontrava em liberdade. Sem acreditarem nessa afirmação os rapazes não lhe dão a importância devida. Mas a jovem jornalista, Stephanie Mailer, desaparece nessa noite, o que alerta os detetives, agora seniores, para a hipótese de ela estar certa.
     E temos a trama da narrativa feita. A história vai ser contada por vários narradores, que a complementam, e que percorrem tempos distintos, o que me agrada também sobremaneira.
   A trama vai sendo construída de forma clara, inteligente e deixando pendurados os fios que levam o leitor a não querer abandonar o livro.
      A juntar a tudo isto temos a escrita de Joel Dicker que é sempre correta e construtora de um suspense que nos torna parte integrante da própria história. Esta é assim uma escrita de uma beleza tal que a mim me agrada e prende.
      Só uma curiosidade: uma das personagens é um critico cultural, um critico literário, que nos é apresentado como alguém implacável, que apenas é capaz de dizer mal das obras que comenta, sem as ter lido. Para mim este aspeto é tanto mais importante se pensarmos que, por vezes, temos a sensação de que algumas críticas, de alguns ilustres, são feitas sem que este tenha lido o livro.
      Por fim, e voltando ao livro de Dicken mais uma vez este jovem suíço não nos desilude, pelo que aconselho vivamente a sua leitura, salientando que o leitor não se deve assustar pelo tamanho do livro, pois apesar das inúmeras páginas que constituem o livro, nunca temos a impressão que sejam demais. A ler, sem dúvida.

     Sinopse: Na noite de 30 de Julho de 1994, a pacata vila de Orphea, na costa leste dos Estados Unidos, assiste ao grande espectáculo de abertura do festival de teatro. Mas o presidente da Câmara está atrasado para a cerimónia… Ao mesmo tempo, Samuel Paladin percorre as ruas desertas da vila à procura da mulher, que saiu para correr e não voltou. Só para quando encontra o seu corpo em frente à casa do presidente da Câmara. Dentro da casa, toda a família do presidente está morta.

    A investigação é entregue a Jesse Rosenberg e Derek Scott, dois jovens polícias do estado de Nova Iorque. Ambiciosos e tenazes, conseguem cercar o assassino e são condecorados por isso. Vinte anos mais tarde, na cerimónia de despedida de Rosenberg da Polícia, a jornalista Stephanie Mailer confronta-o com uma revelação inesperada: o assassino não é quem eles pensavam, e a jornalista reclama ter informações-chave para encontrar o verdadeiro culpado. 
Dias depois, Stephanie desaparece. 
   Assim começa este thriller colossal, de ritmo vertiginoso, entrelaçando tramas, personagens, surpresas e volte-faces, sacudindo o leitor e impelindo-o, sem possibilidade de parar, até ao inesperado e inesquecível desenlace. 
      O que aconteceu a Stephanie Mailer? 
      E o que aconteceu realmente no Verão de 1994?


segunda-feira, 20 de agosto de 2018

Os Távoras de Maria João Fialho Gouveia

    Opinião: Maria João Fialho Gouveia aparece com um novo romance histórico, desta vez sobre Os Távoras, essa família tão perseguida pelo ministro de D. José, Sebastião José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras, Marques de Pombal.
    As personagens principais são duas cunhadas D. Mariana Barbara e D. Teresa Tomásia. E não poderiam ser mais distintas. Enquanto a primeira é muito religiosa e está preocupada com a salvação do mundo, da sua alma e a importância em louvar Deus sob todas as coisas, a segunda acaba por se tornar amante do rei, estando muito mais interessada na luxuria, nas festas, e na sua felicidade no momento, no aqui e agora.
    Na verdade, o interessante neste livro é verificar que a família acaba por ter no seu seio um conjunto de pessoas completamente diferentes, mas que, acima de tudo, defendem o poder e o nome que assinam. Apesar das críticas, dos afastamentos e até dos contrastes, nos momentos de crise, nomeadamente aquando do terramoto de Lisboa, a família acaba por se proteger e por se unir por forma a que todos se salvem.
    Outro aspeto a salientar é o rigor histórico que a Maria João Fialho Gouveia põe na construção e desenvolvimento dos seus livros. Neste caso é tanto mais importante pois existe a ideia, incorreta, de que a família Távora deixa de ter descendentes após o tempo do Marques de Pombal, o que não corresponde, de todo, à realidade. Mais ainda, a autora fez uma escolha feliz ao centrar a ação do livro, no tempo anterior à perseguição e fuga, mostrando assim um clã que se souber divertir nos momentos certos ao mesmo tempo que construía o seu poder financeiro e social e, simultaneamente, desenvolvia a sua capacidade de sobrevivência.
    Por fim de notar a forma como o livro está escrito. Sem artificialismos, mas com uma correção linguística e literária que acaba por nos envolver e consegue levar-nos, como que de forma cinematográfica, a um tempo que não é o nosso. Realço a descrição do Terramoto de Lisboa, que é de um realismo e de um rigor histórico ímpar ao mesmo tempo que constrói uma descrição literária sublime.
    É, pois, uma obra que recomendo sem dúvidas algumas, para quem gosta de romances históricos em particular, ou para qualquer leitor que queira, para este verão, um livro com uma boa história e bastante bem escrito.

    Sinopse: Esta é a história da nobre família Távora, aqui contada na voz de Dona Mariana Bernarda e Dona Teresa Tomásia, duas senhoras desta ilustre Casa, que viveram em fausto e glória até o futuro marquês de Pombal tentar apagar a sua semente da face da Terra.

     Apesar de unidas pelo sangue e pela vaidade da sua estirpe, as duas fidalgas não podiam ser mais diferentes uma da outra. A primeira era uma mulher religiosa e recta; já a segunda - sua tia e cunhada - entregava-se sem pruridos a uma vida de luxúria, vivendo um romance pecaminoso com El-rei de Portugal.
    A altivez e o poder dos grandes Távoras muito incomodavam a Sebastião José de Carvalho e Melo, Secretário de Estado. Tanto que, quando D. José I é vítima de um intrigante atentado, Sebastião José, futuro marquês de Pombal, tratou de os inculpar, prendendo-os em masmorras e conventos, sem poupar mulheres nem crianças. O Tribunal da Inconfidência, a que presidiu, torturou os réus e condenou-os a mortes cruéis. Por fim, baniu-lhes o nome, picou-lhes as armas de família, julgou tê-los calado para sempre. Mas tê-lo-á conseguido?






sexta-feira, 17 de agosto de 2018

O amor da minha vida de Clare Empson

      Opinião: (Ele era) O amor da minha vida (até eu o destruir) foi um livro que me chamou a atenção pelo título e o jogo que é feito com as expressões que o completam. Esta foi uma leitura conjunta, algo de que estou a ficar fã, com a Maria João Diogo e a Vera Brandão.
     E o livro é muito bom. Sendo um romance de estreia (espero que a autora continue a escrever) não sabia nada sobre esta obra. Tirando a ‘ironia’ do título, não tinha lido nada, nem sequer a sinopse presente na badana.
     O livro conta a história de Catherine que é casada com Sam de quem tem dois filhos. E quando o romance começa a jovem está internada pois sofre de mutismo, ou seja, não consegue falar. Não sabemos porquê, nem qual o acontecimento que o provocou, apenas acompanhamos os pensamentos de Catherine durante as visitas que tem ou durante as suas sessões de terapia.
     Como o livro se passa em três tempos (Agora, Quinze anos antes e Quatro meses antes) ficamos a saber que o grande amor desta jovem não é o seu marido, mas sim Lucian, a sua paixão de juventude, e o qual ela, inexplicavelmente, abandonou uma noite, sem qualquer justificação, após terem vivido o seu amor durante meses. Sabemos ainda que quatro meses antes os dois se tinham reencontrado, e, este tempo, é-nos contado pelas duas personagens, ou seja, nós sabemos o que ambos pensam e como vivem os acontecimentos.
    É sabido que livros com tempo diferentes, na generalidade, me agradam bastante e este está muito bem construído, pois podemos desvendar o que despoletou determinada atitude num determinado tempo, sem com isso nos solucionar o ‘Agora’ e nos justifique o estado em que Catherine se encontra.
    A partir do momento em que sabemos o que aconteceu há quinze anos e levou a jovem a abandonar o amor da sua vida, a narrativa começa num crescente que se consegue sentir na própria escrita da autora. A narração da história está muito bem feita, sendo que a descrição das personagens e dos meios onde se movimentam acabam por construir todo um cenário intrigante e interessante.
     O final, e ultimamente os finais não têm sido perfeitos, é soberbo, pois nada nos prepara (a mim não preparou de certeza) para as ações e os acontecimentos com que nos deparamos. Não deixa pontas soltas sendo, pois, uma narrativa fechada, da qual já tinha saudades.
     De qualquer forma este é um livro que recomendo sem dúvida.

     Sinopse: CATHERINE deixou de falar. Algo a perturbou de tal forma que não consegue comunicar. Ninguém sabe o que foi. Para a ajudarem, os médicos terão de desvendar esse mistério. E começar pelo seu passado… por ele. LUCIAN. O grande e único amor de Catherine, a quem ela abandonou uma noite, sem qualquer explicação, estilhaçando a vida de ambos. Anos depois, Catherine e Lucian voltam a encontrar-se. Tudo pode acontecer pois a paixão que os uniu mantém-se… mas sobre eles pesa ainda o segredo daquela noite fatídica. Catherine sabe que chegou o momento de o revelar. Será a verdade capaz de salvar este amor imenso que nem o tempo conseguiu esmorecer? Ou irá destruí-los de novo, arrastando-os irremediavelmente para o abismo? O que acontece a seguir está na origem do silêncio de Catherine. O que acontece a seguir… é a única coisa que ninguém podia prever.




quinta-feira, 16 de agosto de 2018

Noite Fantástica em Sesimbra

Ontem, na Feira do Livro de Sesimbra, foi a Noite da Fantasia com a presença de Rafael Loureiro e Sandra Carvalho os autores da trilogia Nocturnus e da Saga das Pedras Mágicas. E também eu estive lá pois os dois escritores tiveram a amabilidade de me convidar para falar um pouco sobre a obra deles e a minha experiência enquanto sua leitora.
Foi um prazer e uma honra fazer parte de uma mesa tão ilustre. A noite estava fria, mas o ambiente que se gerou foi acolhedor e intimista. Assim sendo acabei por relatar o meu percurso enquanto alguém que acompanhou a obra destes autores quase desde o seu início.
Assim sendo, referi que Rafael Loureiro apresentou cedo a sua obra às editoras apesar de apenas a ter publicado depois do sucesso de Stephenie Meyer. Os seus vampiros, nomeadamente a sua personagem principal, são homens que perderam a sua humanidade, mas que não esquecem a necessidade de seguir as regras e os princípios básicos dessa mesma humanidade. Este seu último livro Cinzas de um mundo novo, sendo uma distopia, acaba por ser uma visão futurista de um mundo que esperemos não passe de uma imaginação deste autor. É também um livro que poderá ser visto como um policial, sendo a personagem principal, um agente da autoridade. No entanto considerei que é importante dar-se importância aos nossos autores, ainda por cima quando são bons como Rafael Loureiro, e editá-los não esperando que as ‘modas’ venham do estrangeiro.
Quanto a Sandra Carvalho e à sua obra realcei a importância que esta autora dá às suas mulheres, narradoras e personagens principais das suas histórias. Todas elas se passam no passado, mas as figuras femininas acabam por ser damas, aparentemente frágeis, mas que, quando as situações se colocam, elas assumem o seu papel, lutando ao lado dos seus homens, pelas suas terras ou pela sua própria independência, mesmo que para isso tenham que se vestir e passar por homens. Nestas obras é de realçar ainda a convivência entre a fantasia e a História (seja a dos celtas, seja a nacional), sem pôr em causa o rigor científico que esta última merece. Referi ainda a homenagem que a escritora faz à sua terra Sesimbra, na sua última trilogia, com uma descrição das mais bonitas que li não só da terra, mas também da forma como as pessoas recebiam quem aqui aportava e vinha por bem.
Depois dos escritores apresentarem a sua história e as suas obras houve uma sessão de autógrafos. Foi, pois, uma noite de homenagem à literatura e aos autores portugueses, o que será, sempre, um momento maior. Aos dois escritores gostaria de, mais uma vez, agradecer a honra e o prazer que foi fazer parte desta noite fantástica. Muito obrigada.